Recebi o diagnóstico de sarcoma de Ewing aos 24 anos. Enfrentei cirurgias, 51 quimioterapias e 26 radioterapias”, conta publicitária curada há oito anos
Oncologia
Fevereiro de 2025 – Foi aos 24 anos que a publicitária Fernanda Natel identificou uma pequena bolinha em sua axila esquerda, que rapidamente foi retirada em uma consulta dermatológica. O resultado da biópsia indicou ausência de malignidade. No entanto, não demorou muito para o caroço voltar a crescer. Após insistência de seu pai, Fernanda decidiu buscar uma segunda opinião.
"Realizei um exame que identificou uma região vascularizada e, pouco tempo depois, recebi a notícia de que se tratava, de fato, de um tumor maligno, um câncer", relata Fernanda. A notícia foi um choque. “Eu sempre me exercitei, praticava wakeboard, me alimentava bem, então receber esse diagnóstico foi realmente um baque”, complementa. Após o diagnóstico, Fernanda resgatou o resultado da primeira biópsia e pediu para refazer em outra instituição. Com isso, constatou que o resultado da biópsia inicial estava errado. E Fernanda acabou ficando um ano sem tratar o quadro.
Depois, recebida a notícia de que se tratava de um câncer, Fernanda iniciou a busca por médicos para entender qual tipo de câncer era. “Descobri que era um sarcoma de Ewing. Buscando informações na internet, as perspectivas nunca eram boas. Felizmente, encontrei um médico que me deu a confiança de que eu conseguiria enfrentar tudo isso, principalmente por ter se preocupado com meu futuro após a doença”, explica a publicitária, que sonhava em ter filhos. “Antes de iniciar qualquer tratamento, congelei meus óvulos. Acabei não precisando deles, mas saber que eu poderia recorrer a eles caso necessitasse, também me tranquilizou. Hoje, curada, tenho dois filhos”, conta.
Rodrigo Munhoz, oncologista do Sírio-Libanês, e quem acompanhou o caso, explica que o quadro da Fernanda foi muito raro, pois esse tipo de câncer acomete principalmente crianças e jovens. “É um tumor que demanda um tratamento complexo multimodal, envolvendo cirurgia, quimioterapia prolongada (normalmente de um ano) e, em alguns casos, radioterapia. Apesar de demandar bastante esforços, hoje conseguimos oferecer uma chance de cura muito mais alta. Por isso, precisamos preparar o paciente em relação às toxicidades de longo prazo”, explica. Em relação aos efeitos colaterais, o especialista explica que a quimioterapia pode causar queda de cabelo, queda de imunidade e induzir uma menopausa precoce. “Por isso, em casos como o da Fernanda, é importante pensarmos no futuro, e recomendar a preservação dos óvulos, por exemplo”, conta Munhoz.
Depois de dois anos, algumas intervenções cirúrgicas, 51 quimioterapias, 26 radioterapias, e internações decorrentes de efeitos colaterais do tratamento, Fernanda conta que o apoio da família e de todos os profissionais envolvidos nesta jornada foi fundamental. No Centro de Oncologia do Sírio-Libanês, ela teve oportunidade de receber acompanhamento multiprofissional durante todo o processo. “Brinco que os remédios foram importantes, mas o carinho que recebi dos médicos, e de todos envolvidos na operação do hospital, foram essenciais para que minha jornada fosse mais leve de ser enfrentada”, diz Fernanda, que está curada há 8 anos. “Inclusive, criei o Instagram @vou.tirar.de.letra, onde compartilho até hoje minha jornada e tento mostrar que existe sempre uma esperança no diagnóstico”, finaliza.
Em relação a importância do apoio familiar, Munhoz explica que varia de pessoa para pessoa. “Há pacientes que gostam do apoio da família nesse momento, e outros que preferem lidar de maneira mais reservada e individual. Esses acabam se apoiando muito na equipe médica, por isso a importância de se estabelecer uma boa relação médico e paciente, pois facilita a comunicação de angústias e o reconhecimento de sofrimentos para o paciente, inclusive de sinais e sintomas que levem ao diagnóstico de uma complicação.”
Avanços no tratamento do câncer
Segundo a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que em 2022 houve 20 milhões de novos casos de câncer e 9,7 milhões de mortes. As projeções até 2050, de acordo com um relatório da Sociedade Americana do Câncer, é de que o número de pessoas com câncer aumente em 77%. No mês que marca o Dia Mundial de Combate ao Câncer (4/2) e o Dia Internacional de Luta contra o Câncer Infantil (15/2), o oncologista Rodrigo Munhoz destaca os avanços significativos na área. “O tratamento do câncer evoluiu de forma notável nos últimos anos. Hoje, contamos com técnicas cirúrgicas menos invasivas, radioterapia de alta precisão, imunoterapia e terapias celulares como CAR-T. Esses avanços não apenas aumentam a eficácia do tratamento, mas também reduzem os efeitos colaterais e melhoram a qualidade de vida dos pacientes”, explica.
Essas inovações também têm impacto direto na sobrevida dos pacientes. “Além de viverem mais, muitos pacientes podem manter suas rotinas diárias com menos limitações. Os tratamentos modernos têm menor risco de hospitalização, não causam queda de cabelo ou náuseas em muitos casos e são menos agressivos para o organismo, diferentemente da quimioterapia tradicional”, complementa Munhoz.
O diagnóstico precoce é um dos principais fatores para aumentar as chances de cura e simplificar o tratamento. “Detectar um tumor em estágio inicial pode significar a possibilidade de cura apenas com cirurgia. Quanto mais cedo identificamos a doença, menores são as complicações e maior é o sucesso do tratamento”, ressalta o especialista.
Entretanto, desafios ainda existem, já que tumores como o câncer de pâncreas e sarcomas frequentemente são diagnosticados tardiamente devido à ausência de sintomas iniciais claros ou dificuldade de detecção nos exames de imagem. Além disso, adotar um estilo de vida saudável é crucial para prevenir o câncer. “Medidas como evitar o tabagismo, limitar o consumo de álcool e carnes vermelhas, praticar atividades físicas e manter uma alimentação equilibrada podem reduzir significativamente o risco de desenvolver a doença. Além disso, exames regulares são aliados importantes para a prevenção e diagnóstico precoce”, finaliza o oncologista.
Referências:
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Carga global de câncer aumenta em meio à crescente necessidade de serviços. 2024. Disponível em: https://www.paho.org/pt/noticias/1-2-2024-carga-global-cancer-aumenta-em-meio-crescente-necessidade-servicos. Acesso em: 28 jan. 2025.
AMERICAN CANCER SOCIETY. Cancer statistics, 2024. CA: A Cancer Journal for Clinicians, v. 74, n. 1, p. 8-29, 2024. Disponível em: https://acsjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.3322/caac.21834. Acesso em: 28 jan. 2025.
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