Internação por Covid volta a subir em SP e acende alerta
Coronavírus
Internações por Covid19 voltam a subir em SP As internações por Covid-19 no estado de São Paulo voltaram a subir e passaram das mil hospitalizações nesta semana. Em um dia, na terça (28), foram 581, atingindo a marca de 1.015 pacientes em leitos de UTI. Saúde B2 Internação por Covid19 volta a subir em SP e acende alerta Ocupação em leitos de UTI na região metropolitana de SP chegam a 30% Cláudia Collucci e Ana Bottallo são paulo As internações por Covid-19 no estado de São Paulo voltaram a subir, passando das mil hospitalizações nesta semana. Na última terça (28), o estado registrou 581 novas internações, atingindo uma área de 1.015 pacientes em leitos de UTI. Em leitos de enfermaria, há 1.454 pacientes internados com Covid19. Em 4 de dezembro, o estado tinha atingido a sua menor marca (982). Antes da última terça, o patamar de mil internações foi ultrapassado na sexta (24), com L020. No mesmo dia, foram 492 novas internações. J á a média móvel semanal de novas internações por Covid ou de casos suspeitos quase dobrou no último mês em SP: pulou de 283, na primeira semana de dezembro, para 465 nesta última (até terça 28), segundo dados do Info traeker, projeto da USP e da Unifesp que monitora a pandemia. A variação no número de hospitalizações nos últimos sete dias foi de 19%. A tendência de aumento, porém, já podia ser notada desde a segunda semana de dezembro. O período coincide com a epidemia de gripe pelo vírus influenza que atinge a capital e com a transmissão comunitária da variante ômicron. Como o governo paulista não discrimina os leitos a partir dos testes q ue diferenciam os vírus, não é possível saber se todas as internações se referem de fato à Covid19. Os dados foram retirados da plataforma Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) do Governo do Estado de São Paulo, que não utiliza as plataformas Sivep-Gripe e e-SUS notifica governo federal, instáveis nas últimas semanas após um ataque hacker sofrido em todos os sites do governo. Como os dados de internação hospitalar são enviados diretamente pelas secretarias municipais de saúde à Secretaria de Estado de Saúde, não estão sujeitos a atrasos e são, assim, mais confiáveis que a notificação de novos casos. Hospitais privados da capital também registram aumento nas internações por Covid-19. N 0 Albert Einstein, o número subiu de 15 na primeira semana de dezembro para 43 na quarta semana (até o dia 28). Já na UTI-Covid houve queda de internados, de 57 para 23. No Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o número de casos de Covid-19 nas unidades de internação subiu de quatro casos, no início de dezembro, para 28—três estão na UTI. Para Wallaee Casaca, coordenador do Infotraeker, é bem possível que grande parte dessas novas internações registradas no estado sejam decorrentes da Covid19, se levado em conta o que está acontecendo nos outros países desde a chegada da variante ômicron. “Estamos numa crescente. O governo tem sugerido que o aumento é devido ao surto de influenza. Mas é preciso ponderar que os testes rápidos para Covid, que estão sendo disponibilizados, não são tão efetivos para detectar a nova variante ômicron, a sensibilidade é muito baixa. Ou seja, os casos de Covid19 podem não estar detectados.” Outro dado que chama a atenção do pesquisador é o fato de o Rio de Janeiro também ter enfrentado uma epidemia de gripe, com muitos casos, mas as internações se mantiveram estáveis. “Por que São Paulo está tendo essa explosão de casos de internações e no Rio não?” A mesma visão é compartilhada pelo físico da Unesp e membro do Observatório Covid-19 BR, Roberto Kraenkel. "Tem uma subida muito forte que não pode ser expli- Internações por Covid no estado de São Paulo ■ Internações — Ocupação dos leitos de UTI, em % 92,2 15.000 ~ 13.119 100 Hospitalizações diárias por suspeita de Covid no estado de São Paulo Estimativa de internações por dia Internações do último dia (número total) Intervalo de confiança 800 — 100 miiiuiuiiiinmmininuiuiiiininiiuiii)iinmiumuiiumuiuimniiiiuiiiininimuiiimmuiiii l°.set 29.dez Fontes: Seade, Censo hospitalar do estado de São Paulo; análise de Leonardo Souto Ferreira, Observatório Covid-19 BR U Estamos vivendo duas viroses respiratórias simultaneamente com potencial para agravar, e ambas têm a mesma via final, que é o pronto-socorro Celso Granato diretor médico do grupo Fleury cada somente por gripe já no início de dezembro, e naquele momento ninguém fazia teste para gripe. E a gente sabe que a ômicron está vindo, é só ver que ela vem de todos os lados, na Europa, nos Estados Unidos, por que achar que aqui não vai ser assim também?”, diz. O aumento na incidência de hospitalizações por síndrome gripai não tem sinais de parar de crescer tão cedo, avalia o físico e mestrando do Instituto de Física Teórica da Unesp, Leonardo Souto Ferreira, que pesquisa modelagem matemática de epidemias. "Independente de modelo, o dado de novas internações nos últimos sete dias apresenta um crescimento claro desde o meio de dezembro. Já o dado de novas internações diárias alcançou patamares de setembro e não aparenta que vá cair tão cedo”, avalia. Procurada, a Secretaria do Estado de Saúde disse que mantém o monitoramento do cenário epidemiológieo em todas as regiões e reforça a queda de indicadores da pandemia e que é equivocado atribuir isoladamente os dados ao Sars-CoV-2, pois há outros vírus em circulação, como o influenza. "Atualmente, conforme o Censo Covid-19, há 2.700 pacientes internados por Srag (Síndrome Respiratória Aguda Grave), incluindo 1.100 em UTI. Estes números somam pacientes que podem ser suspeitos ou confirmados para Covid-19”, disse em nota. A cidade de São Paulo viu uma alta nas internações por gripe nas três semanas anteriores, verificada também na explosão de testespara influenza nos laboratórios privados e públicos. No Fleury, foram 35 mil no período de 1 ° a 28 de dezembro deste ano—contra 300 em dezembro de 2020. "Mas não é só gripe. Nossos testes de Covid dobraram neste mês, atingindo o recorde diário de abril deste ano. Na última terça (28), foram 6.600 testes, frente a 3.000 em novembro e início de dezembro", afirma 0 diretor-médieo do Grupo Fleury, Celso Granato. Assim como crescem os no vos testes, a positividade, isto é, a taxa de resultados positivos dentre os exames realizados, explodiu. "Era de 2% no início de dezembro e chegou a 2o%agora. Não acho queseja apenas de pessoas que queiram se testar preventivamente. Para mim, é a ômicron.” No Hospital Sírio-Libanês, a positividade para a Covid nos casos de sintomas gripais que chegam ao pronto-atendimento passou de 3% para 30%. No Einstein, passou de 3,9% para 15,8%. De acordo com Granato, a nova cepa já é predominante nas amostras sequenciadas. “Agora, ela tem um diferencial em relação às outras variantes que é uma carga viral altíssima. Muitos [dos pacientes] já tomaram a vacina e por isso podem ser quadros mais leves, mas se há um aumento de casos, consequentemente vai haver um aumento de hospitalizações”, afirma. Segundo Miguel Cendoroglo Neto, diretor-superintendente médico e serviços hospitalares do Einstein, a maioria dos pacientes internados por Covid não tem demandado leitos de UTI. Dos dez pacientes internados com Covid nesta terça, apenas um estava na unidade semi-intensiva. Nenhum precisou ser intubado. No auge da pandemia, o Einstein chegou a ter 305 pacientes internados, com 150 intubados. “Nossa observação está consistente com o que vem sendo observado na Europa. Os casos são mais leves”. De acordo com o último relatório do hospital, 61% das amostras. O grande volume de atendimento do hospital tem se concentrado no pronto-atendimento, com muitos resultados positivos para os dois viras respiratórios [Sars-Cov2 e influenza], diz Neto. Granato, do Fleury, reforça. “Estamos vivendo duas viroses respiratórias simultaneamente com potencial para agravar, e ambas têm a mesma via final, que é o pronto-socorro.” O Einstein, de acordo com Neto, teve que recorrer a recursos adicionais, especialmente mais profissionais de saúde, para atender o grande volume de pacientes. No Hospital Oswaldo Cruz, a demanda de pacientes com sintomas respiratórios também explodiu no último mês. De uma média diária de 65 pacientes atendidos para 300. Os cuidados seguem: uso de máscaras, distanciamento, evitar aglomerações, higiene das mãos e dose de reforço.
Fonte: FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO