A dieta pós-covid

Coronavírus

A DIETA APÓS A COVID19 Para quem permanece com sequelas da doença, é importante saber que a nutrição pode ser uma aliada na recuperação do organismo por MURILO TORETTA E entre 2019 e 2020, o mundo parou o que estava fazendo para lidar como início da pandemia causada pelovírus SARS-Cov-2, que ficou conhecido popularmente como “novo coronavírus”, causador da Covid-19. Pessoas que foram infectadas passaram a sentir perda de olfato e de paladar, dificuldade para respirar e sintomas similares ao da gripe H1NL como febre, dor de garganta e tosse. Porém, mesmo depois de receber altahospitalar, muitos dos pacientes sentiram as famosas sequelas da doença. A fadiga muscular ainda estava presente, os pulmões já não respiravam como antes e o olfato podia demorar meses a voltar. Apesar* de ainda não existir uma fórmula que possa ser aplicada em todos os pacientes que desenvolvem a Covid longa, médicos e cientistas sabem que fatores ligados qualidade de vida são essenciais na recuperação, e entre eles está a nutrição. Estudo brasileiro mostra que pacientes internados que receberam nutrição especializada reduziram em até 331 dias internação e 1,4 dia o suporte respiratório Energia e disposição Um estudo apresentado no congresso da Sociedade Européia de Nutrição e Metabolismo (ESPEN) e conduzido pelos médicos Dan Waitzbeqjfda Universidadede São Paulo - USP) e Paulo Cesar Ribei ro(do Hospital Sírio-libanês) revelou que pacientes internados com Covid-19 que receberam nutrição especializada reduziram em até 331 dias a internação e em1,4 dia o uso de suporte respiratório. Segundo os pesquisadores, a análise foi feita com a ingestão de 600 kcal em carboidratos de fácil absorção mais 35 g de proteína diariamente para poder de diminuir risco nutricional causado pela doença. E, de acordo com a nutricionista Gabriela Cilla (SP), essa combinação pode ser importante para uma boa recuperação da Covid-19 e suas sequelas. “A reeducação alimentar deve ser proposta mediante o grau de sequelas de um paciente. Mas é necessário observar que os pacientes que ficam acamados, fadigados e cansados podem precisar de um aumento no consumo de carboidratos de origem integral para ter energia por mais tempo, além do aumento de proteínas que diminuam a fadiga extrema que sentem”, completa Gabriela. > Para cada sintoma, uma dica quais os odores persistem por mais tempo e são mais potentes. Frutas como limão e mexerica e aromas como de café e canela também são interessantes. • Dor de garganta: Um alimentos que ajuda nesse caso é o alho, graças â sua função antissêptica, Ele pode ser adicionado a um chã com canela e gengibre, que promove alivio do sintoma. Outra dica ê comer alimentos pastosos até a dor passar. • Perda de massa muscular: Aqui é preciso priorizar a combinação de carboidratos, como pães emassas integrais, mais proteínas de origem animal ou vegetal. • Problemas na saúde pulmonar: Para quem encontra dificuldades para respirar, um alimento aliado a beterraba. A raiz possui efeito broncodilatador e pode ser consumida em forma de purê. • Perda de olfato: Vale tentara inclusão de alimentos e aromas a que o paciente estava acostumado. Um exemplo é uma salada temperada com vinagre e cebola, que são ricos em compostos sulforafanos, nos• Falta de apetite: Priorize algo que possa ser tomado, mas que tenha consistência. Por exemplo, um shake de manga ou açaí garante alto valor calórico, sem que o paciente precise mastigar. Aposte em frutas como abacate e coco ou ainda um suco verde. Para quem está se recuperando da Covid-19,em muitos casos, vale a pena bater, transformar em papinha ou amassar bem os alimentos para facilitar a ingestão E preciso evitar Não existe um alimento proibido para quem estase recuperando da Covid-19,porém existem contraindicações: Alimentos uttra processados e industrializados Alimentos ricos em gorduras saturadas e excesso de açúcar Fast food sem geral Bebidas alcoólicas Refrigerantes Recuperação nutritiva Para a nutricionista Débora Paios (SP),a alimentação pode ser a base para recuperar o estado nutricional de vitaminas, minerais e proteínas, além do estado físico e mental, acelerando o retorno do organismo à sua capacidade total. “A Covid-19 faz o organismo ficar num estado hiper inflamatório, com imunidade comprometida e tem influência nas mitocóndrias, que são responsáreis pela energia das células e consequentemente, de todos os órgãos. Por isso, é necessário priorizar uma nutrição que leve em conta fontes de alimentos anti-inflamatórios e antioxidantes, com o objetivo de diminuir o crescimento viral e reduzir os sintomas", destaca. Nutrientes essenciais Uma das características de pacientes com sequelas, segundo Gabriela, é a anemia. Por isso, não somente é preciso aumentar o consumo de proteínas, como também associá-las a outros componentes como a vitamina C, o ferro e suplementos que melhorem a disposição. A suplementação de vitamina D também pode ser necessária para a melhora do quadro ósseo e para a imunidade de maneira geral. “Por isso é importante passar por uma avaliação nutricional", afirma. Por fim, a nutricionista ainda sugere que o suplemento de lactobacilos e probióticos pode ser usado para a melhora da imunidade e da função intestinal, contanto que seja indicado e supervisionado por um profissional de saúde. Do prato para a imunidade Débora conta que algumas substâncias presentes em alimentas podem ser úteis para a melhora no pós-Covid. Com o exemplo, ela cita a inclusão de curcumina, presente no açafrão-da-terra, e da quercetina, localizada em verduras e frutas como maçã e limão. "Outros alimentos capazes de auxiliar nesse aumento da imunidade são o chá verde, as frutas fontes de resveratrol, como as uvas, e os grãos ricos em beta-glucanas, como aveia e cevada. Todos esses possuem relação com a melhora do sistema de defesa natural do nosso organismo", exemplifica. Consistência importa Para muitas pessoas que estão se recuperando, fazer adaptações na forma como um alimento é servido pode ser um passo necessário na reabilitação. De acordo com Gabriela, não há problema em bater ,transformar em papinha ou amassar alimentos para facilitar a ingestão. “Quem tem perda de apetite quer evitar a mastigação e o consumo de alimentos crocantes. E isso pode ser evitado, contanto que haja orientação para fazer essa substituição”, diz. Da mesma forma, Débora ressalta que, caso o paciente se sinta fadigado, com dificuldade de respiração ou problemas de deglutição, por exemplo, receitas de consistência pastosa ou em caldos podem facilitar na hora de engolir. Combate prolongado A dica maior está em priorizar alimentos que forneçam mais energia por mais tempo. "Concentre sua atenção em alimentos que garantam energia, com ogrãos integrais e proteínas, mas leve em consideração que essa disposição precisa ser constante para não ter pico ou quedado índice glicêmico. E conte com ajuda deum nutricionista”, finaliza Gabriela. • 10 alimentos para o cardápio pós-Covid1. BETERRABA: Ê rica em óxidonítrico, que promove o relaxamento dos vasos sanguíneos, resultando num maior fluxo de sangue, oxigênio e nutrientes para o organismo. Além disso, ê broncodilatadora, auxiliando na função pulmonar. 2. Cúrcuma tempero anti-inflamatório que ajuda a combater o estado causado ela doença. Além disso, sugere-se que acurcumina ajude a reduzira replicação viral. 3. UVAS: São) fontes deflavonoides, taninos eresveratrol,um potente antioxidante para o organismo. iI5. CENOURA: É rica em vitamina A. O betacaroteno ê um importanteantioxidante, ajudando a combater 5os radicais livres e aumentando afunção imunológica. 4. QUEIJO BRANCO: É fonte de proteína,importante para a recuperação da forçamuscular, e possui base curada, que melhoraas funções das enzimas gástricas e alimenta as“bactérias do bem" presentes no intestino. 6. FRUTAS CÍTRICAS:Ricas em vitamina C,contribuem para adefesa imunológicae sao capazes deprevenir e tratarinfecções respiratóriase sistêmicas. 7. CASTANHAS EOLEAGINOSAS: Possuemselènio e zinco, alémde serem fontes degorduras boas (monoe poli-insaturadas),vitaminas do complexoBe vitamina E, que são antioxidantes eajudam no processode cicatrização. 8. CEBOLAROXA: Possuiquercetinacom açãoantioxidantee antí-inflamatória,além deefeitosantivirais. 9. KEFIR: Boa fontede probi óticos,fortalece a microbiotaintestinal, ajudandono amadurecimentodas células de defesa e no combate da infecção pelo vírus. 10. CHÁ VERDE:Possui catequinas anti-inflamatórias que diminuemalguns sintomas,melhorando a resposta imunológica.

Fonte: VIVA SAÚDE/SÃO PAULO | GERAL