Prevenção de acidentes domésticos na fase idosa

Prevenir é sempre o melhor caminho. Confira a seguir informações para tornar o ambiente mais seguro para pessoas idosas.
Imagem do Sírio-Libanês

Sírio-Libanês

·

4 min de leitura

acidentes-vivaoseumelhor.png

A quantidade de ocorrências de acidentes domésticos, principalmente referentes às quedas e lesões decorrentes, têm crescido mundialmente por conta do expressivo envelhecimento população. Esse cenário torna o tema um desafio de saúde pública e de grande impacto social, principalmente nos países em que a pirâmide etária já está desequilibrada. Inclusive, a queda é o mais sério e frequente acidente doméstico que ocorre com os idosos e a principal causa de morte acidental em pessoas acima de 65 anos.

As quebras, inclusive, podem ser apresentadas como multifatoriais. Ou seja, não haver especificamente e apenas 1 motivo para aquilo ter ocorrido. De todo modo, o registro de ocorrências em unidades de saúde nos faz concluir quais são as causas mais comuns, sendo elas:

Questões osteomioarticulares: condições crônicas como osteoartroses, espondilose, osteoporose e perda de massa muscular podem ser potenciais fatores para quedas e consequências mais graves em idosos.
Questões neurodegenerativas: condições crônicas como Alzheimer, Parkinson e distúrbios de ritmo e cadência dos passos por minuto podem afetar o sistema neurológico do idoso e acarretar acidentes;
Questões oftalmológicas: déficits de refração, glaucoma e questões sensíveis na retina são os principais causadores de impacto negativo à visão;
Uso de medicamentos: fármacos como psicotrópicos, diuréticos e vasodilatadores ou ainda o uso de 4 ou mais medicamentos simultaneamente podem impactar no reflexo, por exemplo;
Condição psíquica: como sintomas depressivos e medo de apresentar novos episódios de queda;
Funcionalidade global: quanto mais dependentes para atividades básicas e instrumentais de vida diária, maior o risco de queda.

De acordo com esse cenário, é cada vez mais necessária a disseminação de informações e ações de prevenção e cuidado com a saúde do idoso. A seguir, trazemos 5 tópicos que podem auxiliar na prevenção desses acidentes e instabilidades, mas ir além: auxiliando na promoção de qualidade de vida em geral dessa população. Para isso, é importante levar em consideração:

Otimização medicamentosa: estar em constante observação dos possíveis efeitos colaterais dos medicamentos e manter uma avaliação periódica dos medicamentos em uso, checagem de medicações potencialmente sedativas e conferência de interações medicamentosas.

Exercício físico: implementar uma rotina individualizada de atividade física traz ganhos de equilíbrio e ritmo na caminhada, além de reduzir o déficit de força muscular. Reforçamos também que a utilização de dispositivos auxiliares para caminhar, como bengalas e andadores, podem ser importantes aliados em casos de instabilidades por aumentar potencialmente a base de apoio.

Avaliação oftalmológica e otorrinolaringológica: tratar déficits visuais e auditivos auxiliam a evitar causas de queda com alta incidência.

Atentar sinais neurológicos: é importante estar atento às diminuições de funções cognitivas, memória, lentificação psicomotora, mudanças de comportamento e humor. Caso identifique a presença desses sinais, é importante buscar avaliação especializada.

Realizar adaptações no ambiente: minimizar os riscos no ambiente doméstico, como instalação de barras de apoio em banheiros, pisos antiderrapantes, organização de móveis de modo que não interfiram na circulação, colocar cores ou texturas contrastantes no chão em locais em que existe mudança de nível, avaliar a altura do colchão da cama, de modo que ao sentar ainda seja possível colocar os pés no chão, são adaptações fundamentais. Além disso, as portas de ambientes internos não devem ser trancadas, pois em caso de ocorrência de quedas é preciso ter acesso facilitado para auxiliar o idoso.

Por fim, ressaltamos que prevenir acidentes domésticos também auxilia a garantir ao idoso mais qualidade de vida, autonomia e independência. Conte com o Time de Saúde para acompanhar toda as etapas de vida.

Referências

  1. Pereira SRM, Buksman S, Perracini M, Py L, Barreto KML, Leite VMM. Quedas em idosos. In: Jatene FB, Cutait R, Eluf Neto J, Nobre MR, Bernardo WM, orgs. Projeto diretrizes. Vol. 1. São Paulo:Associação Médica Brasileira e Brasília, Conselho Federal de Medicina;2002. p.405-14.
  2. Secretaria de Estado da Saúde São Paulo. Relatório Global da OMS sobre prevenção de quedas na velhice. 2010:64p. (Acesso em 04 de março de 2021) Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/relatorio_prevencao_quedas_velhice.pdf
  3. Ganz DA, Bao Y, Shekelle PG, Rubenstein LZ. Will my patient fall? JAMA 2007;297:77-86.
  4. Bueno-Cavanillas A, Padilla-Ruiz F, Jiménez-Moleón JJ, Peinado-Alonso CA, Galvez-Vargas R. Risk factors in falls among the elderly according to extrinsic and intrinsic precipitating causes. Eur J Epidemiol 2000;16:849-59.
  5. Mahant PR, Stacy MA. Movement disorders and normal aging. Neurol Clin 2001;19:553-63.
  6. Step safely: strategies for preventing and managing falls across the life-course. GEneva: World Health Organization; 2021. License: CC BY-NC-AS 3.0 IGO. Images: Freepick e Canva PRO.