Efeitos das queimadas na saúde

As queimadas, além de causarem danos ao meio ambiente, também afetam diretamente a saúde humana. Por isso, é importante entender as causas dessas questões e tomar medidas preventivas para amenizar seus efeitos.
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Sírio-Libanês

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Impactos das queimadas
Os impactos ambientais provocados pelas alterações climáticas, além da intervenção humana, podem gerar efeitos não somente diretos à natureza, mas também na nossa saúde. Esses impactos ocorrem especialmente pela inalação e pelo contato direto com micropartículas e agentes químicos nocivos resultantes da combustão, como monóxido de carbono, óxidos nitrosos, hidrocarbonetos e dióxido de enxofre. Além, claro, da própria exposição ao calor, principalmente em regiões próximas da área afetada, vulnerabilidade local e densidade demográfica da mesma.
O aumento da temperatura do ar afeta a distribuição da flora e da fauna, impactando na propagação de doenças transmitidas por vetores, como as arboviroses. Os principais efeitos à saúde das queimadas não controladas de biomassa incluem problemas oftálmicos, dermatológicos, gastrointestinais, cardiovasculares e pulmonares, além de alguns tipos de câncer e danos no sistema nervoso, causados pela exposição a altos níveis de monóxido de carbono no ar.

Como promover a prevenção de agravos relacionados às queimadas?
Diante da alta prevalência observada em nosso território, bem como da gravidade dos efeitos associados, é essencial implementar medidas preventivas, como:

Políticas ambientais
Promover políticas de preservação ambiental, além do uso racional dos recursos naturais, podem promover o equilíbrio ecológico e evitar a recorrência de efeitos catastróficos.

Hidratação
Manter uma boa hidratação é essencial, especialmente em regiões na qual a exposição ao calor se mostra mais presente. Mas, lembre-se: devido à exposição aos resíduos, a utilização da água deve ser avaliada e autorizada pelos órgãos competentes. É importante também atentar-se à higienização dos alimentos.

Cuidados respiratórios e oculares
A lavagem nasal com soro fisiológico pode ajudar a prevenir infecções como rinites e tosse. Para o cuidado com os olhos, a lubrificação com colírio lubrificante evita potenciais danos oftálmicos, como o ressecamento ocular.

Proteção individual
O uso de máscaras de alta filtragem, como N95 e PFF, é recomendado para evitar a inalação de micropartículas, especialmente em áreas próximas às queimadas. Além disso, vestir roupas leves que cubram a maior parte do corpo pode ajudar a proteger a pele. Sempre que possível, mantenha-se em ambientes fechados e protegidos, com acesso a água e alimentação.

Cuidado com populações vulneráveis
CCrianças, idosos, portadores de doenças crônicas (especialmente respiratórias, como asma e DPOC) e pessoas em situação de rua são mais suscetíveis a complicações causadas pelas queimadas. Atenção especial deve ser dada a essas populações.

Atividade física
É importante estar atento aos cuidados ao praticar atividade física em áreas próximas a queimadas, onde há maior exposição ao calor intenso e à baixa umidade relativa do ar, frequentemente abaixo de 30%. Não é necessário suspender a prática de exercícios nessas circunstâncias, mas alguns cuidados são essenciais para evitar desencadear condições fisiológicas como desidratação, hipertermia e exaustão térmica:

  • Evite praticar atividades físicas entre 8h e 17h;
  • Opte por ambientes fechados com boa umidificação, use roupas leves, tenha acesso a água ou sais de reidratação e reduza a intensidade dos treinos;
  • Caso opte por exercícios ao ar livre, informe-se sobre a qualidade do ar na região. Se a qualidade do ar estiver comprometida, a recomendação é evitar a prática.

Cuide-se, siga as orientações dos órgãos de saúde e, em caso de sintomas, procure um serviço de saúde para orientações e tratamento.

REFERÊNCIAS
WHO. World Health Organisation. Guidelines for Air Quality. WHO, Genève, 2000.

BRUCE, N.; PEREZ-PADILLA, R. & ALBALAK, R. Indoor air pollution in developing countries: a major environmental and public health challenge. Bulletin of the World Health Organization, v 78, n. 9, p. 1078-1092, 2000.

ARAÚJO, T. M. et al A tropical rainforest experiment by biomass burning in the state of Pará, Brazil. Atmospheric Environment 33, 1991-1998, 1999.