Quer um panorama geral sobre câncer de pele? Leia aqui!
O que é câncer de pele? Como todos os outros tipos de câncer, o câncer de pele ocorre quando células anormais da pele se multiplicam sem controle. Cerca de 30% de todos os tipos de câncer no Brasil são os cânceres de pele, o tipo mais comum em todo o mundo.
Normalmente atingem a população adulta, de pele clara, olhos claros, ruivos, e pessoas com antecedentes pessoais ou história familiar de câncer de pele e de doenças genéticas relacionadas ao aumento do risco, como o xeroderma pigmentoso e o albinismo. Também são considerados indivíduos de risco aqueles com alta exposição solar sem uso de foto proteção e os expostos a radiação em câmaras de bronzeamento solar, uma atividade proibida desde 2009 em função da relação comprovada com o aumento de risco de câncer de pele.
Entre os tipos mais comuns, podemos destacar o câncer de pele “não melanoma” e o melanoma. No Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), entre os “não melanoma”, o carcinoma basocelular (CBC) e o carcinoma espinocelular (CEC) são a maioria. Quanto ao melanoma, é um tipo mais agressivo e sua incidência vem aumentando em diversos países.
O carcinoma basocelular (figura 1) corresponde a 80% dos tumores de pele, sendo o tipo mais comumente encontrado. Se origina das células da camada mais inferior da pele. São comuns em ambos os sexos em áreas mais foto expostas como a face, couro cabeludo, tórax, dorso e mais raramente braços e pernas. Inicialmente podem aparecer como uma macha avermelhada, descamativa que com o tempo se transforma numa ferida que não cicatriza, podendo sangrar facilmente. Com a evolução pode apresentar-se como um nódulo de coloração rósea, avermelhada ou até enegrecida nas bordas, que podem parecer translúcidas ou em tons perolados. Normalmente este tipo de câncer não envia células tumorais para a corrente sanguínea, sendo muito rara a formação de metástases. No entanto, pode causar invasão de estruturas nobres como a região nasal, orbital ou óssea. O diagnóstico precoce favorece a possibilidade de tratamentos mais simples, como medicamentos locais imunoterápicos, crioterapia, terapia fotodinâmica. Nas formas mais invasivas, o tratamento pode ser feito com técnicas de cirurgia dermatológica oncológica, radioterapia e tratamentos sistêmicos com imunoterapia e drogas alvo.
Figura 1: Exemplo de carcinoma basocelular (CBC). Nódulo com ulceração central, bordas eritematosas (avermelhadas) e perláceas (tons perolados).
O carcinoma espinocelular (figura 2) corresponde a quase 20% dos tumores de pele e tem origem nas células das camadas mais superficiais da pele. Podem aparecer também como manchas avermelhadas, apresentando ou não descamação inicialmente, mas acabam sofrendo ulceração e sangramento, ou “asperezas” que se tornam pontos endurecidos e dolorosos na pele. Podem aparecer sobre a cicatriz de uma ferida crônica ou em cicatriz de queimadura também de longa data. Aparecem normalmente em adultos de ambos os sexos, de pele clara, em áreas fotoexpostas, face, couro cabeludo e extremidades, podendo aparecer também na mucosa oral ou genital. São mais agressivos que os carcinomas basocelulares e, quando não tratados adequadamente, podem enviar células tumorais para a corrente linfática e sanguínea e gerar metástases para os gânglios (linfonodos) e outros órgãos. Quando diagnosticado no início, pode ter um tratamento mais simples, porém, à medida que o tumor progride e se torna mais invasivo, o tratamento torna-se mais elaborado, podendo exigir cirurgias oncológicas maiores, radioterapia e tratamentos sistêmicos, como quimioterapia e imunoterapia.
Figura 2: Exemplo de carcinoma espinocelular. Lesão ulcerada em dedo da mão.
O melanoma, outro tipo de câncer de pele com características mais agressivas, tem origem nos melanócitos, células que produzem a melanina e que dão origem à cor da pele e representam cerca de 3% dos tumores cutâneos. Os melanócitos encontram-se na pele, nos olhos e nas membranas mucosas. O melanoma (figura 3), assim como os outros cânceres de pele, é mais comum em adultos de pele clara. Podem aparecer em qualquer parte do corpo: melanoma cutâneo, melanoma de mucosas e melanoma ocular. Nos indivíduos de pele negra, menos afetados por este tipo de tumor, aparece nas áreas mais claras, como palmas das mãos ou plantas dos pés. O melanoma pode ter comportamento agressivo, com capacidade de enviar células tumorais para os gânglios e para outros órgãos. Aparece como mancha escura, enegrecida, podendo apresentar diferentes tons, do azul claro ao escuro enegrecido. Estas manchas normalmente crescem, apresentam-se muitas vezes como nódulos que acabam por sofrer ulceração e sangrar. O melanoma está relacionado também com exposição solar excessiva, história familiar de câncer de pele, queimaduras solares na infância, e doenças genéticas como o xeroderma pigmentoso ou o melanoma familiar.
Outra observação importante em relação ao diagnóstico de melanoma é a presença de pintas, conhecidas como nevos. Quando uma destas pintas sofrem alguma alteração, devem ser examinadas de uma maneira mais criteriosa. Entre as alterações mais importantes das pintas ou nevos podemos citar os sinais internacionais conhecidos como sinal do ABCDE:
A: Assimetria, quando ao traçar uma linha na metade da lesão, uma das metades é diferente da outra; B: Bordas irregulares, onde o contorno é mal definido; C: Cores variáveis, várias cores na mesma lesão, azulada, enegrecida, acastanhada ou avermelhada; D: Diâmetro, maior que 6 mm; E: Evolução, a lesão sofre alterações das características originais: tamanho, cor ou formato.
Figura 3: Melanoma cutâneo. Lesão Assimétrica, Bordas irregulares, Cores variáveis, Diâmetro maior que 6 mm.
Em geral, o câncer de pele não melanoma tem bom prognóstico quando detectado em fase inicial, assim como o melanoma, cujo tratamento progrediu e melhorou muito nos últimos anos. O diagnóstico é feito principalmente pela observação clínica da pele do corpo todo o corpo e, se necessário, através de exames complementares como dermatoscopia, microscopia confocal, ultrassonografia de alta frequência e ressonância magnética, seguidos pela realização de biópsia e exame anatomopatológico. Se você se identificou como parte de algum grupo de risco ou apresenta alguma lesão de pele que chame sua atenção, não deixe de procurar orientação especializada.