O câncer de pele pode ser hereditário?

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Sírio-Libanês

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O câncer de pele é causado por uma combinação de fatores ambientais e genéticos. A exposição aos raios ultravioleta do sol é o principal fator ambiental que aumenta risco para os tipos mais comuns de câncer de pele, que são o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular. A hereditariedade é o principal fator genético.

O histórico familiar de câncer de pele na pode indicar o maior risco para o desenvolvimento de certos tipos de câncer de pele. Cerca de 10 por cento de todas as pessoas que são diagnosticadas com melanoma têm um membro da família que teve melanoma em algum momento de suas vidas. A principal forma de melanoma hereditário é denominada síndrome do melanoma hereditário familiar e pode ser causado por mutações (ou variantes patogênicas) em genes de predisposição ao câncer (segmentos do DNA cujas alterações podem aumentar o risco de câncer). O gene que mais frequentemente é alvo de mutações (alterações na sequência do DNA) em famílias com melanoma hereditário é o gene CDKN2A, localizado no cromossomo 9. Variantes neste gene podem estar presentes em até 40% dos casos familiares de melanoma. Portadores desta síndrome tem um risco aumentado ao longo da vida de desenvolver melanoma, bem como um risco potencialmente aumentado de desenvolver câncer de pâncreas. Mutações em outros genes também podem ocorrer em famílias com múltiplos casos de melanoma: genes MC1R, MITF e TERT.

A avaliação genética é inicialmente clínica, quando os dados dos pacientes e de seus familiares são coletados. A confirmação da hereditariedade deve ser feita por meio dos testes genéticos, que são testes feitos através da análise do DNA de células sanguíneas ou da saliva e que permitem identificar as alterações na sequência dos segmentos de DNA estudados. Como diversos genes podem estar relacionados ao câncer de pele hereditário, na maior parte das vezes a avaliação genética inclui um painel genético, isto é, um teste para estudo de vários genes que podem aumentar a predisposição ao câncer hereditário.

A avaliação genética é indicada caso você ou um membro da sua família tenham o diagnóstico de melanoma e mais uma destas características abaixo se aplique à sua família:

  1. História pessoal e familiar de melanoma;
  2. Indivíduos com mais de um melanoma;
  3. História pessoal ou familiar de melanoma e outros cânceres em membros da família, incluindo:
  • Câncer de pâncreas
  • Câncer de cabeça e pescoço
  • Câncer de mama
  • Câncer do ovário
  • Câncer de rim

No resultado do painel molecular, muitas vezes é possível encontrar a causa da hereditariedade do câncer de pele. Nestes casos, é identificado qual é o gene alterado e em qual posição no gene a mutação ocorreu. Assim, torna-se possível testar os familiares para a alteração encontrada e identificar se tem mais algum familiar sob risco. Além disso, é possível definir se o paciente tem risco de outros tipos de câncer. Com isso, será possível saber como a pessoa deverá fazer o seu acompanhamento e rastreamento, isto é, seu checkup, assim como os seus familiares. Nos últimos anos, os testes genéticos com realização de painéis amplos de investigação de alterações na sequência do DNA em genes associados à predisposição de câncer foram incorporados na prática clínica. Isso ajudou a integrar ainda mais o oncogeneticista no cenário da multidisciplinaridade do tratamento oncológico. Além disso, os testes genéticos tornaram-se disponíveis comercialmente, com valores mais acessíveis, inclusive com cobertura por muitas seguradoras mediante critérios pré-estabelecidos. Vão aí algumas dicas para acender uma luz de alerta quanto à possibilidade de aumento do risco de câncer de padrão hereditário:

No indivíduo

  • Múltiplos tumores primários no mesmo órgão
  • Múltiplos tumores primários em diferentes órgãos
  • Tumores primários bilaterais em órgãos pareados (por exemplo, câncer de mama bilateral)
  • Tumores multifocais dentro de um único órgão (por exemplo, múltiplos tumores na mesma mama)
  • Diagnóstico em idade jovem (mais jovem do que o habitual para cada tipo de tumor)
  • Tumores raros
  • Tumores que ocorrem no gênero comumente não afetado (por exemplo, câncer de mama em homens)
  • Tumores associados a outras características genéticas e/ou alterações congênitas
  • Tumores associados a lesões cutâneas sabidamente relacionadas com susceptibilidade ao câncer (por exemplo, manchas “café-com-leite”)

Na família

  • Um parente de 1º grau com o mesmo tumor ou com tumor com predisposição associada (por exemplo, mama e ovário)
  • Dois ou mais parentes de 1º grau com tumores do mesmo órgão (por exemplo, 2 irmãos com câncer de intestino grosso)
  • Dois ou mais parentes de 1º grau com tumores pertencentes a uma síndrome de câncer familiar
  • Dois ou mais parentes de 1º grau com tumores raros
  • Três ou mais parentes em duas gerações com tumores do mesmo local ou sítios relacionados
  • Casos de tumor em idade jovem entre os membros da família
  • Casos de tumor em mais de uma geração da família

Se você perceber alguma dessas características, não deixe de procurar orientação em um centro especializado. O diagnóstico de alterações genéticas associadas ao aumento do risco de câncer, incluindo o câncer de pele, podem ajudar você e sua família a tomarem medidas de prevenção e adequação da rotina de exames de checkup de acordo com o risco de cada condição, personalizando sua orientação.