Importância dos exames imagem na avaliação do câncer de pele
A avaliação da pele e de suas patologias pode às vezes ser difícil apenas exclusivamente através do exame físico e exames dermatológicos. Graças aos recentes avanços da tecnologia, métodos de imagem não invasivos podem ser utilizados para a avaliação do câncer de pele. Esses exames são úteis na detecção, diagnóstico e até mesmo no tratamento das neoplasias cutâneas, pois permitem a visualização da pele e fornecem informações anatômicas in vivo, com detalhamento cutâneo submilimétrico e em tempo real, sem a necessidade de biópsia tradicional. Essas ferramentas permitem economizar tempo, diminuir custos e aumentar a chance de remoção completa do tumor.
Os instrumentos de imagem podem auxiliar na análise pré-tratamento, com avaliação da lesão de pele através de medidas de sua espessura e da possibilidade de invasão das camadas da pele e de estruturas e tecidos mais profundos. Essa metodologia auxilia no estadiamento (avaliação da extensão da doença) e no planejamento do tratamento, seja medicamentoso ou cirúrgico. Os métodos de imagem podem ainda permitir a realização de biópsias guiadas e de intervenções de forma mais segura e eficaz. Também permitem a avaliação após tratamento, com análise da eficácia terapêutica através do monitoramento de respostas à quimioterapia ou imunoterapia, por exemplo, além de permitir a deteção precoce de crescimento ou regressão dos tumores a presença de lesões remanescentes ou recorrentes. São ótimos ainda para investigação de metástases locais, em linfonodos (gânglios) e em órgãos distantes como ossos, fígado e cérebro. Os métodos de imagem são imprescindíveis para a vigilância e acompanhamento regular de pacientes tratados.
Embora uma parte dos tumores de pele possa ser tratada sem informações adicionais fornecidas por estudos de imagem, pacientes com tumores grandes, agressivos e/ou localizados em áreas nobres, podem se beneficiar de informações adicionais para otimizar o manejo, diminuir a área a ser ressecada e para preservar a estética.
A avaliação por imagem e escolha da modalidade de imagem serão baseadas na biologia e localização do tumor, assim como nas características do paciente, dependendo do cenário clínico e das indicações. Embora muitos aparelhos diferentes estejam disponíveis, cada um pode fornecer diagnósticos ideais ou apresentar limitações sob certas condições, pois variam em resolução, precisão, sensibilidade e especificidade.
Atualmente, as radiografias simples (Rx simples) não desempenham papel significativo na investigação de malignidades cutâneas, com poucas indicações. A tomografia computadorizada (TC) é mais útil para avaliação dos ossos e dos gânglios, com um papel importante na avaliação de metástases pulmonares e de outros órgãos, como o fígado. A ressonância magnética (RM) com contraste é melhor para a avaliação de tecidos moles, nervos, medula óssea e sistema nervoso central. A ultrassonografia de alta frequência pode ser usada para avaliar de forma não invasiva as lesões primárias, micrometástases e linfonodos e para guiar procedimentos de biópsia. A tomografia por emissão de pósitrons (PET) combinada com a TC (PET-CT) fornece informações morfológicas e dados sobre a atividade metabólica do tumor, ideal para avaliação de metástases à distância e vigilância pós-terapêutica.
Além de agilizar o atendimento ao paciente, a compreensão dessas diferentes modalidades de imagem, seus achados, vantagens e desvantagens em pacientes com câncer de pele facilitará o uso de recursos de imagem com boa relação custo-benefício. O trabalho multidisciplinar com a consulta de um radiologista de confiança é fortemente encorajado para determinar o melhor estudo ou combinação de estudos de imagem. Assim, consegue-se produzir as melhores informações e promover a segurança do paciente, com resultados mais positivos, diagnósticos mais oportunos e melhor planejamento de tratamentos.
A consideração cuidadosa e individual de cada caso otimiza o uso de recursos de imagem, em última análise, beneficiando o atendimento ao paciente com câncer de pele no âmbito da atividade multidisciplinar, a base do tratamento oncológico nos grandes centros de referência.