Como saber se tenho risco aumentado para câncer de pele?

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Dra Vera Maria Bacelar de Barros

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Sabemos que alguns tipos de câncer de pele são fortemente associados à exposição solar, principalmente quando cuidados de proteção não são valorizados. Porém, além do risco associado à exposição solar, algumas condições levam ao aumento da chance de desenvolvimento de câncer de pele durante a vida. Veja algumas condições associadas ao aumento do risco:

  • História de queimaduras solares na infância;
  • Homens de pele e/ou olhos claros com mais de 50 anos;
  • Pessoas de pele e/ou olhos claros com história de exposição prolongada ao sol sem proteção adequada;
  • Presença de muitas pintas ou pintas grandes e irregulares;
  • História familiar de câncer de pele nos parentes de 1º e 2º graus;
  • Antecedente pessoal de câncer de pele (quem já teve um câncer de pele, tem maior risco para outro)
  • Cicatrizes de queimaduras e úlceras crônicas de pele

Calma! Se você tem uma ou mais das condições acima, não quer dizer que terá um câncer de pele, porém, tendo um risco aumentado, deverá seguir as recomendações quanto aos cuidados necessários e ficar atento.

Para reduzir o risco de câncer de pele, recomenda-se o uso de filtro solar diariamente (no mínimo fator 50), evitar o excesso de exposição solar, usar chapéu, óculos escuros e roupas apropriadas para proteger a pele contra a radiação ultravioleta e NÃO fazer bronzeamento artificial (essa modalidade de bronzeamento é proibida por lei no Brasil!). Outra dica importante é fazer o autoexame da pele semanalmente e, mediante identificação de qualquer mancha ou sinal novo ou diferente, procurar um especialista.

Além das condições acima mencionadas, alguns grupos com problemas específicos devem ser lembrados, pois também guardam aumento de risco para o câncer de pele: indivíduos previamente submetidos a tratamentos com radioterapia; pessoas expostas a compostos químicos como o carvão e arsênio; e imunossuprimidos, incluindo pacientes transplantados que fazem uso de imunossupressores.

Algumas síndromes genéticas raras são relacionadas ao aumentado do risco de tumores da pele. Entre elas, o melanoma familiar, relacionado a alterações genéticas herdadas mais comumente relacionado a um gene chamado CDKN2A; o Xeroderma Pigmentoso, na qual um dano do DNA impede que o reparo da pele seja feito frente à exposição solar, podendo dar origem a tumores de pele desde a infância, incluindo os carcinomas espinocelular e basocelular, e o melanoma; a Síndrome do carcinoma basocelular nevoide (Síndrome de Gorlin), associada ao risco de carcinomas basocelulares múltiplos; a epidermólise bolhosa, associada ao risco de carcinoma espinocelular; e a Síndrome de Li-Fraumeni, relacionada a alteração do gene TP53, um gene importante para o controle do ciclo celular que, quando não funciona bem, leva ao aumento de risco de vários tumores, incluindo os melanomas.

Estima-se que metade de todas as mortes por câncer poderiam ser evitadas se medidas preventivas fossem adotadas e os exames de checkup fossem feitos rotineiramente. No Hospital Sírio-Libanês, além de orientarmos detalhadamente quanto aos cuidados de proteção nas diferentes faixas de idade, temos uma proposta para exame regular da pele, com avaliação e acompanhamento periódico feitos pelo grupo de dermatologia do Núcleo de Oncologia Cutânea e Sarcomas. Essa atitude preventiva permite minimizar a chance de aparecimento de novas lesões, detectar lesões pré-cancerosas e fazer o diagnóstico precoce de câncer de pele, facilitando o tratamento e aumentando as chances de cura.

Lembre-se de incluir em sua rotina de checkup uma avaliação dermatológica, sua pele agradece!