Carcinoma Espinocelular: o que é, sintomas e tratamentos
O que é o carcinoma espinocelular?
O carcinoma espinocelular, também chamado de câncer de pele espinocelular, é um dos diferentes tipos de câncer que se desenvolvem na pele. Ele se origina nas células escamosas da epiderme, a camada mais superficial da pele, e ocorre principalmente em áreas expostas ao sol, como rosto, orelhas, pescoço, lábios e dorso das mãos. Também pode surgir em cicatrizes antigas, feridas crônicas e até em órgãos genitais.
Uma forma inicial desse câncer é o carcinoma espinocelular in situ, conhecido como doença de Bowen. Ele se manifesta como uma mancha avermelhada com crostas e bordas irregulares e pode evoluir para um tumor invasivo se não tratado rapidamente.
A maioria dos pacientes é idosa e, em um terço deles, as lesões são múltiplas. Também pode ocorrer na pele das áreas anal e genital, muitas vezes em razão de infecções pelo vírus do papiloma humano (HPV). Outro tipo relacionado é o queratoacantoma, um tumor de crescimento rápido que pode regredir espontaneamente.
O carcinoma espinocelular corresponde a cerca de 20% dos cânceres de pele, mas quando detectado precocemente tem alto índice de cura.
A principal diferença entre carcinoma espinocelular e outros cânceres de pele (como o carcinoma basocelular e o melanoma) é a região afetada. Ele atinge as células escamosas da epiderme, a camada mais superficial da pele, enquanto os outros tipos afetam, respectivamente, as células basais da epiderme e os melanócitos.
O carcinoma espinocelular apresenta uma velocidade de crescimento relativamente alta e risco de metástase se não for tratado precocemente. Portanto, a detecção precoce é essencial para evitar complicações. Ao notar alterações na pele, procure um dermatologista o quanto antes.
Fatores de risco do câncer de pele espinocelular
Da mesma forma que nos outros tipos de câncer de pele, os principais fatores de risco do carcinoma espinocelular incluem, principalmente, a exposição prolongada à radiação UV, seja do sol ou de câmaras de bronzeamento. Além disso, pessoas com a pele e cabelos claros, com menor proteção natural contra raios UV, têm de duas a três vezes mais risco de desenvolver câncer de pele.
A idade é outro fator de risco, em razão do efeito cumulativo da exposição ao sol no decorrer do tempo. A maioria dos carcinomas espinocelulares surge em pessoas com mais de 40 anos.
O sistema imunológico comprometido – comum em pacientes transplantados, pessoas submetidas a tratamentos com doses elevadas de corticosteróides, portadores do vírus HIV e HPV – aumenta a probabilidade da manifestação do carcinoma espinocelular.
A probabilidade também aumenta para pessoas que fizeram tratamento radioterápico anterior para câncer ou psoríase (que, neste caso, utiliza radiação ultravioleta), para aquelas que já tiveram carcinomas basocelulares e para as que apresentam cicatrizes de queimaduras, áreas de cicatrizes de infecções ósseas ou alguma doença inflamatória na pele.
Outras condições que podem levar ao surgimento desse tipo de câncer são ictiose ou pele seca (doença rara e hereditária) e xeroderma pigmentosa (que provoca extrema sensibilidade à luz).
A exposição a grandes quantidades de determinados produtos químicos, como arsênico, alcatrão industrial e carvão também pode ser prejudicial à pele e aumentar os riscos do desenvolvimento de câncer de pele.
Principais sintomas e sinais do carcinoma espinocelular
O carcinoma espinocelular pode aparecer de várias formas, principalmente em áreas expostas ao sol. As lesões suspeitas incluem:
- Verrugas que não param de crescer;
- Manchas persistentes, escamosas e avermelhadas com bordas irregulares, que sangram facilmente;
- Feridas que não cicatrizam por mais de quatro semanas;
- Lesões elevadas, com superfície áspera e depressão central;
- Alterações na cor de pintas e sinais pré-existentes.
Onde costuma aparecer? Rosto, couro cabeludo, orelhas, pescoço, dorso das mãos, lábios e também em regiões menos expostas, como áreas genitais (associado ao HPV).
Ao identificar qualquer um desses sinais, é essencial procurar um dermatologista, pois o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura.
Como prevenir o carcinoma espinocelular?
Como boa parte dos fatores descritos está relacionada a hábitos de vida e ao ambiente, algumas práticas para proteger-se da radiação ultravioleta podem ajudar na prevenção do câncer de pele:
- Uso diário de protetor solar FPS 30 ou superior;
- Evitar exposição solar entre 10h e 16h;
- Usar roupas protetoras, óculos escuros e chapéus de aba larga;
- Evitar bronzeamento artificial em câmaras e lâmpadas ultravioletas.
Além da prevenção, é importante fazer um autoexame da pele regularmente. Isso contribui para a detecção precoce dos diferentes tipos de câncer de pele, como o carcinoma espinocelular.
Como realizar o autoexame da pele
Frequência: uma vez por mês, em frente a um espelho bem iluminado.
O que observar: pintas, manchas, feridas e alterações na pele.
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Primeiro verifique o padrão de pintas, manchas, sardas e outras marcas na sua pele, em todas as partes do corpo, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés, couro cabeludo, orelhas, unhas e costas.
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Depois, fique atento ao surgimento de novas pintas e marcas ou de alterações nas já existentes, como vermelhidão, inchaço, coceira, descamação, rigidez, dor, sangramento e secreção de líquido.
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Qualquer mudança deve ser examinada por um médico especialista. Se você tem dúvidas sobre uma lesão, marque uma consulta para avaliação especializada.
Diagnóstico médico do carcinoma espinocelular
Aqui descreveremos como um médico especialista costuma proceder em uma consulta de diagnóstico para pacientes que apresentam sinais da doença.
- Avaliação clínica
O primeiro passo do diagnóstico médico do carcinoma espinocelular é analisar o histórico clínico e familiar do paciente, para levantar possíveis sinais e sintomas e os fatores de risco da doença.
- Exame físico e dermatoscopia
É realizado o exame físico, em que o médico verifica o tamanho, a forma, a cor e a textura das lesões na pele e se há sangramento ou descamação. Para avaliar de forma mais detalhada as manchas e lesões, o médico utiliza um instrumento chamado dermatoscópio, uma lente de aumento especial com fonte de luz própria.
- Palpação dos linfonodos
Também se faz a palpação dos gânglios linfáticos da virilha, das axilas, do pescoço e de áreas próximas à lesão, porque o aumento desses gânglios pode indicar que o câncer espinocelular está se disseminando.
- Biópsia
É feita a confirmação diagnóstica através da análise de uma amostra do tecido afetado, por meio da biópsia, que pode indicar a malignidade do câncer.
Tratamento do carcinoma espinocelular
Quando detectado, o tratamento do carcinoma depende do tamanho, localização e estágio do tumor. A escolha do tratamento deve ser feita pelo médico especialista, considerando as condições do paciente. As principais opções incluem:
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Excisão cirúrgica: remoção completa da lesão, com diferentes níveis de profundidade, incluindo a cirurgia de Mohs.
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Radioterapia: indicado para casos mais avançados.
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Quimioterapia tópica: uso de cremes para tratar lesões superficiais.
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Imunoterapia: para casos metastáticos ou resistentes a outros tratamentos.
O tratamento mais frequente nos casos de carcinoma espinocelular é uma combinação de cirurgia e radioterapia.
A recuperação do paciente com carcinoma espinocelular depende de fatores como o estágio da doença, tipo de tratamento realizado e condição geral do paciente. Em casos detectados precocemente, a cirurgia de remoção de lesões pouco profundas costuma ser de rápida recuperação, tendo um prognóstico com alta taxa de cura.
Conclusão
O diagnóstico precoce e o tratamento adequado do carcinoma espinocelular são essenciais para garantir a cura e evitar complicações graves. O acompanhamento médico regular, o reconhecimento de lesões suspeitas e a adoção de hábitos preventivos são fundamentais para proteger a saúde da pele. Se notar qualquer alteração, busque um de nossos especialistas.
Referências:
- Skin Cancer Foundation: https://www.skincancer.org
- National Cancer Institute: https://www.cancer.gov
- Mayo Clinic: https://www.mayoclinic.org