Conheça os principais tratamentos do Núcleo Avançado de Cirurgia da Mão e Microcirurgia Reconstrutiva

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Sírio-Libanês

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A criação do Núcleo Avançado de Cirurgia da Mão e Microcirurgia Reconstrutiva do Sírio-Libanês, composto por médicos ortopedistas e cirurgiões plásticos especializados, reforça o compromisso do Sírio-Libanês em oferecer a seus pacientes uma medicina de alto padrão.

Veja os principais tratamentos oferecidos:​

Tendinites, Tendinopatias e Lesões por Esforço Repetitivo (LER)

A tendinopatia é determinada por um grupo de sinais e sintomas que envolvem dor crônica (por mais de três semanas) com piora progressiva, inchaço, aumento de espessura, redução da mobilidade e diminuição da força.

O termo se refere à formação de um processo inflamatório envolvendo a bainha tendínea (membrana que envolve o tendão). Dentre as tendinopatias mais frequentes estão a epicondilite, dedo em gatilho e a moléstia de De Quervain.

Diversos fatores podem contribuir para esta condição, como variações da anatomia, doenças sistêmicas (por exemplo, artrite reumatoide), alterações posturais, hipermobilidade articular, déficit de alongamento e de fortalecimento muscular.

Erros de treinamento e deficiências técnicas durante a prática esportiva, atividades de repetição e de grande solicitação também levam à tendinopatia.

Quando as tendinopatias estão relacionadas às atividades de trabalho, são denominadas Lesão por Esforço Repetitivo (LER) ou Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho (Dort).

Diagnóstico e T​ratamento

O diagnóstico das tendinopatias é fundamentalmente clínico.

O tratamento envolve diversos aspectos que vão desde medicações anti-inflamatórias e analgésicas, reabilitação, correção da ergonomia, imobilização, tratamento da dor crônica, infiltração com corticoide e, em casos específicos, cirurgia.

​​​​​Lesão de Nervos Periféricos

Os nervos periféricos são cabos condutores de eletricidade que conectam o córtex motor cerebral até os músculos e, em sentido inverso, os receptores cutâneos ao córtex sensitivo cerebral. Uma lesão de nervo pode acarretar paralisia motora e alteração da sensibilidade cutânea.

Tratamento

Nas lesões abertas, geralmente indica-se tratamento cirúrgico imediato com o objetivo de suturar os cotos do nervo lesado. Caso o trauma seja fechado, pode haver um tempo de observação de cerca de três meses, durante o qual a lesão (se parcial) pode ter recuperação espontânea.

O tratamento cirúrgico deve ser realizado com a utilização de técnicas microcirúrgicas. A conexão cirúrgica das fibras nervosas deve ser feita com a máxima precisão para que a função seja a mais próxima possível à original.

Lesão do Plexo Braquial

O plexo braquial é uma complexa rede de nervos localizada entre a coluna cervical e o ombro. Os nervos do plexo braquial controlam os movimentos e a sensibilidade dos membros superiores.

As lesões do plexo braquial em adultos geralmente estão ligadas a acidentes de motocicletas. Ocasionalmente, podem ocorrer também em recém-nascidos por tração no parto normal.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é realizado por meio do exame clínico. No entanto, os estudos por imagem (mielotomografia e ressonância magnética) e os estudos eletrofisiológicos (eletroneuromiografia) são de grande utilidade na caracterização da localização, extensão e gravidade da lesão.

O tratamento é semelhante ao da lesão de nervos periféricos. Mas, como as lesões do plexo braquial afetam uma rede grande de nervos e a recuperação é muito demorada, as cirurgias são indicadas mais precocemente.

Síndromes Compressivas de Nervos

As compressões de nervos são comuns e geralmente causam um grande impacto físico, psicológico e econômico sobre os pacientes. Causam dor, perda progressiva da sensibilidade e de força.​

A síndrome do túnel do carpo é a neuropatia compressiva mais frequente. A compressão do nervo mediano ocorre no canal do carpo no punho. Os sintomas mais comuns são formigamento e perda da sensibilidade do polegar, dedo indicador e anular.

A segunda neuropatia compressiva em frequência é a do nervo ulnar no cotovelo (síndrome do túnel cubital). Os sintomas são formigamento e perda da sensibilidade no dedo anular e mínimo.

Tratamento

As duas síndromes são tratadas inicialmente com imobilização, medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos, reabilitação e infiltração com corticoide. Não havendo melhora, é indicado o procedimento cirúrgico de descompressão do nervo.

Fraturas da Mão e Punho

As mãos são sujeitas a muitos traumas. As fraturas do metacarpo e da falange correspondem a 80% das fraturas nessa região.

O tratamento pode ser feito por meio de imobilizações com talas e órteses para fraturas estáveis e com pouco desvio. Fraturas instáveis ou com desvio devem ser tratadas cirurgicamente para a preservação da função da mão.

A fratura mais comum do punho é a fratura da extremidade distal do rádio. Geralmente ocorre em quedas com impacto no punho nas mulheres em fase de pós-menopausa com algum grau de osteoporose, ou acidentes com dissipação de alta energia no punho em pacientes jovens.

Boa parte das fraturas do rádio é articular, instável e com desvio. Elas devem ser reduzidas sob anestesia e fixadas cirurgicamente.

Microcirurgia Reconstrutiva dos Membros

A microcirurgia é uma técnica cirúrgica baseada no uso de aparelhos de aumento (microscópio ou lupa cirúrgicos) e de instrumentos especiais para a manipulação de estruturas anatômicas de pequenas dimensões, na ordem de milímetros. Essa técnica aumenta muito a precisão do procedimento, sendo indicada para conexão de pequenos vasos e das fibras de nervos lesados.

Com essa técnica é possível reimplantar dedos amputados, transplantar tecidos diversos e reconstruir perdas ocasionadas por acidentes, cirurgias oncológicas e infecções.

A microcirurgia também é importante na reconstrução dos nervos periféricos e dos troncos de nervos do plexo braquial.

Artrites e Artrose nas Mãos e Punhos

A artrose é um desgaste da articulação causado por doenças inflamatórias (como artrite reumatoide e lúpus eritematoso), infecção, trauma ou degeneração.

Na mão, a artrose aparece principalmente na ponta dos dedos (nódulos de Heberden), na base dos dedos, no punho e na base do polegar (rizartrose).

Tratamento

O tratamento inicial é clínico, feito por meio de medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos, imobilização e reabilitação. Os medicamentos protetores de cartilagem podem retardar o processo de desgaste e diminuir a dor. A injeção intra-articular de substâncias viscosas também pode ajudar a amenizar os sintomas.

Quando há uma doença-base, como a artrite reumatoide, é importante que o controle dela seja feito por medicamentos específicos.

Em casos avançados opta-se pelo tratamento cirúrgico, cujo método depende da articulação envolvida e do grau de artrose.

Lesão dos Ligamentos

Os ligamentos são elementos de controle da articulação e permitem a realização de movimentos com estabilidade. As lesões não tratadas causam instabilidade crônica, o que pode predispor ao desgaste precoce da articulação (artrose).

Em traumatismos, os ligamentos podem sofrer lesões – desde um pequeno estiramento à ruptura total.

No caso de estiramento, é possível a realização de tratamento com imobilização. Já na ruptura, geralmente é indicada a intervenção cirúrgica.

Lesão de Tendão

Os tendões são os transmissores dos movimentos de flexão e extensão dos dedos. As lesões de tendão geralmente decorrem de traumas cortantes.

Diagnóstico e t​ratamento

Um exame clínico costuma ser suficiente para o diagnóstico.

O tratamento consiste em reparação cirúrgica precoce da lesão, preferencialmente dentro de uma semana. Caso contrário, os cotos do tendão seccionado podem se retrair e impossibilitar a sutura.

Outra parte do tratamento é a reabilitação pós-operatória, indispensável para a prevenção de aderências e para melhorar a recuperação funcional.

Reimplante de Membros (Extremidades)

Muitas vezes, partes do membro amputadas por acidente podem ser reimplantadas. Em geral, isso é possível quando o trauma foi causado por uma lesão cortante.

Em média a parte amputada pode permanecer até seis horas no soro fisiológico resfriado antes do reimplante e o restabelecimento da circulação sanguínea.

Além da parte circulatória, é importante a sutura dos tendões lesados e dos nervos sensitivos para restaurar o movimento e a sensibilidade.

Doenças Congênitas

A sindactilia, união anormal dos dedos adjacentes, é a doença congênita mais frequente nas mãos. Neste caso, o tratamento é feito por meio de separação cirúrgica.

Outro problema comum é a existência de um sexto dedo (dedo extranumerário). Geralmente, ele pode ser facilmente removido por meio de cirurgia especializada.

As doenças congênitas devem ser investigadas de forma detalhada porque podem fazer parte de síndromes genéticas e ter repercussão em outros órgãos.

​​​​Moléstia de Dupuytren

A moléstia de Dupuytren é um crescimento anormal da fáscia palmar, camada profunda da pele palmar. Ela ocasiona nódulos de tamanho crescente, podendo causar retração na flexão do dedo. Quando isso acontece, a cirurgia pode ser considerada.

Etnicamente, a moléstia de Dupuytren está normalmente relacionada a pessoas com ascendência de países do Mediterrâneo.

Queimaduras

A mão está sempre sujeita aos riscos de queimaduras, sejam elétricas ou térmicas.

Para o sucesso da recuperação, é importante que haja um tratamento especializado desde o atendimento inicial. Assim, as estruturas profundas (como tendões, nervos e vasos) permanecerão protegidas.

O cuidado especializado é importante também para que a cicatriz decorrente da lesão não sofra retração, o que poderia comprometer a função da mão.

Artrite Reumatoide

A artrite reumatoide é uma doença autoimune, em que a própria defesa do organismo agride o tecido periarticular (sinóvia). A inflamação da sinóvia é denominada sinovite. A sinovite crônica causa destruição da articulação, com desgaste e deformação, comprometendo a função da mão.

Neste caso, o acompanhamento deve envolver duas especialidades. Cabe ao reumatologista o tratamento da doença-base, por meio de drogas específicas.

Já o cirurgião de mão deve intervir, quando necessário, realizando a limpeza do tecido inflamatório sinovial (sinovectomia). Em fases tardias, é possível a realização de cirurgias de substituição articular (próteses) ou de estabilização articular (artrodeses).​

​​Feridas

Em muitas situações, há formação de feridas crônicas de difícil cicatrização. Elas estão normalmente relacionadas a certas doenças, como diabetes, anemia falciforme e doença vascular periférica. Mas podem aparecer também após traumatismos graves nos membros.

Nesses cenários, é indicado um tratamento multidisciplinar. Ele conjuga os cuidados locais feitos pela enfermagem, a avaliação da vascularização do membro por meio de métodos de imagem, o controle da patologia de base pelo clínico especializado e a realização de limpezas cirúrgicas da ferida infectada e de procedimentos de transplante de tecido cutâneo ou muscular feito pelo cirurgião de mão ou cirurgião plástico para o fechamento da ferida.

Frequentemente há déficits nutricionais causados pela doença crônica, o que dificulta ainda mais o processo de cicatrização.

Alguns métodos podem ser empregados para terapia coadjuvante da ferida crônica, como a câmara hiperbárica e os curativos a vácuo.