Benefícios da estimulação elétrica neuromuscular em pacientes com COVID-19 na UTI

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Dr Wellington Pereira Yamaguti

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Estimulação Elétrica Neuromuscular

A COVID-19 é uma infecção respiratória aguda causada pelo coronavírus SARS-CoV-2. Estima-se que cerca de 15% dos infectados desenvolvam a forma grave da doença e 5% necessitem de internação em uma unidade de terapia intensiva (UTI).

Esses pacientes em UTI estão propensos a redução de massa e de força muscular. A partir de 72 horas de admissão na unidade, já é possível observar disfunções com consequências que podem durar até cinco anos após a alta hospitalar. A imobilidade e a inflamação sistêmica são as principais causas dessas perdas musculares, as quais, por sua vez, prolongam o tempo de ventilação mecânica e de internação hospitalar, além de acentuar as chances de mortalidade.

Em um estudo prévio desenvolvido pelo Serviço de Reabilitação do Hospital Sírio-Libanês, conduzido logo no início da pandemia em 2020, mostramos uma perda de 30% na massa muscular da coxa e redução da capacidade funcional ao longo de 10 dias de internação na UTI, significando uma perda de 3,7% de massa muscular da coxa por dia na fase aguda. É importante ressaltar que esse impacto na musculatura encontrada nos pacientes críticos com COVID-19 é maior do que em outras doenças críticas que necessitam de internação na UTI, tais como sepse e choque séptico.

Diante desse cenário, os profissionais da reabilitação se depararam com um novo e enorme desafio: minimizar o impacto da doença e do imobilismo na estrutura muscular e funcionalidade dos pacientes. Assim, um novo estudo foi desenvolvido pelo Serviço de Reabilitação do Hospital Sírio-Libanês, abordando o efeito da estimulação elétrica neuromuscular em pacientes críticos com COVID-19. O trabalho, publicado recentemente na Frontiers in Medicine, mostrou que a estimulação elétrica neuromuscular possui a capacidade de proteger o paciente que está internado na UTI das perdas de massa muscular, força muscular e funcionalidade em decorrência da doença crítica de COVID-19 associada à sepse e choque séptico.

A perda da massa muscular da coxa dos pacientes que realizaram a estimulação elétrica neuromuscular foi de 17% (aqueles que não realizaram a estimulação elétrica neuromuscular apresentaram uma perda de 30%), reduzindo a perda de massa muscular para 2% por dia (e não mais de 3,7% por dia, observada nos pacientes que não realizaram a intervenção). Com essa intervenção terapêutica, houve aumento da força muscular que impactou positivamente na funcionalidade desses pacientes. Além disso, o uso da estimulação elétrica neuromuscular de forma precoce determinou uma redução do impacto da perda muscular em torno de 44%.

O estudo é pioneiro e traz uma nova oportunidade de excelência assistencial de uma intervenção que tem reduzido significativamente os impactos negativos na massa muscular, força muscular e funcionalidade desses pacientes sob nossos cuidados de reabilitação no Hospital Sírio-Libanês.

Para ler o estudo completo, acesse: https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fmed.2022.751636/full.

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