Xaropes podem causar problemas graves se tomados sem orientação médica

Doenças Pulmonares e Torácicas
Fonte: Dra. Elnara Negri, pneumologista no Hospital Sírio-Libanês.
Publicado em 23/03/2017

A compra de xaropes sem orientação médica é comum no Brasil. No entanto, esse medicamento adocicado, usado para tratar tosse e outras irritações na garganta, está longe de ser inofensivo. Se tomados de forma incorreta, os xaropes podem causar desde reações alérgicas até problemas cardíacos, como infarto.

A composição dos xaropes varia. Alguns são apenas à base de açúcar, outros têm substâncias que agem no sistema nervoso inibindo o reflexo da tosse e há ainda os que apresentam corticoides e broncodilatadores. A maioria deles também contém corantes e aromatizantes.

Seja qual for sua composição, os xaropes quando utilizados como automedicação, sem o conhecimento da causa da tosse a ser aliviada, podem trazer efeitos colaterais de grande impacto, ressalta a dra. Elnara Negri, pneumologista no Hospital Sírio-Libanês.

Possíveis problemas causados por xaropes, sem orientação médica:

  • Aumento da frequência cardíaca.
  • Arritmia cardíaca.
  • Alteração na pressão arterial.
  • Angina.
  • Infarto.
  • Reações alérgicas leves e graves.
  • Sonolência.
  • Distúrbio de atenção.
  • Mascarar casos de tuberculose e câncer.

Por que os xaropes podem fazer mal à saúde?

Os riscos da automedicação de xaropes podem estar relacionados aos problemas de saúde que levaram ao surgimento da tosse — principal sintoma a ser tratado por esse medicamento; ao uso de quantidades inadequadas do produto ou até mesmo por reações adversas provocadas pelo tipo de xarope tomado.

Segundo explica a dra. Elnara, diante de qualquer tosse, muitas pessoas costumam tomar xarope. No entanto, quando a tosse é seca, acompanhada de uma secreção rosa e espumosa e mais comum ao deitar, pode ser sinal de um problema no coração, por exemplo. "Quando o sangue que vem dos pulmões não é bombeado adequadamente pelo coração doente, os pulmões ficam inchados, os bronquíolos se fecham e vem esse tipo de tosse", descreve.

Além de não tratarem a origem da tosse, as pessoas nessas condições, ao se automedicarem, correm o risco de ingerir um produto com broncodilatadores. Ou seja, com uma substância que pode causar aumento da frequência cardíaca e arritmias, colocando a saúde em risco.

Os xaropes, quando usados de forma prolongada ou em altas doses (esses valores variam conforme cada medicamento), também podem causar alterações da pressão arterial e até infarto ou angina, dor no peito causada pelo enfraquecimento dos músculos do coração.

Outro risco associado à automedicação de xaropes está nas reações alérgicas aos corantes e aromatizantes usados na composição desses medicamentos. Essas reações podem variar de coceira na pele a reações alérgicas generalizadas, como inchaços no rosto, na língua e na laringe; broncoespasmo (estreitamento temporário dos brônquios) e anafilaxia — reação alérgica grave que pode levar à morte.

Alguns xaropes contam também com sedativos para diminuir a tosse, mas essas substâncias podem agir no sistema nervoso central causando sonolência e distúrbios de atenção, aumentando os riscos de acidentes de trabalho ou de trânsito.

Por fim, o uso de xaropes sem orientação médica, por várias semanas, pode acabar mascarando a presença de doenças graves como a tuberculose e o câncer de pulmão. "Tudo isso reforça os riscos da automedicação, mesmo que sejam com xaropes", ressalta a dra. Elnara.

O que fazer se eu tiver tosse?

A tosse é um mecanismo de defesa que sinaliza para o organismo que algo está perturbando a integridade das nossas vias aéreas. Por isso, além de não nos automedicarmos com xaropes, devemos procurar ajuda médica se as tosses persistirem por mais de duas semanas ou vierem acompanhadas de catarro. Durante esse tempo, devemos nos hidratar e limpar o nariz com soro fisiológico ao longo de todo o dia.

Pessoas que fumam ou que têm asma devem ter atenção redobrada, pois são mais vulneráveis a desenvolver infecções pulmonares graves.

O Hospital Sírio-Libanês conta com um Núcleo de Doenças Pulmonares e Torácicas. Esse grupo, composto por diversos médicos pneumologistas e cirurgiões de tórax, está preparado para realizar estudos individualizados para investigar quais são as causas das tosses e, assim, definir o tratamento correto a ser seguido.

Outras doenças diagnosticadas e tratadas pelo Núcleo de Doenças Pulmonares e Torácicas do Hospital Sírio-Libanês são asma, câncer de pulmão, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), fibrose pulmonar e nódulo de pulmão.

Para agendar uma consulta com um pneumologista clínico especializado em tosse ou outras doenças pulmonares, entre em contato através do telefone: +55 (11) 3394-5007.