Vírus sincicial respiratório (VSR) é comum nesta época do ano e pode ser grave em recém-nascidos

Doenças Pulmonares e Torácicas
Fonte: Dr. Alessandro Danesi, pediatra no Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 28/06/2017

Quem tem filhos pequenos sabe que nos meses mais frios é preciso atenção redobrada com as doenças respiratórias. Um dos vírus mais comuns nesta época é o vírus sincicial respiratório, também conhecido como VSR, que todos os anos leva um grande número de bebês aos hospitais. Ele afeta com maior gravidade os prematuros, aqueles que possuem doenças crônicas pulmonares ou cardíacas ou que estão com a imunidade comprometida.

"Nas crianças até dois anos, o VSR pode levar a um quadro de bronquiolite, uma inflamação nos bronquíolos (pequenas ramificações dos brônquios que compõem o sistema respiratório), gerando um quadro de infecção respiratória caracterizado por febre, coriza, tosse, cansaço e chiado", explica o dr. Alessandro Danesi, pediatra no Hospital Sírio-Libanês. O vírus é transmitido por meio do contato com secreções infectadas, como gotículas de saliva ou espirros.

À medida que a criança se torna mais velha, as infecções virais se tornam menos graves, pois o sistema imunológico vai se fortalecendo. O diagnóstico do VSR é baseado na história e no exame clínico da criança. “Caso queiramos confirmar que a causa da bronquiolite é mesmo o VSR, podemos fazer a coleta da secreção em nasofaringe para o isolamento do vírus”, comenta o médico.

O VSR também pode infectar pessoas adultas. Só que nelas, ele se manifesta apenas como um resfriado leve, não ocorrendo a bronquiolite. Mas o adulto se torna um transmissor quando em contato com a criança.

Sintomas do VSR

Nas crianças com mais de dois anos de idade, os sintomas do VSR são semelhantes aos de uma gripe comum, com espirros, coriza, febre e tosse. “As crianças com menos de dois anos, além desses sinais, podem apresentar dificuldade para respirar, cansaço, retração e afundamento dos espaços entre as costelas durante a inspiração (tiragem intercostal), chiado no peito e letargia [desânimo]. Algumas vezes, podem até ter dificuldade para mamar”, descreve o dr. Danesi.

Tanto nas crianças quanto nos adultos, o período de transmissão do VSR começa dois dias antes de aparecerem os sintomas e só termina quando a infecção está completamente controlada. A doença apresenta uma piora entre o terceiro e o quarto dia do início dos sintomas. No caso de o bebê ter sido prematuro, essa priora geralmente ocorre entre o quinto e o sexto dia.

Segundo o dr. Danesi, até que o quadro infeccioso tenha sido totalmente curado, os pais devem ficar atentos aos sinais de infecção bacteriana secundária, que pode ocorrer depois da infecção pelo VSR. “Quando isso acontece, a criança melhora, mas poucos dias depois o quadro se agrava novamente, desta vez, por uma infecção causada por uma bactéria, e não por um vírus.”

Tratamento do VSR

Não existem medicamentos específicos para combater o VSR. Assim como acontece com o vírus da gripe, o quadro reverte-se espontaneamente em aproximadamente uma semana. Recomenda-se o uso de medicamentos para baixar a febre, aliviar a dor e o mal-estar; inalações e higiene nasal. A criança deve permanecer em repouso e devemos nos certificar se a estamos hidratando adequadamente.

Em casos mais graves, a internação será necessária para o fornecimento de oxigenioterapia e fisioterapia respiratória. Esta utiliza-se de manobras manuais e aparelhos para a mobilização e a retirada da secreção, melhorando a condição clínica do paciente.

Em prematuros extremos, portadores de doenças crônicas cardíacas ou pulmonares, está indicada a imunização por meio de um medicamento injetável que neutraliza o VSR e inibe sua proliferação. Essa medicação está disponível gratuitamente na rede pública de saúde de todo o País e apenas o pediatra é quem pode prescrevê-la.

Prevenção do VSR

Alguns cuidados no dia a dia podem ajudar a manter as crianças longe do VSR:

  • Lavar as mãos antes de tocar no bebê.
  • Evitar levar a criança a locais onde a circulação de pessoas é grande, principalmente se ela tiver poucos meses de vida.
  • Evitar o contato com crianças e adultos que estejam gripados ou resfriados.
  • Estimular a amamentação até os seis meses de idade, pois o leite materno possui anticorpos que pode protegê-lo contra as doenças infecciosas.

Caso a criança tenha sido infectada pelo vírus, a escola ou a creche devem ser informadas, evitando-se assim que ele se dissemine entre outras crianças.