Tumores de hipófise geralmente são benignos e, quase sempre, de fácil tratamento

Obesidade e Transtornos Alimentares
Fonte: Dra. Érika Bezerra Parente, endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 04/11/2016

Localizada na base do cérebro, a hipófise, ou pituitária, é considerada a principal glândula do corpo humano. Sua função é a de regular o trabalho de outras glândulas, como a adrenal, a tireoide, os testículos e os ovários. A hipófise também produz a prolactina, hormônio importante para a amamentação; o GH, hormônio do crescimento; e secreta o hormônio antidiurético e ocitocina, produzidos no hipotálamo (localizado acima da hipófise no cérebro). O hormônio antidiurético participa do controle da quantidade de água no organismo, enquanto o ocitocina auxilia no trabalho de parto.

O aumento excessivo de células da hipófise determina o crescimento irregular da glândula, o que chamamos de tumor. Os motivos que levam a isso ainda não são conhecidos. “Como a hipófise produz vários hormônios, o tumor pode ser produtor de um ou mais hormônios, ou também pode não produzir nenhum”, explica a dra. Érika Bezerra Parente, endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês.

Os tipos mais frequentes de tumores são os adenomas, tumores benignos que não se espalham pelo organismo. Quando liberam hormônios em excesso, são chamados adenomas funcionantes, ou secretores; quando não produzem hormônios, são chamados adenomas não funcionantes, ou não secretores.

Outro tipo de tumor que pode ocorrer na região onde fica a hipófise ou próximo a ela, mas não é um tumor da hipófise, é o craniofaringioma. Normalmente se trata de um tumor congênito presente desde o nascimento, mas que pode se desenvolver lentamente até a idade adulta. Os craniofaringiomas são geralmente benignos, porém podem causar sintomas pelo crescimento do tumor e consequente compressão de estruturas adjacentes. Por exemplo, quando há compressão do quiasma óptico (cruzamento do nervo óptico) e sintomas de alteração da visão.

Sintomas

Segundo a dra. Érika, tumores grandes, produtores ou não de hormônios, podem causar sintomas como dores de cabeça e alterações visuais. “Os tumores produtores de hormônios, quando pequenos, podem causar sintomas exclusivamente relacionados ao excesso do hormônio. Por exemplo: se for produtor de prolactina, pode causar saída de leite pelo mamilo, diminuição da libido (apetite sexual) e alterações menstruais nas mulheres. Se for produtor de hormônio do crescimento, pode causar dores articulares, crescimento dos pés e das mãos, do queixo, e ainda causar diabetes”, alerta.

Não existe prevenção para os tumores de hipófise. Quando há predisposição genética, existe grande possibilidade de a pessoa desenvolvê-lo em algum momento da vida. “Felizmente, a imensa maioria é benigna”, afirma a especialista.

Quando o paciente apresenta sintomas, geralmente são feitos exames de dosagem hormonal e a ressonância magnética da hipófise. “Muitas vezes, o tumor é detectado incidentalmente, quando o paciente realiza uma ressonância magnética ou tomografia computadoriza do crânio por outro motivo”, diz ela.

Tratamentos

Os tumores de hipófise podem ser tratados com medicamentos, cirurgia ou ambos. “A cirurgia, na maioria dos casos, é indicada para os casos de tumores grandes, com compressão de estruturas vizinhas”, explica a médica. Porém, tumores produtores de prolactina, mesmo que considerados grandes, podem ser inicialmente tratados com medicamentos; enquanto para pequenos tumores produtores de GH (hormônio do crescimento), a cirurgia é a primeira indicação de tratamento. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Existem dois tipos de cirurgias, a transesfenoidal e a cirurgia por via transcraniana:

  • Cirurgia transesfenoidal: A incisão (ou corte) é feita dentro do nariz. Através desse acesso minimamente invasivo retira-se uma pequena quantidade de mucosa e osso para acessar a hipófise. A cirurgia é realizada com anestesia geral e é a via cirúrgica mais frequentemente indicada, independentemente da idade do paciente.
  • Cirurgia por via transcraniana: A cirurgia através do crânio pode ser necessária em alguns casos, mais frequente quando o tumor não é um adenoma (tumor benigno) ou em casos de tumores grandes de difícil acesso pela via transesfenoidal. Nesse caso, é feito um corte cirúrgico na parte lateral ou superior da calota craniana. A cirurgia é realizada com anestesia geral. Também pode ser indicada para pacientes de qualquer idade.

O Núcleo de Obesidade e Transtornos Alimentares do Hospital Sírio-Libanês conta com endocrinologistas especializados no diagnóstico e no tratamento de tumores na hipófise. Eles atuam também no tratamento de doenças relacionadas à tireoide, à paratireoide, ao diabetes, à osteoporose, entre outras.