Traumatismo craniano pode causar perda da consciência e falas desconexas

Centro de Reabilitação
Fonte: Dr. Roger Schmidt Brock, neurocirurgião no Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 28/03/2017

Nosso crânio é responsável por proteger o órgão mais importante que temos, o cérebro (veja ao lado). Talvez por isso os choques na cabeça, onde o crânio está inserido, causem tanta preocupação. Mas você sabe quando uma pancada na região do crânio merece cuidados médicos?

Segundo o dr. Roger Schmidt Brock, neurocirurgião no Hospital Sírio-Libanês, qualquer traumatismo craniano (abalos violentos sobre a caixa óssea que recobre o cérebro) precisa ser avaliado por um médico.

Alguns dos principais sinais dos traumatismos cranianos são:

  • Alteração no nível de consciência.
  • Falas desconexas.
  • Esquecimentos.
  • Perda da orientação temporal.
  • Náusea.
  • Vômito.
  • Ferimentos extensos.
  • Sangue saindo pelo nariz ou pelas orelhas.

Embora nem sempre esses sinais sejam a comprovação de um traumatismo craniano mais grave, ao batermos a cabeça e sentirmos qualquer um dos sintomas citados acima, precisamos procurar por ajuda médica imediatamente.

Outro sinal que merece atenção após as pancadas na cabeça é a dificuldade de ficar acordado, que deve, no entanto, ser diferenciada do sono após estresse. "Muitos pais me perguntam se podem deixar seus filhos dormirem após baterem a cabeça, e eu respondo que é normal o sono após uma situação de choro e nervosismo", comenta. "Mas precisamos ficar atentos enquanto a criança dorme, observando a cada meia hora, para ver se o sono dela está leve e tranquilo", acrescenta.

Em caso de sono muito pesado, ou seja, quando a criança não se mexe ao ser tocada e apresenta respiração profunda enquanto dorme, também devemos procurar por ajuda médica, pois pode ser um sinal de traumatismo craniano complicado.

Traumatismo cranioencefálico

Quando o traumatismo craniano causa ferimentos no cérebro, ele é chamado de traumatismo cranioencefálico. Esse tipo de trauma tem um grande impacto no número de mortes ao redor do mundo, sobretudo, em homens jovens.

Um material produzido pelo Ministério da Saúde em 2015 contabilizou o número de pessoas internadas no Sistema Único de Saúde de todo o País, em 2011, com traumatismos cranioencefálicos. De acordo com esse documento, as quedas (373.354 casos) foram as principais responsáveis por esse tipo de lesão, seguidas pelos acidentes de motocicleta (77.171 casos), acidentes envolvendo pedestres (37.777 casos) e automóveis (17.053 casos).

No que se refere à gravidade dessas lesões, no entanto, os acidentes de automóvel aparecem em primeiro lugar. Do total de acidentados com carro, 23,79% morreram de traumatismo cranioencefálico. A porcentagem de mortes devido ao mesmo problema entre os pedestres foi de 4,63%; nos motociclistas, 2,29%, e em decorrência de quedas, 1,94%.

"Esses números comprovam o grande impacto dos acidentes de trânsito nos traumatismos cranianos", alerta o dr. Brock. "Por isso, nunca é demais lembrar que respeitar os limites de velocidade e usar cinto de segurança e capacete adequado é essencial para minimizar a gravidade desses traumatismos", completa.

Cuidados pós-traumatismo craniano

Em casos de traumatismo craniano, o quanto antes forem iniciados os cuidados médicos, maiores serão as chances de sucesso no tratamento. O Pronto Atendimento do Hospital Sírio-Libanês conta com uma equipe multidisciplinar sempre de prontidão para atender pacientes nessa situação.

Após o exame de tomografia computadorizada no crânio para confirmar o trauma, o paciente pode ser encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neurológica. Essa unidade, especializada no atendimento de traumatismos cranianos e outros problemas neurocríticos, conta com equipamentos para ajudar na respiração e monitorar a pressão do crânio.

Se houver sinais de aumento da pressão intracraniana, cuja causa mais frequente é um sangramento, o paciente geralmente passa por uma drenagem cirúrgica para retirada de hematomas e para a reparação dos vasos sanguíneos.

Esses cuidados iniciais contra o traumatismo craniano duram de 7 a 15 dias, estima o dr. Brock. Depois desse período, se tornam mais intensos os cuidados de fisioterapia e reabilitação.

No Centro de Reabilitação do Hospital-Libanês, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, entre outros profissionais, atuam juntos para responder às necessidades de cada paciente com traumatismo craniano. Eles ajudam o paciente a reaprender tarefas simples do dia a dia, como andar, falar e comer. Além disso, dão suporte aos familiares e cuidadores, orientando-os e envolvendo-os no tratamento.

Saiba mais sobre a reabilitação no traumatismo craniano.