Tratamento preventivo contra hemofilia garante mais segurança aos portadores da doença

 
Fonte: Dr. Elbio Antonio D´Amico, hematologista no Sírio-Libanês
Publicado em 05/02/2015
Tratamento Hemofilia

Em 4 de janeiro de 1988, o Brasil perdia o cartunista e escritor Henrique de Souza F​ilho, o Henfil, aos 43 anos de idade. Portador de hemofilia, assim como seus dois irmãos, o sociólogo Betinho e o músico Francisco Mário, Henfil contraiu o HIV em uma transfusão de sangue e morreu em decorrência da aids. A data de sua morte foi escolhida pelo Ministério da Saúde como o Dia Nacional da Hemofilia.

A hemofilia é uma doença hereditária que provoca desordem no mecanismo de coagulação do sangue e se manifesta principalmente nos homens por questões genéticas. Existem dois tipos de hemofilia: A e B. A hemofilia do tipo A ocorre por deficiência do fator VIII de coagulação sanguínea, e a hemofilia do tipo B, por deficiência do fator IX.

O tratamento da hemofilia é oferecido gratuitamente pelo governo e se baseia na reposição intravenosa das proteínas faltantes. Ou seja, fator VIII para pessoas com hemofilia do tipo A, e fator IX para as pessoas com hemofilia do tipo B.

Segundo lembra o hematologista Elbio Antonio D´Amico, do Sírio-Libanês, há alguns anos o tratamento era feito apenas em casos de hemorragia ou antes de cirurgias e outros procedimentos que poderiam provocar sangramento, como as extrações dentárias. Hoje, no entanto, o tratamento é preventivo. As pessoas com hemofilia recebem as proteínas necessárias rotineiramente em unidades de saúde ou até mesmo em casa, quando contam com cuidadores ou familiares habilitados a fazer a aplicação.

Para o dr. D´Amico, essa mudança no esquema de tratamento da hemofilia é um dos maiores avanços no enfrentamento da doença. “Ela ajudou a evitar complicações mais graves”, enfatiza.

O médico destaca ainda a maior segurança no uso dos concentrados de fatores coagulantes. Embora ainda exista a possibilidade de transmissão dos vírus B e C da hepatite e do vírus HIV nos concentrados de plasma, feitos a partir do sangue de doadores, as rigorosas triagens e os métodos de inativação de vírus praticamente eliminaram essa chance. “Desde que esses produtos passaram a ser obtidos seguindo-se essas regras não se observou mais nenhuma infecção viral”, comenta.

Já nos concentrados sintéticos recombinantes, a chance de transmissão de vírus é nula, pois eles são produzidos através de engenharia genética e não contêm nenhum vestígio sanguíneo.

O Sírio-Libanês está habilitado a atender pacientes com hemofilia que precisam passar por qualquer tipo de cirurgia ou internação, mas o tratamento é oferecido apenas pela rede pública de saúde.