Transfusão sanguínea deve ser feita com segurança e escolha correta do sangue

Oncologia
Fonte: Dr. Silvano Wendel, hemoterapeuta e diretor médico do Banco de Sangue do Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 21/07/2016
​A transfusão de sangue é um procedimento médico que consiste na transferência do sangue total ou de parte de seus componentes (hemocomponentes) de um doador para um receptor. Reconhecido pela qualidade do sangue transfundido, o Hospital Sírio-Libanês tem-se destacado por realizar transfusões complexas, como aquelas que necessitam de grandes volumes de sangue ou para pacientes cujo organismo se mostra incompatível com a maioria dos doadores disponíveis.A cada mês, o Hospital Sírio-Libanês realiza transfusões em aproximadamente 200 pacientes. A maioria deles são:Pessoas em tratamento contra o câncer.Internados em unidade de terapia intensiva (UTI).Pacientes que passaram por cirurgia.As transfusões ajudam essas pessoas a restaurar os níveis dos hemocomponentes necessários para o pleno funcionamento do organismo, melhorando assim, por exemplo, o transporte de oxigênio para as células, a imunidade e a capacidade de coagulação sanguínea, a depender do componente que foi transfundido.Hemoterapeuta e diretor médico do Banco de Sangue do Hospital Sírio-Libanês, o dr. Silvano Wendel conta que alguns pacientes, principalmente aqueles que sofrem traumas em decorrência de acidentes, podem precisar de volume de sangue equivalente a até cinco vezes o total que têm no corpo.Ou seja, se o sangue representa 7% a 8% do corpo humano, uma pessoa com 75 quilos, por exemplo, possui em circulação cerca de seis litros de sangue e, em caso de acidente, poderia precisar, eventualmente, de até 30 litros de sangue durante uma transfusão.Para suprir essas e outras demandas, o Hospital Sírio-Libanês criou em 1983 um programa que promove o recrutamento de doadores regulares. Essa iniciativa deu origem ao Clube dos Doadores, que hoje conta com aproximadamente 6 mil pessoas que fazem doação de sangue e seus componentes regularmente. Qualquer pessoa que realiza uma doação de sangue para o hospital já passa a pertencer a esse grupo em sua próxima doação. O Clube de Doadores procura também por voluntários em empresas, promovendo campanhas periódicas no próprio local.Segurança nas transfusõesAlém de criar um grupo que mantém o hospital abastecido de sangue, o Sírio-Libanês se preocupa com a segurança desse insumo.Segundo explica o dr. Wendel, todo sangue é rigorosamente testado para se identificar qualquer doença transmissível durante uma transfusão. Entretanto, existe um período, denominado janela imunológica, durante o qual os exames podem não revelar infecções para alguns agentes infecciosos, como o vírus HIV e o das hepatites. Isso pode ocorrer em casos de infecção recente e variar de uma pessoa para outra.“Por isso, a importância de sempre dizer a verdade nas entrevistas pré-doação, o que é a regra entre nossos doadores, pois eles doam sangue há muito tempo e sabem do impacto que isso pode ter na vida de outras pessoas”, acrescenta.Para minimizar ao máximo esse risco, o Hospital Sírio-Libanês aprofunda a investigação e busca identificar a presença do material genético desses vírus antes que o organismo tenha tido tempo de reagir a ele. A pesquisa do material é feita por polimerase chain reaction (PCR). Esse exame diminui para poucos dias o período em que as infecções ficam indetectáveis.Em busca do sangue certoExistem mais de 30 grupos sanguíneos diferentes entre os seres humanos, sendo os grupos A, B e O os mais conhecidos. Cada grupo sanguíneo carrega na superfície do glóbulo vermelho uma série de proteínas que diferenciam os indivíduos.Antes de cada transfusão, realiza-se a tipagem do sangue do receptor, que identifica suas características. Na sequência, o sangue é testado juntamente às amostras dos sangues disponíveis no banco de sangue para a transfusão (que reconhece as características do sangue do receptor).Reações transfusionais podem ocorrer, mesmo com todos os cuidados. Quando há certo grau de incompatibilidade, o paciente pode apresentar alguns sintomas como febre, dor no local da infusão, alterações respiratórias e na pressão arterial.Para esses pacientes, o Hospital Sírio-Libanês conta com uma equipe multidisciplinar preparada para reconhecer e cuidar dessas reações adversas e um serviço de imuno-hematologia que consegue identificar as necessidades sanguíneas de cada paciente e buscar, nos insumos armazenados ou com algum de seus vários doadores, o sangue certo a ser transfundido.Veja também outros diferencias do Banco de Sangue do Hospital Sírio-Libanês.