Tomados sem controle, medicamentos contra disfunção erétil podem ter efeitos colaterais graves

Urologia; Cardiologia; Oncologia
Fonte: Dr. Celso Gromatzky é membro do Núcleo Avançado de Urologia do Sírio-Libanês e coordenador da Unidade de Medicina Sexual da Faculdade de Medicina do ABC
Publicado em 26/11/2014
Disfunção Erétil

A criação de novos medicamentos, a partir do final da década de 1990, revolucionou o tratamento da disfunção erétil, um problema que afeta 45% dos homens brasileiros, segundo o Ministério da Saúde. O uso desses fármacos representa uma solução eficaz para cerca de 75% dos casos. Mas, se usados sem indicação e controle podem trazer graves danos à saúde, informa o dr. Celso Gromatzky, membro do Núcleo Avançado de Urologia do Sírio-Libanês.

O alerta é necessário porque esses medicamentos estão sendo indevidamente usados por homens que têm ereções normalmente, mas gostariam de melhorar sua performance sexual, ou por jovens que estão iniciando a vida sexual e se sentem inseguros.

Apesar de ajudar nesses casos, o uso descontrolado dos chamados inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (iF5) pode estar associado a um aumento dos efeitos colaterais, como dores de cabeça, dores de estômago e musculares, calor e rubor facial e até mesmo criar uma dependência psicológica do produto.

“Esses medicamentos não devem ser tomados por pessoas saudáveis, muito menos sem acompanhamento médico”, enfatiza o dr. Gromatzky.

Para o urologista, no entanto, a maior preocupação está no uso dos iF5 para “contrabalançar” o efeito de álcool e das drogas ilícitas, que coloca o indivíduo em uma situação de maior risco. “Pessoas com esse perfil necessitam de encaminhamento para atenção médica especializada”, ressalta.

Atenção para quem tem problema cardíaco ou respiratório

Os medicamentos contra disfunção erétil, se ingeridos por pacientes cardíacos que fazem uso de algum remédio à base de nitrato, podem causar uma queda súbita da pressão arterial, colocando a vida do paciente em risco. Mesmo os cardiopatas que não usam nitrato, assim como os homens com doenças respiratórias, devem procurar ajuda médica antes de começar a tomar os iF5, informa o dr. Gromatzky.

“É que muitos desses pacientes podem ter alguma limitação aos esforços físicos relacionados à atividade sexual, exigindo alguns cuidados especiais”, justifica.

No Brasil, os iF5 vendidos nas farmácias são: sildenafila (Viagra®), tadalafila (Cialis®), vardenafila (Levitra®) e iodenafila (Helleva®). Para pacientes com disfunção erétil que não respondem bem a esses medicamentos, existem alternativas, como injeções diretamente no pênis ou colocação de próteses penianas.

O Núcleo de Urologia do Sírio-Libanês está preparado para entender a origem da disfunção erétil e discutir a intervenção mais indicada para cada paciente. Com profissionais especializados em medicina sexual masculina, o serviço oferece exames diagnósticos e tratamentos para os distúrbios da ereção, da ejaculação, do orgasmo e das deformidades dos órgãos genitais masculinos, sejam elas congênitas, sejam adquiridas.

Em agosto, o Sírio-Libanês realizou o Simpósio Internacional de Câncer de Próstata , quando especialistas do Brasil e Estados Unidos discutiram amplamente a recuperação da função erétil após o tratamento do câncer.

O Núcleo de Urologia também atua em parceria com outras áreas da instituição, como o Centro de Diabetes e o Centro de Acompanhamento da saúde e Check-up , promovendo reuniões e ações de integração no campo da medicina sexual.