Teste aqui seu conhecimento sobre diabetes

Diabetes; Cardiologia; Obesidade e Transtornos Alimentares; Nefrologia e Diálise
Fonte: Dr. Antonio Roberto Chacra, endocrinologista no Hospital Sírio-Libanês e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
Publicado em 14/11/2016

“Doença invisível”

A data de 14 de novembro é considerada o Dia Mundial de Combate ao Diabetes em alusão ao aniversário do médico canadense Frederick Banting que, com o também canadense Charles Best, concebeu a ideia que levou à descoberta da insulina em 1921.

Para 2016, o tema escolhido pela SBD para o Dia Mundial de Combate ao Diabetes é a invisibilidade da doença, ou seja, o fato de que muitos casos de diabetes são assintomáticos.

Diversas campanhas de comunicação espalhadas pelo País reforçam nesta data a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do diabetes, lembrando que a doença, ao lado do câncer de próstata, faz parte do “Novembro Azul” — o mês da saúde do homem.

Semanas antes do Dia Mundial de Combate ao Diabetes, celebrado sempre em 14 de novembro, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) divulgou uma pesquisa mostrando que ainda existe um grande desconhecimento da população sobre essa doença.

De acordo com a pesquisa intitulada “Diabetes sem Complicações”, apenas 42% dos entrevistados souberam dizer que o diabetes pode provocar doenças cardíacas. De cada quatro participantes, aproximadamente um acredita que o diabetes é uma doença exclusivamente de idosos. Entre os entrevistados que têm diabetes, 18% não souberam dizer qual tipo de diabetes têm. A pesquisa teve a participação de 600 internautas de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Fortaleza, sendo 145 pacientes com diabetes.

Para o dr. Antonio Roberto Chacra, endocrinologista no Hospital Sírio-Libanês e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), essa pesquisa confirma a importância de termos um dia especial de conscientização sobre o diabetes. “Embora seja uma das doenças mais comuns do País, o diabetes não é bem conhecido por muitas pessoas”, comenta.

E você, conhece bem o diabetes?

Separamos abaixo algumas das principais dúvidas referentes a essa doença. Veja as perguntas e clique nelas para saber as respostas.

  • Quais as diferenças entre o diabetes tipo 1 e o tipo 2?

    O diabetes é uma doença caracterizada pela elevação da glicose (açúcar) no sangue, provocada por defeitos na secreção ou na ação do hormônio insulina, que é produzido no pâncreas. Cerca de 90% dos casos de diabetes são do tipo 2, também conhecido como diabetes adquirido. Esse tipo de diabetes está relacionado a obesidade, sedentarismo e alimentação inadequada. “Devido a esses fatores, o organismo não consegue usar adequadamente a insulina que produz; ou não produz insulina suficiente para controlar a taxa de glicemia no sangue”, explica o dr. Chacra. Já o diabetes tipo 1 representa aproximadamente 10% do total de casos de diabetes e caracteriza-se pela dependência de insulina. “Nesse tipo de diabetes há uma baixa produção de insulina pelo pâncreas, pois o organismo passa a atacar equivocadamente as células que produzem insulina”, compara o médico.

  • Crianças podem ter diabetes?
    Sim, principalmente o diabetes tipo 1. O diabetes tipo 2, por sua vez, é mais comum a partir dos 40 anos de idade. No entanto, como a obesidade, o sedentarismo e a alimentação inadequada (rica em gorduras, açúcar, sódio e produtos industrializados) têm-se tornado cada vez mais comuns na infância, observa-se também casos de diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes, com sintomas aparecendo geralmente depois dos 12 anos de idade.

  • Quais possíveis consequências do diabetes?

    O diabetes pode causar doenças cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral; insuficiência renal e até cegueira. “A alta taxa de glicose no sangue (hiperglicemia), provocada pelo diabetes, acarreta problemas de vascularização e lesões nas artérias. Por isso essa doença apresenta sequelas em vários órgãos”, explica o dr. Chacra. No entanto, segundo o endocrinologista, isso ocorre apenas a longo prazo e quando o diabetes não é controlado, ou seja, quem segue o tratamento correto com medicamentos e estilo de vida saudável reduz muito esses riscos.

  • Como você pode saber se tem diabetes ou tendência para desenvolvê-lo?

    Converse com seu médico. O exame de glicemia de jejum é o mais utilizado para medir o nível de glicose no sangue e diagnosticar o diabetes. Pode ser solicitado também o teste de curva glicêmica, que consiste em repetidos exames de sangue após a ingestão de um xarope de glicose. Já a tendência ao diabetes, também conhecida como pré-diabetes, está relacionada a pessoas acima do peso, com mais 40 anos de idade e com histórico de diabetes na família. De acordo com estimativas da SBD, mais de 35 milhões de brasileiros têm pré-diabetes, sendo que aproximadamente 25% se tornarão diabéticos nos próximos três a cinco anos.

  • Quais os sintomas do diabetes?

    Embora nem sempre apresente sintomas, alguns possíveis sinais do diabetes tipo 1 são: sede, vontade de urinar acima do normal, fome excessiva, emagrecimento e fraqueza. Já o diabetes tipo 2, além de sede e vontade de urinar, pode provocar dores nas pernas, vista embaçada e inflamações nos órgãos genitais masculino e feminino. “Os sinais do diabetes tipo 1 geralmente surgem num período curto, ou seja, em dias ou semanas, enquanto que os do tipo 2 podem demorar até anos para aparecerem”, compara o dr. Chacra.

  • Pessoas com diabetes podem comer doce?

    Se estiverem dentro de um planejamento alimentar combinado com exercícios físicos, os doces podem sim ser consumidos por pessoas com diabetes. Aqueles que têm diabetes tipo 1 muitas vezes até precisam ingerir doces para regular a taxa de glicemia no sangue, quando está abaixo do nível normal (hipoglicemia). A dica importante, porém, é comer doces em pequenas porções e dentro de uma dieta que não exceda a quantidade de açúcar recomendada pelo médico.

  • Existe medicamento para prevenir o diabetes?

    A melhor forma de prevenir o diabetes é perder peso, se estiver acima do peso; praticar atividade física regularmente; evitar o estresse e seguir uma dieta equilibrada. Em alguns casos, porém, pode ser receitado de forma preventiva o medicamento metformina, também usado no tratamento da doença. No entanto, o dr. Antonio Roberto Chacra explica que esse medicamento antidiabético “não faz milagre”, ou seja, seguir um estilo de vida saudável é essencial para evitar essa doença.

  • Diabetes tem cura?

    Não. Para o diabetes tipo 1, vem sendo estudada uma terapia com células-tronco em pacientes recém-diagnosticados com a doença, mas ainda não há resultados conclusivos sobre a eficácia dessa terapia. Já para o diabetes tipo 2, os estudos com a cirurgia de redução de estômago (gastroplastia) têm mostrado bons resultados. No entanto, o dr. Chacra explica que a cirurgia usada contra o diabetes parece fazer a doença “desaparecer por um tempo”, mas não ser extinta. “Se o paciente, mesmo após a cirurgia, voltar a engordar, existe a chance de o diabetes regressar também”, comenta.

O Hospital Sírio-Libanês conta com um Centro de Diabetes. Esse serviço reúne médicos endocrinologistas, nefrologistas, oftalmologistas, nutricionistas, enfermeiros, psicólogos, entre outros profissionais, especializados nessa doença. Eles oferecem atendimento aos pacientes internados e desenvolvem programas de prevenção, acompanhamento e tratamento para o diabetes do tipo 1 e 2 para quem tiver interesse.

O acompanhamento nutricional aos pacientes do Centro de Diabetes visa, por exemplo, ensiná-los a contar a quantidade de açúcar e carboidratos ingeridos diariamente. Para quem necessita de bomba de infusão de insulina, esse serviço oferece uma equipe de enfermagem para auxiliá-lo. Se houver necessidade, os pacientes podem ser encaminhados também para outros núcleos e centros do hospital, como de Cardiologia, Obesidade e Transtornos Alimentares ou para o Programa de Transplante de Rim/Pâncreas.