Tecnologia torna tratamento de tumores cerebrais mais seguros

Oncologia
Fonte: Dr. Roger Schmidt Brock, neurologista no Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 03/04/2017

O tumor cerebral se caracteriza pelo crescimento anormal de células dentro do crânio que costuma levar à compressão ou à lesão de células localizadas no interior do crânio. Existem dois tipos de tumores cerebrais, os primários, que se originam de tecidos próprios do encéfalo e seus envoltórios, e os secundários, ou metastáticos, que tiveram origem em outros órgãos e tecidos corpóreos e se alojaram no cérebro após disseminação sanguínea.

Em adultos, os tumores cerebrais metastáticos são mais comuns do que os tumores cerebrais primários. “As metástases mais frequentes são de câncer de mama, pulmão e melanoma”, explica o dr. Roger Schmidt Brock, neurocirurgião no Hospital Sírio-Libanês. As metástases dos tumores de próstata, por serem ósseas, geralmente se localizam na calota craniana, e não no interior do cérebro.

Os tumores cerebrais primários podem ser benignos ou malignos. Os tumores mais comuns são os meningiomas, que acometem as membranas que envolvem o cérebro e os gliomas. Os gliomas se originam nas células gliais e, junto aos neurônios, constituem o sistema nervoso. Com diferentes formas e funções, essas células são responsáveis pela sustentação, pela proteção e pela nutrição dos neurônios. Os gliomas podem ser benignos, de crescimento lento, ou malignos, mais agressivos.

“Existem também tumores que se desenvolvem em áreas bem específicas do crânio, como os neurinomas do acústico. São tumores benignos que se originam no conjunto de nervos responsáveis pelo equilíbrio próximo ao nervo auditivo”, explica dr. Brock. Os primeiros sintomas geralmente são relacionados com perda de audição, barulhos no ouvido (zumbidos) ou falta de equilíbrio.

Todos os tumores, sejam eles benignos, sejam malignos, podem determinar diversos tipos de sintomas. Isso pode ocorrer por:

  • Compressão das estruturas cerebrais — a pessoa vai perdendo a força nos membros, a sensibilidade, podendo ocorrer perda de visão, do equilíbrio e do nível de consciência. Dependendo da área que está sendo comprimida, o paciente pode apresentar alterações de comportamento.
  • Crises convulsivas — o organismo reconhece o tumor como um corpo estranho e reage a ele com inflamação, gerando um quadro convulsivo.
  • Aumento da pressão intracraniana — nesse caso, o sintoma mais comum é a dor de cabeça, mas dependendo da localização do tumor outros sintomas podem ser percebidos, como alterações visuais e auditivas.

A presença de tumores cerebrais primários não tem relação com outras doenças. Também não existem dados que comprovem a ligação desses tumores com tabagismo, dieta desequilibrada ou falta de atividade física, por exemplo.

Tratamento dos tumores cerebrais

“A opção de tratamento depende do tipo de tumor, de sua localização e da resposta a outras terapias”, diz o dr. Brock.. Um tumor benigno, muitas vezes, pode ter como melhor conduta apenas a observação. É o caso dos meningiomas, que crescem muito lentamente, podendo permanecer muito tempo sem determinar sintomas.

Segundo o especialista, apenas tumores maiores, sintomáticos e que estejam localizados em áreas acessíveis do cérebro, tendem a ser operados. “Outros podem ser tratados com radioterapia e quimioterapia”, diz ele. Qualquer que seja a linha de tratamento adotada, o paciente é sempre avaliado e acompanhado por uma equipe multidisciplinar composta por um neurologista, um neurocirurgião e um oncologista. “Dessa forma, é possível definir um tratamento individualizado, considerando o tipo de tumor e as particularidades do paciente”, explica o médico.

Novas tecnologias

No caso de necessidade de uma cirurgia, novas tecnologias têm auxiliado o procedimento, como a realização da cirurgia com neuronavegador. Ele funciona como um sistema de GPS no qual qualquer instrumento cirúrgico pode ser anexado a uma antena e calibrado para informar ao neurocirurgião a exata localização da área a ser operada. Isso garante a remoção segura do tumor, diminuindo os riscos de sequelas neurológicas.

“Há também a possibilidade de monitorarmos a cirurgia com o uso da ressonância intraoperatória, em que a totalidade da remoção do tumor pode ser acompanhada, passa a passo, por exames de ressonância”, acrescenta o dr. Brock.

Algumas vezes, é necessário que o paciente participe da cirurgia, permitindo ao cirurgião avaliar suas funções neurológicas durante o ato operatório. Nesse caso, ele é inicialmente sedado e, depois de feita a incisão, despertado para que seja realizada uma série de testes de linguística e movimento. Esses testes são feitos por um neurologista ou um neuropsicólogo. Segundo o neurocirurgião, o intuito é mapear as áreas cerebrais, a fim de remover o tumor com segurança máxima, sem afetar as funções do cérebro.

Avanços também foram conquistados em terapias adjuvantes garantindo mais eficácia e segurança ao paciente. Uma das técnicas utilizadas é a radiocirurgia, ou cirurgia estereotáxica. Ela não é exatamente uma cirurgia em si, mas uma aplicação precisa e intensa da radiação. Assim, o tecido saudável que se localiza em volta do tumor recebe pouca ou nenhuma radiação. Ela é indicada em casos de tumores sensíveis ao tratamento e, em sua maioria, para tumores menores com até 3 cm.

O Hospital Sírio-Libanês conta com uma equipe de especialistas multiprofissionais e modernos aparelhos, como o neuronavegador e o aparelho de ressonância magnética, para a realização da cirurgia com monitorização intraoperatória. Sem o acesso a tais técnicas, a remoção do tumor fica mais limitada por conta do alto risco desse tipo de cirurgia, o que afeta a qualidade de vida do paciente.