Técnica de estimulação magnética transcraniana pode ser usada para tratamento da depressão

Dor e Distúrbios do Movimento
Fonte: Dr. Daniel Ciampi de Andrade, neurologista no Hospital Sírio-Libanês, Dr. Manoel Jacobsen, neurocirgião no Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 12/11/2015

​Pacientes que sofrem de depressão e não apresentam resposta satisfatória com o uso das terapias convencionais já contam com mais uma opção de tratamento. Trata-se da estimulação magnética transcraniana (EMT), técnica aprovada em 2012 pelo Conselho Federal de Medicina como prática médica no Brasil.

Segundo dados do Ministério da Saúde, a depressão afeta hoje cerca de 10 milhões de brasileiros, com maior prevalência nas faixas etárias mais elevadas. Até 2030, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a depressão ocupará a posição de doença mais comum no mundo.

“A vantagem da EMT está no fato de ela ser uma técnica não invasiva e totalmente indolor, permitindo a exploração, a ativação ou a inibição das funções cerebrais de maneira segura”, explica o dr. Manoel Jacobsen, neurocirurgião no Hospital Sírio-Libanês.

O sucesso do tratamento é medido pela redução ou pelo desaparecimento dos sintomas da depressão. De acordo com os resultados, pode ser também possível reduzir ou até mesmo suspender os medicamentos antidepressivos.

Como é feita a estimulação

Na EMT, uma bobina semelhante a um capacete é colocada sobre a cabeça do paciente. Esse equipamento emite pulsos magnéticos que atuam sobre o cérebro de maneira focalizada, criando um campo magnético que irá penetrá-lo, sem necessidade de corte e sem causar dor.

O tratamento é realizado em sessões que duram, em média, 15 minutos. “Na primeira semana de tratamento, na chamada fase de indução, as sessões são realizadas diariamente. Depois, passam a ocorrer uma vez por semana; em seguida, quinzenalmente; e, por fim, mensalmente, nas chamadas sessões de manutenção”, explica o dr. Jacobsen.

Durante a aplicação, o paciente permanece acordado e pode voltar para casa ao término da sessão. A estimulação é feita em uma área específica do córtex e depende do objetivo do procedimento. Os estímulos aumentam ou diminuem a atividade da área cerebral atingida, dependendo da frequência dos pulsos.

Para cada doença está estabelecido um protocolo de aplicação (parâmetros de estimulação, direção de posicionamento da bobina no crânio, intensidade do estímulo magnético, tempo médio de sessões e tratamento).

A técnica, segundo dr. Daniel Ciampi de Andrade, neurologista clínico no Hospital Sírio-Libanês, é segura e não apresenta mínimos efeitos colaterais. Alguns pacientes relatam apenas certo desconforto durante a aplicação. “Diferentemente de outras terapias, ela não acarreta prejuízos à cognição”, diz ele.

O Hospital Sírio-Libanês possui um Núcleo Avançado de Dor e Distúrbios do Movimento que oferece acompanhamento e orientação aos pacientes que desejam se submeter à estimulação magnética transcraniana.

Além de tratar a depressão, a técnica já foi também aprovada para o tratamento da esquizofrenia, o planejamento de cirurgias neurológicas e pesquisas.