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Hospital Sírio-LibanêsSua SaúdeSucesso na vacinação protege Brasil contra novos casos de poliomielite

Sua Saúde

Sucesso na vacinação protege Brasil contra novos casos de poliomielite

 
Fonte: Dr. Maria Zilda de Aquino, médica pediatra, infectologista e coordenadora do Centro de Imunizações do Sírio-Libanês
Publicado em 11/11/2014
Vacina contra Poliomelite

​Um dos subtipos do vírus causador da poliomielite, também conhecida por paralisia infantil, foi encontrado recentemente no sistema de esgoto do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP). A notícia colocou em questão a erradicação da doença no Brasil, mas o Ministério da Saúde correu para acalmar a população.

Segundo o governo, apesar de ganhar notoriedade no final de junho, a descoberta do vírus da pólio ocorreu em março, durante um monitoramento de rotina da Organização Mundial da Saúde (OMS). A pasta informa que não há qualquer relação com a vinda de milhares de estrangeiros ao País para o torneio mundial de futebol.

A pólio também pode afetar adultos

Apesar de ser mais comum em crianças com até 3 anos de idade, a poliomielite também pode afetar adultos. Algumas personalidades mundiais atingidas pela doença, por exemplo, foram o ex-presidente dos Estados Unidos Franklin Roosevelt, a pintora mexicana Frida Kahlo e o cineasta norte-americano Francis Ford Coppola.

O vírus entra no corpo através da boca e depois se multiplica no intestino, podendo ou não causar paralisia. Os principais sintomas da doença são febre, fadiga, dores de cabeça, vômito, rigidez no pescoço e dores nos membros.

O diagnóstico é feito por meio de exames clínicos e laboratoriais, com a pesquisa do vírus nas fezes. Não existe tratamento específico, mas alguns cuidados são indispensáveis para controlar as complicações, como repouso, tratamento dos sintomas e acompanhamento ortopédico e fisioterápico.

A pólio é transmitida por via fecal-oral, ou seja, o vírus causador da doença é eliminado pelas fezes do portador, sendo ingerido pelo indivíduo sadio por meio de alimentos contaminados ou ao levar a mão à boca.

Após a infecção, o vírus pode atingir o sistema nervoso central e provocar paralisia flácida nos membros inferiores.

No mundo, de acordo com a OMS, cerca de 20 países da Ásia e da África ainda registram infecções, sendo que em quatro deles a doença é endêmica: Afeganistão, Índia, Nigéria e Paquistão. No Brasil, desde 1994 não há registros de novas infecções.

A dra. Maria Zilda de Aquino, coordenadora do Centro de Imunizações do Sírio-Libanês, explica que com a alta cobertura vacinal no Brasil, sobretudo no estado de São Paulo, a transmissão da doença está controlada e praticamente não há riscos de contágio.

“Casos como esse no aeroporto de Campinas já aconteceram outras vezes e não representam o ressurgimento da doença”, acrescenta.

Gotinha ou injeção: fique atento com a vacinação

Existem dois tipos de vacinas contra a paralisia infantil: a Sabin, de uso oral, e a Salk, injetável. Elas receberam esses nomes em homenagem a seus criadores, Albert Sabin e Jonas Edward Salk, ambos norte-americanos.

A primeira é aquela das gotinhas, usada pelo Ministério da Saúde em campanhas. Sua maior vantagem é a facilidade de administração. No entanto, por conter vírus vivos atenuados, não é indicada para imunodeficientes (como doentes com aids ou câncer) ou pessoas que tenham contato frequente com imunodeficientes. Já a segunda é de administração intramuscular (injeção). Por conter vírus inativados, é a mais indicada para pacientes com o sistema imunológico debilitado, assim como para as primeiras doses da vacinação.

O Brasil já oferece gratuitamente a vacina com o vírus inativado da pólio (Salk) nas duas primeiras doses e se prepara para nos próximos anos adotá-la em todo o ciclo vacinal, deixando assim de usar a vacina com o vírus vivo atenuado (Sabin).

Grande defensora das iniciativas de imunização, a dra. Maria Zilda acredita que pela erradicação da varíola em todo o mundo e pela erradicação da pólio no Brasil e na maioria dos outros países, a vacinação deve ser considerada “uma das melhores criações da humanidade”.

As duas vacinas são indicadas a partir dos 2 meses de idade, em esquema de três doses (2, 4 e 6 meses) e dois reforços (15 meses e depois entre 4 a 6 anos). Elas apresentam imunidade em 95% dos vacinados após duas doses e 99% a 100% após três doses. Saiba mais aqui.