Síndrome do pânico requer também cuidados cardiológicos

Cardiologia
Fonte: Dr. Fábio Sândoli de Brito, médico cardiologista e coordenador dos serviços de holter e looper do Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 10/05/2016

Só quem tem síndrome do pânico sabe o quanto esse problema é angustiante. A pessoa tem uma crise de ansiedade aguda e intensa acompanhada de sintomas físicos e muitas vezes tem a impressão de que vai morrer de ataque cardíaco, pois o coração dispara, sente falta de ar, pressão ou dor no peito, palidez, sudorese e tremores. Apesar de se tratar de um transtorno psiquiátrico, os cuidados de um cardiologista são essenciais.

A síndrome do pânico (ou transtorno do pânico) pode ter como origem situações extremas de estresse, como crises financeiras, brigas ou mortes na família, abuso sexual na infância ou depois de assaltos e sequestros.

Diante de uma crise, a pessoa com síndrome do pânico se sente ameaçada, mas não entende as causas nem sabe como reagir ao problema. “Ela junta todas suas reservas para empreender uma fuga desesperada contra algo que ela não vê e não sente, na verdade”, relata o dr. Fábio Sândoli de Brito, cardiologista no Hospital Sírio-Libanês. “Dentro desse processo, doses de adrenalina são descarregadas na corrente sanguínea, provocando elevação da frequência cardíaca, descontrole respiratório e até desmaio, o que cria uma sensação bastante real de um problema cardíaco”, explica o médico.

O tratamento da síndrome do pânico geralmente se inicia com suporte psiquiátrico. Medicamentos psicotrópicos (que agem no sistema nervoso central), ansiolíticos, antidepressivos, entre outros, podem ser indicados pelo médico para enfrentar o quadro de pânico. O tempo de tratamento (psicoterapia e medicamentoso) vai depender da intensidade da doença em cada pessoa, podendo variar de meses a anos, sendo que se trata de um problema que pode ser controlado, mas não existe a cura por completo.

No entanto, como é o coração que muitas vezes está no centro das preocupações desses pacientes, uma rigorosa avaliação cardiológica deve sempre ser lembrada para tranquilizar o paciente. “Ao passar por uma consulta com um cardiologista e realizar exames específicos, percebendo que não tem nada de anormal no coração, esses pacientes tendem a tomar consciência que se trata de um quadro psicossomático e se sentem mais calmos”, conta o dr. Sândoli.

Tratamento multidisciplinar

O tratamento contra a síndrome do pânico exige muitas vezes um cuidado multidisciplinar, envolvendo, além do psiquiatra, um cardiologista. Referência internacional em cardiologia, o Hospital Sírio-Libanês oferece aos pacientes com síndrome do pânico exames de eletrocardiograma, ecocardiograma, holter de 24 horas e teste de esforço.

Para avaliações mais detalhadas, pode ser solicitado pelo cardiologista ou pelo clínico geral também a monitorização de eventos eletrocardiográficos (loop event recorder — looper). Nesse exame, dois eletrodos são fixados no tórax do paciente e passam a registrar diariamente seu batimento cardíaco por meio de um programa eletrônico com acesso pela internet. Caso o paciente tenha algum sintoma ou entre em crise de pânico, ele pode acionar um botão de urgência que envia mensagem à equipe médica para acompanhar o registro do eletrocardiograma ao vivo.

“O fato de o paciente ter seu coração examinado no momento exato da crise representa muito para que ele adquira autoconfiança e se afaste do pânico”, explica o dr. Sândoli. “Isso ajudará a convencê-lo de que seu coração é saudável ou, eventualmente, de que precisa de algum cuidado psiquiátrico adicional”, acrescenta.

O Hospital Sírio-Libanês conta em seu corpo clínico com médicos psiquiatras e cardiologistas especializados em síndrome do pânico. Conheça outros serviços cardiológicos oferecidos pelo nosso Centro de Cardiologia.