O Sono na Pandemia

 
Fonte: Dr. Mauricio Bagnato
Publicado em 18/03/2021
Sono da Pandemia

O Dia Mundial do Sono, 19 de março, reconhecido pela World Sleep Society, tem como slogan deste ano: “Sono Regular, Saúde Futura”.

Tendo em vista o momento dramático em que nos encontramos, faremos algumas considerações sobre o Sono na Pandemia nesta data.

A pandemia ocasionada pelo vírus SARS-CoV-2, que estamos atravessando há aproximadamente um ano, vem mudando hábitos e costumes do nosso cotidiano. Vários autores têm observado uma elevação significativa nas alterações de ordem psíquica da população.

O sono é um período, dentro das 24hs do nosso ciclo circadiano, que sofre grande influência frente a flutuações emocionais, bem como ao stress ocasionado por várias patologias e a mudanças comportamentais. Cada faixa etária tem sua peculiaridade quanto aos padrões de sono. Os adolescentes, em especial, além do stress causado pela situação atual e a ausência de aulas presenciais, tem tendência em dormir e acordar mais tarde, um fenômeno chamado atraso de fase do sono, muitas vezes associado a atual ampla disponibilidade de mídias eletrônicas, como as redes sociais, a internet, os jogos eletrônicos e até mesmo as séries televisivas. Esse contato com a emissão luminosa noturna inibe um hormônio chamado melatonina, um importante promotor de sono. Há, como consequência, a substituição da luz natural, da qual todos nós deveríamos ser expostos durante o dia (luminosidade solar), por luzes artificiais emitidas durante a noite, resultando na tendência de “troca do dia pela noite”, típica do adolescente e intensificada durante a pandemia. Por outro lado, os idosos, atingidos pelo stress do confinamento, muitas vezes apresentam atraso no diagnóstico e no tratamento de doenças, que, em muitos casos, provocam dor ou desconforto. Todos esses fatores resultam na piora da qualidade de sono da população.

Da mesma forma, em todas as faixas etárias têm ocorrido elevação de peso, devido ao aumento da ingestão calórica, combinada, eventualmente a redução da atividade física, facilitando o desenvolvimento de patologias como a Apneia do Sono, além de doenças musculoesqueléticas que ocasionam dor, doenças metabólicas e cardiocirculatórias.

Todo este cenário piorou a qualidade global do sono. Medidas de higiene do sono, como restrição a luz artificial noturna e a maior exposição a luz natural diurna, principalmente no período da manhã, associada a regularidade nos horários de dormir e acordar, podem melhorar o padrão de sono. Ademais, tratamento psicológico/psiquiátrico e técnicas de relaxamento podem também vir a auxiliar. Medidas gerais, tais como, adesão a atividades físicas durante o período diurno e ajuste ao tratamento de doenças crônicas e da obesidade, também são muito bem-vindas ao equilíbrio do sono.