Novos tratamentos ampliam cuidados contra dor de cabeça

Dor e Distúrbios do Movimento
Fonte: Dr. Daniel Ciampi de Andrade, neurologista no Núcleo Avançado de Dor e Distúrbios do Movimento do Hospital Sírio-Libanês.
Publicado em 29/11/2017

Analgésicos, medicamentos triptanos (que agem no neurotransmissor cerebral serotonina), antidepressivos, acupuntura, mudança alimentar… Existem diversos tipos de tratamento contra a cefaleia, mas para muitas pessoas nenhum deles funciona bem. A boa notícia é que novos recursos estão surgindo e ampliando cada vez mais as chances de controle da dor de cabeça.

A estimulação occipital é uma das principais novidades oferecidas pelo Hospital Sírio-Libanês para tratar a cefaleia crônica. Pequenos eletrodos ligados a um marca-passo são implantados abaixo da pele, nas regiões da cabeça, da nuca ou do pescoço, e emitem estímulos elétricos que atuam nos nervos, aliviando a dor. “O eletrodo pode acompanhar o paciente por toda a vida, pois o implante é quase imperceptível”, explica Dr. Daniel Ciampi de Andrade, neurologista no Núcleo Avançado de Dor e Distúrbios do Movimento do Hospital Sírio-Libanês.

O implante do gerador de estimulação occipital é um procedimento ambulatorial feito com anestesia local e sem riscos para o paciente.

Outro recurso que também vem sendo bastante utilizado nos últimos anos para tratar dores de cabeça, principalmente nos casos de enxaqueca crônica, é a toxina botulínica. Essa substância é aplicada sob alguns pontos da face, do pescoço e do ombro, e age bloqueando a sensibilidade de alguns nervos e músculos ligados à dor. “A aplicação dura aproximadamente dez minutos, não provoca muito incômodo e tem se mostrado bem eficaz para vários pacientes”, avalia Dr. Andrade.

Geralmente, uma aplicação de toxina botulínica ou duas, que podem ser repetidas após quatro meses aproximadamente, já são suficientes para aliviar a enxaqueca nos pacientes que tiverem a recomendação desse tratamento. Em alguns casos, após o procedimento, o controle da enxaqueca se torna possível apenas com analgésicos ou outros medicamentos orais.

Medicamentos em teste

Em breve, o arsenal terapêutico contra a cefaleia deve contar também com outra classe promissora de medicamentos. Segundo Dr. Andrade, estão em fase final de pesquisa um grupo de remédios de uso oral ou injetável que age bloqueando a atividade de uma proteína chamada peptídeo. Essa proteína é o ator principal da via reflexa da face e está relacionada ao início da dor de cabeça. “Em 2018 ou 2019 já devemos ter esses medicamentos disponíveis no mercado”, diz o neurologista.

No Brasil, aproximadamente 76% das mulheres e 57% dos homens sentem dor de cabeça pelo menos uma vez ao mês. A enxaqueca, que geralmente se manifesta com dores de um lado da cabeça e flashes de luz, atinge 16% das mulheres e 6% dos homens, segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Cefaleia.

A maior suscetibilidade das mulheres às dores de cabeça está relacionada a fatores biológicos, como as disfunções hormonais durante os períodos do ciclo menstrual e da menopausa.

O Núcleo de Dor e Distúrbios do Movimento do Hospital Sírio-Libanês oferece tratamento multiprofissional contra a cefaleia e a enxaqueca, envolvendo especialistas da área médica, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, entre outros. Todos eles são treinados e formados para cuidar de pacientes com dor crônica, proporcionando cuidado individualizado para cada paciente.

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