Mitos e verdades sobre a vacinação

Imunizações
Fonte: Dra. Maria Zilda de Aquino, infectologista pediátrica e responsável técnica pelo Centro de Imunizações do Hospital Sírio-Libanês; e dra. Vivian Avelino-Silva, médica infectologista e docente do programa de pós-graduação do Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 12/04/2017

O Brasil tem registrado uma grande demanda por vacinações, como contra a gripe, a caxumba, o HPV e a febre amarela. No entanto, ainda existem muitas pessoas que contestam a importância da imunização e afirmam que vacinar pode provocar problemas de saúde, o que não é verdade. Na história da saúde pública brasileira, a Revolta da Vacina - violenta manifestação popular ocorrida no Rio de Janeiro em 1904 contra a imunização obrigatória da varíola - mostrou bem os efeitos positivos da vacinação. Já naquela época, o governo conseguiu controlar a revolta e erradicou a varíola - doença contagiosa, caracterizada por febre e lesões cutâneas -, por meio da vacinação em massa.

Ainda hoje, no entanto, volta e meia surgem falsas histórias de que as vacinas provocam danos maiores do que seus possíveis benefícios. "Os feitos alcançados por algumas vacinas estão entre os maiores avanços em saúde já conquistados pelo homem", comenta a dra. Maria Zilda de Aquino, infectologista pediátrica e responsável técnica pelo Centro de Imunizações do Hospital Sírio-Libanês.

Além da varíola, o Brasil, por meio do seu prestigiado Programa Nacional de Imunizações (PNI), já conseguiu praticamente erradicar a poliomielite e diminuir drasticamente os casos e mortes relacionados a sarampo, rubéola, tétano, difteria e coqueluche. Por ano, o País distribui mais de 300 milhões de doses de vacinas no território nacional.

Segundo a dra. Maria Zilda, no entanto, o mundo passa por um momento de escassez de algumas vacinas. As vacinas pentavalente (protege contra difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus B e poliomielite); hexavalente (protege contra essas mesmas doenças e ainda contra a hepatite B); a vacina contra a meningite B e a vacina contra a gripe, por exemplo, estão constantemente com falta de abastecimento no mercado nacional e internacional. "Acredita-se que os insumos utilizados nessas vacinas não estejam sendo produzidos na mesma quantidade que suas demandas", comenta a médica. "Os fabricantes, no entanto, informam que a partir de julho a situação deve ser normalizada", acrescenta.

Conheça abaixo alguns mitos e verdades sobre a vacinação:

Vacinas podem causar efeitos colaterais.
VERDADE -
Toda vacina pode provocar reações indesejáveis, como manchas e coceira na pele, inchaço nos lábios e nas pálpebras, dificuldade para respirar, dor ou inflamação no local da aplicação. Diante de qualquer sintoma anormal, procure um médico.

Para doenças que nem sempre são severas, como catapora, a vacinação não é necessária.
MITO -
Todas as doenças infecciosas preveníveis por vacinação são potencialmente graves, com registro de hospitalizações, sequelas ou óbitos, mesmo a catapora. "Vacinar contra essas doenças vale a pena", comenta a dra. Vivian Avelino-Silva, médica infectologista e docente do programa de pós-graduação do Hospital Sírio-Libanês.

Gestantes, bebês e pessoas imunodeprimidas (pacientes com aids, que passaram por transplante, em tratamento oncológico, entre outros) nunca devem ser vacinados.
MITO -
Algumas imunizações, sobretudo aquelas feitas com vírus vivos atenuados, como a vacina contra a varicela, o sarampo e a febre amarela, podem ser contraindicadas para essas pessoas. No entanto, existem outras vacinas, como a da gripe, da pneumonia e do tétano - produzidas por vírus ou bactérias inativados -, que são indicadas e seguras mesmo para pessoas com o sistema imune debilitado. Se você estiver nessas condições, consulte um médico e veja quais vacinas tomar.

O mercúrio contido nas vacinas faz mal à saúde.
MITO -
O mercúrio é usado como conservante, sempre em pequenas quantidades, nos frascos que contêm várias doses de vacinas. O objetivo é evitar a contaminação por fungos, bactérias e outros microrganismos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a utilização desse conservante por considerar o mercúrio seguro e não cumulativo, já que o organismo o elimina rapidamente após a aplicação da vacina.

Pessoas alérgicas a ovo não devem tomar vacina contra gripe.
VERDADE -
No processo de produção das vacinas contra a gripe existe uma etapa em que os vírus crescem em ovos embrionados e isso pode levar partes proteicas dos ovos para a vacina. Em alguns casos de pessoas muito vulneráveis à gripe, porém, o médico pode indicar a vacinação mesmo com risco de alergia. Nesses casos, a vacinação deve ser feita por um centro de saúde especializado.

Quanto mais fortes forem as reações da vacina, mais protegida a pessoa estará.
MITO -
A eficácia das vacinas não está relacionada à intensidade de seus efeitos colaterais. No geral, as vacinas provocam cada vez menos efeitos colaterais.

Tomar a mesma vacina duas vezes não faz mal.
VERDADE -
Se você não lembra se foi imunizado contra alguma doença e perdeu sua carteirinha de vacinação, recomenda-se procurar um centro de imunizações. "Profissionais habilitados irão orientá-lo sobre quais vacinas devem ser tomadas e seus possíveis efeitos colaterais", comenta a dra. Vivian.

Diferenciais do Centro de Imunizações do Hospital Sírio-Libanês

O Centro de Imunizações do Sírio-Libanês tem-se destacado pela individualização do atendimento. Além do atendimento regular a qualquer pessoa que procure o serviço, o Centro está bem preparado para receber também pacientes que necessitem de cuidados específicos, como os internados, em tratamento oncológico, em uso de corticoides, entre outros.

"A gente analisa caso a caso para saber se há riscos acrescidos de reação ou se a vacina pode interferir no efeito de outros medicamentos em uso", observa a dra. Maria Zilda de Aquino.

Os profissionais do Centro de Imunizações do Sírio-Libanês, sempre que julgam necessário, entram em contato com os médicos desses pacientes para discutir os benefícios e possíveis riscos das vacinas. "Muitas vezes infectologistas e oncologistas trabalham em conjunto", exemplifica a dra. Maria Zilda.

Veja aqui alguns exemplos de vacinas que devem ser tomadas por jovens e adultos.