Mitos e verdades sobre a suplementação de magnésio

Oncologia
Fonte: Dr. José Luiz Alvim Borges, coloproctologista, gastroenterologista e integrante da Comissão de Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional do Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 30/06/2016

​Uma pesquisa inédita, feita com 1.007 pessoas e divulgada no final de 2015, mostrou que 54% dos brasileiros fazem uso de algum tipo de suplemento alimentar. Segundo esse estudo encomendado por organizações que atuam no setor alimentício, entre elas a Associação Brasileira das Empresas de Produtos Nutricionais (Abenutri), a maioria daqueles que fazem suplementação alimentar busca melhorar a saúde ou a performance em atividades físicas.

Dentro desse contexto de consumo, tem-se destacado nos últimos anos a procura pelas “superpílulas” de magnésio. Esse importante mineral atua no processo de metabolismo do organismo, na formação de ossos e músculos e até na prevenção de algumas doenças. No entanto, na maioria das vezes é tomado de forma errada.

Para conhecermos mais sobre a real importância da suplementação do magnésio, conversamos com o dr. José Luiz Alvim Borges, integrante da Comissão de Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional do Hospital Sírio-Libanês.

Veja a seguir alguns mitos e verdades sobre a suplementação do magnésio e outros minerais:

Alimentos ricos em magnésio

  • 28 g de amêndoas = 80 mg de magnésio
  • Meio copo de espinafre cozido = 78 mg de magnésio
  • 28 g de castanha-de-caju = 74 mg de magnésio
  • Meio copo de feijão cozido = 60 mg de magnésio
  • 2 fatias de pão integral = 46 mg de magnésio
  • Meio copo de arroz integral = 42 mg de magnésio
  • 1 banana de tamanho médio = 32 mg de magnésio
  • 100 g de peito de frango = 22 mg de magnésio
  • Meio copo de brócolis cozidos = 12 mg de magnésio
  • 1 maçã de tamanho médio = 9 mg de magnésio

Fonte: National Institutes of Health (NIH) — Agência de saúde do governo dos Estados Unidos

Pessoas que vão à academia regularmente devem fazer reposição de magnésio.

MITO — A carência desse tipo de mineral é rara e quase nunca afeta pessoas saudáveis. Ter uma alimentação balanceada, rica em frutas e legumes, é suficiente para suprir os 420 mg de magnésio necessários pelo organismo diariamente.

Amêndoas são alimentos ricos em magnésio. Portanto, devo consumir esse alimento diariamente em grandes quantidades.

MITO — Embora seja rica em magnésio (veja ao lado), essa oleaginosa tem muitas calorias e, quando consumida em excesso, pode contribuir para o ganho de peso. Recomenda-se que o consumo de amêndoas não ultrapasse cinco unidades por dia.

Suplementação de magnésio diminui riscos cardiovasculares.

INDEFINIDO — Alguns estudos apontam para essa associação, mas um médico especializado (geralmente nefrologista ou nutrólogo) deve ser consultado para analisar quem realmente precisa desse tipo de suplementação e como isso pode ser feito.

Excesso de magnésio (hipermagnesemia) pode fazer mal à saúde.

VERDADE — Na maioria dos casos, o organismo se livra do excesso de magnésio e outros mineiras por meio da urina, mas diante de superdoses, algumas pessoas podem ter queda da pressão arterial, alterações na função renal, problemas respiratórios, parada cardíaca, entre outros problemas.

Suplementação de magnésio pode aliviar problemas musculares, aumentar a energia e auxiliar em problemas do sono.

INDEFINIDO — Essas associações foram feitas recentemente por um boletim divulgado pela Escola Médica de Harvard, dos Estados Unidos. No entanto, pesquisadores da própria instituição alertam que as deficiências de magnésio são raras e que ainda não há comprovação científica de que fazer a suplementação alimentar com esse mineral ajude as pessoas saudáveis.

Pessoas ativas, que trabalham e fazem atividade física podem estar com falta de magnésio e nem perceber.

MITO — Na maioria das vezes, esse problema costuma afetar indivíduos que tiveram diarreias muito intensas ou pacientes oncológicos em quimioterapia. Aqueles que estão vivendo normalmente, sem nenhum tipo de restrição física, dificilmente terão escassez de magnésio (hipomagnesemia) no organismo.

O Hospital Sírio-Libanês conta em seu corpo clínico com médicos e nutricionistas habilitados para fazer o diagnóstico e o tratamento de pessoas que tenham falta de magnésio e outros minerais.

Em alguns pacientes internados no Hospital Sírio-Libanês, como os oncológicos, a dosagem de magnésio, cálcio, ferro, fósforo, entre outros minerais, é feita constantemente por meio de exames de sangue. Se a perda desses minerais for grande, a equipe médica solicita a reposição por via oral ou intravenosa (parenteral).

O serviço de nutrição do Hospital Sírio-Libanês presta atendimento para todas as especialidades médicas a partir das necessidades de cada paciente. Ele atua de forma individualizada com o objetivo de recuperar ou manter o estado nutricional dos pacientes.