Mitos e verdades sobre a hipertensão, a doença com maior prevalência no Brasil

Cardiologia
Fonte: Dr. Décio Mion, nefrologista responsável pelo setor de Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial no Sírio-Libanês e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)
Publicado em 04/03/2015
Mitos e verdades sobre a hipertensão

A Pesquisa Nacional de Saúde 2013, divulgada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que 21,4% dos brasileiros com mais de 18 anos de idade já foram diagnosticados com hipertensão arterial.

Segundo explica o dr. Décio Mion, nefrologista responsável pelo setor de Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) no Sírio-Libanês e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), a hipertensão tem relação direta com nossa massa corporal. “Toda vez que engordamos, a pressão sobe. Se emagrecemos, a pressão baixa. Como a obesidade tem crescido no Brasil, aumentou-se então o número de casos de pressão alta”, comenta.

Veja a seguir alguns mitos e verdades sobre a doença com maior prevalência no Brasil:

10 mandamentos contra a pressão arterial

1- Meça a pressão pelo menos uma vez por ano.

2- Pratique atividade física todos os dias.

3- Mantenha o peso ideal, evite a obesidade.

4- Adote uma alimentação saudável: pouco sal, sem frituras e mais frutas, verduras e legumes.

5- Reduza o consumo de álcool. Se possível, não beba.

6- Fique longe do cigarro.

7- Nunca abandone o tratamento para a hipertensão. Uma vez diagnosticado como hipertenso, você deve ser acompanhado pela vida toda.

8- Siga as orientações de seu médico ou profissional da saúde.

9- Evite o estresse. Tenha tempo para a família, os amigos e o lazer.

10- Ame e seja amado.

Fonte: Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia

Cortando o sal de cozinha estou protegido contra a hipertensão Mito.

O problema está no cloreto de sódio, que não está presente apenas no sal de cozinha. Ele também está concentrado nos salgadinhos, no macarrão instantâneo, nas frituras, nos embutidos, nos enlatados e nos alimentos com conservantes. Recomenda-se um consumo diário de 5 g a 6 g de sal, mas o brasileiro consome em média 12 g. Não há necessidade de comer totalmente sem sal, mas é essencial não exagerar. (Veja ao lado os 10 mandamentos contra a hipertensão.)

Álcool não faz mal para quem tem hipertensão Mito.

Alguns estudos indicam que pequenas quantidades de álcool, como uma taça de vinho por dia, fazem bem ao coração. No entanto, o álcool aumenta a pressão arterial e é muito calórico, o que faz com que seu consumo em excesso contribua para o aumento de peso e dos níveis de triglicérides e de ácido úrico, dois fatores de risco para doenças cardiovasculares. “Os malefícios do álcool são maiores do que qualquer benefício que ele possa ter”, afirma o dr. Mion. Para quem tem hipertensão, a recomendação é não beber.

A hipertensão raramente apresenta sintomas Verdade.

Por isso ela é conhecida no meio médico por “assassina silenciosa”. Quem tem alguém na família com o problema deve medir a pressão a cada seis meses e, quem não tem, a cada ano. Às vezes, a pessoa se torna hipertensa e não sabe, mas está tendo seus vasos sanguíneos deteriorados pela doença. Ao longo dos anos, a pressão alta vai então aumentando os riscos para derrame, infarto e insuficiência renal.

A hipertensão é mais comum nos afrodescendentes Verdade.

Uma das hipóteses para isso, segundo o dr. Mion, é a desigualdade social. Ou seja, por questões econômicas, os afrodescendentes tendem a ser mais obesos e a consumir mais sal que os eurodescendentes. Outra hipótese é genética. De acordo com o médico, os escravos estiveram sujeitos à diarreia e à desidratação, além de privação de água e sal durante as viagens de navio da África para o Brasil. Aqueles que sobreviveram à travessia apresentaram uma resposta adaptativa para retenção de sódio e água em seus corpos, permitindo a sobrevivência durante o longo trajeto. No entanto, pessoas que retêm mais sódio no organismo – a maioria dos africanos que chegaram aqui – são mais suscetíveis à hipertensão.

A pressão pode subir na frente do médico Verdade.

Esse fenômeno é conhecido por “síndrome do avental branco”. “É quando a pessoa tem a pressão normal, mas diante de um médico ou de outro profissional da saúde se estressa e acaba apresentando elevação da pressão”, explica o dr. Décio Mion. Por isso é sempre conveniente confirmar a pressão alta com a Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA). Nesse serviço, oferecido pelo Sírio-Libanês, a pressão é medida a cada 20 minutos, durante 24 horas, confirmando ou descartando a hipertensão.

Os medicamentos usados contra a hipertensão afetam o desempenho sexual Mito.

No passado, alguns medicamentos poderiam ter efeitos nesse sentido, mas o tratamento oferecido atualmente não altera em nada o desempenho sexual.