Melhor controle da pressão arterial pode reduzir problemas cardíacos

Cardiologia
Fonte: Dr. Décio Mion, nefrologista e responsável pelo setor de Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) do Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 11/11/2016

Para a maioria das pessoas, a recomendação de sempre manter a pressão arterial abaixo de 140 x 90 mmHg (14 por 9) costuma ser suficiente para evitar danos à saúde. No entanto, para aqueles que apresentam um risco cardíaco aumentado, ou seja, pessoas que já tiveram ou têm alguma cardiopatia ou fatores de risco, como obesidade, diabetes e tabagismo, estudos clínicos recentes indicam vantagens em se reduzir a pressão para 120 x 80 mmHg (12 por 8) ou menos.

Um grande estudo sobre o assunto, o SPRINT (sigla em inglês para Systolic Blood Pressure Intervention Trial), foi publicado em 2015 pelo conceituado jornal científico New England Journal of Medicine e trouxe novas evidências científicas sobre os valores ideais da pressão arterial em pacientes com alto risco cardíaco.

Nesse estudo, 9361 indivíduos hipertensos com mais de 50 anos de idade (média de 68 anos de idade) foram divididos em dois grupos. No primeiro grupo, os pacientes tiveram a pressão arterial reduzida a valores iguais ou inferiores a 14 por 8 aproximadamente e, no segundo, até 12 por 8. Um pouco mais de três anos depois de ser iniciado, o estudo teve que ser interrompido pelas diferenças observadas nos resultados dos dois grupos. Os pacientes que tiveram a pressão reduzida a 12 por 8 sofreram 25% menos eventos cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca. Pela diminuição dessas doenças, o risco de morte nesses pacientes foi 27% menor.

"Esses resultados confirmam a ideia de que baixar a pressão nos pacientes com maiores riscos cardíacos diminuem as chances de cardiopatias e de morte", ressalta o dr. Décio Mion, nefrologista e responsável pelo setor de Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) do Hospital Sírio-Libanês. "Mas é preciso avaliar caso a caso, pois nem todos pacientes reagem bem à diminuição da pressão arterial", pondera o nefrologista.

Efeitos colaterais da redução da pressão arterial

No estudo SPRINT, os pacientes necessitaram de mais medicação para conseguir reduzir os níveis da pressão arterial até 12 por 8 (2,8 medicamentos por dia em média, contra 1,8 do grupo cuja redução da pressão arterial foi até 14 por 8). Além disso, esses pacientes apresentaram mais casos de desmaios.

Segundo explica o dr. Mion, a diminuição da pressão arterial, mesmo que seja dentro das metas terapêuticas, pode levar à hipotensão, ou seja, à pressão baixa, Veja abaixo alguns dos principais sintomas da hipotensão:

  • Desmaios.
  • Tontura.
  • Náuseas e vômitos.
  • Batimento cardíaco rápido ou irregular.
  • Visão embaçada.
  • Cansaço.
  • Confusão.
  • Respiração ofegante.

"Quando esses sintomas ocorrem, a diminuição da pressão arterial deve ser reavaliada e talvez tenha que ser mais branda", comenta o médico.

Em pessoas que têm angina ou já sofreram infarto, a pressão arterial geralmente também não pode ser muito reduzida, pois pode afetar a circulação coronária, aumentando os riscos de cardiopatias ao invés de diminuir.

Cuidando da pressão arterial

No Hospital Sírio-Libanês, cardiologistas e nefrologistas atuam juntos para o controle dos problemas referentes à pressão arterial. Eles estão preparados para realizar o diagnóstico da hipertensão, que deve ser confirmada através do exame de Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA), e para avaliar o quanto a pressão pode ser reduzida nos pacientes com maiores riscos cardíacos sem colocar sua saúde em risco.

Além do tratamento medicamentoso, a ser definido pelo médico quando necessário, a hipertensão pode ser controlada com modificações no estilo de vida.


A Sociedade Brasileira de Hipertensão recomenda:


Alimente-se de forma saudável - Prefira alimentos com pouca gordura saturada, colesterol e gordura total, como as carnes magras, aves e peixes; e integrais. Utilize margarina light e óleos vegetais insaturados (como azeite, soja, milho, canola). Evite alimentos embutidos, assim como molhos e caldos prontos, e diminua consumo de doces e bebidas com açúcar.

Meça a pressão arterial regularmente - Mesmo indivíduos com histórico familiar e pessoal de pressão normal devem realizar medidas de pressão arterial pelo menos uma vez ao ano, ao longo de toda a vida. Para quem tem familiares com hipertensão, a medição deve ser feita uma vez a cada seis meses, enquanto os indivíduos diagnosticados como hipertensos devem ser controlados de perto, com medidas frequentes, para assegurar o bom controle da pressão.

Pratique atividade física - O ideal é cinco dias por semana. Faça caminhadas, suba escadas em vez de usar o elevador, ande de bicicleta, nade, dance. O efeito do exercício é tão relevante que uma única sessão de 40 minutos, com atividades de moderada intensidade, pode provocar queda na pressão ao longo das 24 horas seguintes.

Mantenha um peso saudável - Procure ficar dentro de seu índice de massa corporal (IMC) e fique atento às medidas da circunferência abdominal (cintura), que no homem não deve ultrapassar 102 cm e, na mulher, 88 cm.

Diminua a quantidade de sal na comida - Use no máximo uma colher de chá para toda a alimentação diária. Não utilize saleiro à mesa e não acrescente sal no alimento depois de pronto. Evite ou diminua o consumo de bebidas alcoólicas - Aconselha-se que o consumo, entre os homens, não ultrapasse 30 ml de álcool por dia (equivalente a 720 ml de cerveja, 240 ml de vinho ou 60 ml de destilados, como uísque e vodca). Nas mulheres, a ingestão alcoólica não deve ultrapassar 15 ml diários.

Não fume - Depois da hipertensão, o fumo é o principal fator de risco de doenças cardiovasculares.