Lesões na pele e queda acentuada de cabelo podem ser sinais de lúpus

Reumatologia
Fonte: Dr. Cristiano Zerbini, reumatologista no Hospital Sírio-Libanês.
Publicado em 20/01/2016

​​A atriz e cantora norte-americana Selena Gomez, de 23 anos, anunciou em outubro do ano passado que tem lúpus e deixou milhões de fãs ao redor do mundo preocupados e interessados em saber sobre os riscos relacionados a essa doença. Você sabe o que é lúpus?

O lúpus é um problema que ocorre quando o sistema imunológico começa a agredir, por engano, tecidos saudáveis do organismo. “O sistema imunológico que tem a função de nos proteger passam a nos atacar”, explica o dr. Cristiano Zerbini, reumatologista no Hospital Sírio-Libanês. “E esse ataque se dá por meio de inflamações”, acrescenta.

Quando o lúpus afeta apenas a pele, ele é chamado de lúpus discoide, mas quando atinge vários órgãos e tecidos ao mesmo tempo, como vasos sanguíneos, pulmões, coração, cérebro e rins, o que tende a torná-lo mais grave, trata-se do lúpus sistêmico.

Sintomas

Parece mordida de lobo

A palavra lupus, em latim, significa “lobo”. Quando a doença foi descrita no início do século XVIII na Europa, as manchas na face, um dos sintomas da doença, eram consideradas parecida com as mordidas de lobo.

Essas lesões também são associadas às asas de borboleta, animal símbolo internacional da doença.

O principal sintoma do lúpus discoide são as lesões na pele, principalmente após exposição solar (fotossensibilidade). Já o lúpus sistêmico, além dessas feridas ne pele, pode provocar:

  • Feridas na boca e no nariz
  • Dores nas articulações
  • Fraqueza
  • Febre e mal-estar frequente
  • Muita queda de cabelo

Em algumas pessoas, o lúpus também pode dar sinais por meio de problemas neurológicos, como convulsões e distúrbios psicológicos.

O lúpus ocorre geralmente na população feminina em idade fértil, na proporção de dez mulheres com a doença para cada homem na mesma faixa etária. Nas crianças e idosos, a frequência é menor e a proporção é de três mulheres para cada homem. Nos Estados Unidos, onde existem estimativas sobre a prevalência do lúpus, registra-se uma média de um caso da doença para cada 2 mil habitantes.

A maior prevalência da doença entre as mulheres pode estar ligada a fatores hormonais, pois o estrógeno (hormônio feminino) tem mais poder de estimular a imunidade que a testosterona (hormônio masculino). Ou seja, nas mulheres as chances do desenvolvimento de anticorpos “agressores” são maiores.

Diagnóstico e tratamento

Após a avaliação dos sintomas e sinais da doença, o diagnóstico do lúpus é feito por meio de exames de sangue que revelam a presença de fatores antinúcleo (FAN) no organismo. Esses exames, no entanto, são muito sensíveis e podem dar resultados positivos em diversas situações, como em pessoas com outras doenças e mesmo em pessoas saudáveis.

Por isso, é essencial consultar um médico especialista, geralmente um reumatologista, para fazer o diagnóstico do lúpus. “Quanto mais precoce diagnosticamos o lúpus e começamos o tratamento, melhores são as condições para se controlar a doença”, comenta o dr. Zerbini.

O tratamento inicial do lúpus é feito à base de cortisona, que é um ótimo anti-inflamatório. No entanto, esses medicamentos podem apresentar vários efeitos colaterais, como aumento do apetite e ganho de peso, hematomas, hipertensão, fraqueza, acne e insônia.

A principal estratégia de controle do lúpus, então, é interromper a cortisona assim que diminuir a ação da doença no organismo e seguir o tratamento com medicamentos imunossupressores. Um novo medicamento, feito pela área de biologia molecular, também tem sido usado com sucesso nessa segunda fase do tratamento em pacientes que não respondem bem aos imunossupressores.

Entre os grandes desafios no enfrentamento do lúpus estão as lesões renais. Quando a doença afeta os rins, se não for tratada rapidamente, o paciente pode evoluir para insuficiência renal. “A gente brinca que diante de um caso de lúpus, precisamos cuidar de duas coisas: do paciente e do rim dele”, comenta o dr. Zerbini, enfatizando a atenção que deve ser dada aos rins das pessoas com lúpus.

O lúpus não tem cura, mas com tratamento adequado, a doença é muito bem controlada, garantindo ao paciente vida normal. Proteger-se contra o sol e procurar um médico quando aparecer qualquer sinal suspeito fazem parte do controle da doença.

O Núcleo Avançado de Reumatologia do Hospital Sírio-Libanês conta com um corpo-clínico especializado no tratamento do lúpus e outras doenças reumatológicas, como artrose, artrite reumatoide e gota. Acesse aqui e saiba mais sobre esse serviço.