Lesões congênitas das mãos devem ser tratadas com cirurgia o mais cedo possível

Cirurgia da Mão e Microcirurgia Reconstrutiva
Fonte: Dr. Edgard de Novaes França Bisneto, ortopedista e traumatologista no Núcleo de Cirurgia da Mão e Microcirurgia Reconstrutiva do Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 22/12/2015

​As anomalias congênitas são lesões que se formam no feto, na maior parte dos casos no primeiro trimestre de gestação, na fase embrionária, e podem estar relacionadas a síndromes que envolvem outras alterações, como cardiopatias, malformações do tubo digestivo e do sistema nervoso central, entre outras.

As anomalias ocorrem em cerca de 2% dos nascidos vivos. Destes, 10% aproximadamente possuem deformidades nos membros superiores. “As alterações dos membros superiores geram uma grande preocupação aos pais, que desejam uma projeção perfeita para o futuro do filho. É importante tranquilizá-los de que seus filhos podem ter uma vida normal e realizar as atividades que desejarem”, alerta o dr. Edgard de Novaes França Bisneto, ortopedista e traumatologista no Núcleo de Cirurgia da Mão e Microcirurgia Reconstrutiva do Hospital Sírio-Libanês.

Porém, explica ele, a correção das deformidades deve ser feita o quanto antes, pois os resultados funcionais na vida adulta serão melhores quando comparados à não correção ou a correções tardias.

O cirurgião recomenda aos pais que encaminhem seus filhos a um geneticista, pois esse especialista poderá avaliar se a lesão foi causada por uma síndrome ou não.

“O geneticista também poderá fazer um mapeamento genético para avaliar as chances que o casal tem, no caso de ser uma lesão ocasionada por uma síndrome, de ter outro filho com o mesmo problema. Além disso, ele determinará também as chances de os filhos dessa criança nascerem com um problema semelhante.”

Diagnóstico

Segundo o dr. França, é possível diagnosticar uma alteração congênita das mãos a partir do terceiro mês de gravidez, por meio de um ultrassom morfológico. Esse exame permite visualizar o bebê dentro do útero, identificando possíveis doenças. “Porém, muitas vezes ele não detecta pequenas lesões”, ressalta.

Tipos de lesões

As lesões congênitas mais frequentes são a sindactilia, quando dois ou mais dedos estão unidos, e a polidactilia, quando a criança tem um número extra de dedos.

A sindactilia pode ser simples, quando há união entre os dedos somente pela pele, ou complexa, quando ocorre fusão óssea entre os dedos, o que é mais difícil de tratar.

Já a polidactilia pode ser dividida em dois tipos: pré-axial, que se caracteriza pela duplicação do polegar, e pós-axial, quando se localiza nos outros dedos.

Tratamento

O tratamento, tanto na sindactilia quanto na polidactilia, é feito por meio de cirurgia. A indicação é de que ela seja realizada por volta dos seis ou sete meses de vida, caso a criança não tenha nenhuma síndrome associada à lesão.

Na sindactilia, a cirurgia separa os dedos envolvidos. Pacientes com vários dedos afetados muitas vezes exigem mais de um procedimento cirúrgico. No caso das mãos, a cirurgia deve ser feita o quanto antes, pois a sindactilia pode causar transtornos ao crescimento dos outros dedos, além de deformidades e perda de amplitude dos movimentos.

Na polidactilia, a cirurgia visa à remoção dos dedos extras. “No caso de dedos extranumerários pós-axiais o procedimento pode ser considerado simples e normalmente não tem complicações pós-cirúrgicas. Se forem dedos que não apresentam ossos, podem ser extraídos logo após o nascimento. A cirurgia mais delicada destina-se às duplicações do polegar e dedos centrais, completamente formados, e deve ser realizada por um especialista em cirurgia da mão.”

Em ambos os casos, diz o cirurgião, o tratamento deve ser acompanhado por um terapeuta funcional. “Ao associarmos a correção das deformidades com o desenvolvimento corporal e com a coordenação dos movimentos, os resultados na vida adulta serão melhores”, enfatiza o especialista.

Ele diz ainda que o ideal é que a cirurgia seja realizada no máximo até os cinco ou seis anos de idade. “Quanto mais tempo demorarmos para realizar a cirurgia, mais tempo demorará o processo de reabilitação do paciente”, alerta.

Uma criança que esteja na faixa etária dos dez anos, por exemplo, já aprendeu a conviver com suas limitações e se adaptou a elas. Nesses casos, fazer a reversão é ainda mais difícil, pois a criança precisará se readaptar à sua nova situação. “Nosso objetivo, com a cirurgia, é otimizar ao máximo a capacidade motora da criança para que ela tenha uma vida normal quando chegar à idade adulta”, esclarece o cirurgião.

Outros tipos de lesões

  • Amputações: ausência de mão, do antebraço, ausência de dedos e falanges. Poucas são as opções cirúrgicas e a colocação de uma prótese deve ser considerada.
  • Mão torta: defeito longitudinal do rádio (osso do antebraço), em que há uma diminuição de seu tamanho ou sua ausência parcial ou completa. O tratamento é feito com a colocação de órteses para posicionamento de punho e mão, e cirurgia.
  • Polegar hipoplásico: deformação que varia de um polegar discretamente menor até sua total ausência. O tratamento é feito por meio de cirurgia para reconstrução.
  • Polegar empalmado: quando o polegar fica virado para dentro da palma da mão. O tratamento é feito com a colocação de uma órtese para posicionar o dedo na posição correta, e cirurgia.
  • Camptodactilia: deformação dos dedos, que se apresentam em flexão permanente. Tratamento conservador com o uso de órteses, manipulação e cirurgia.

O Núcleo de Medicina Avançada de Cirurgia da Mão e Microcirurgia Reconstrutiva do Hospital Sírio-Libanês conta com uma equipe de profissionais especializados em cirurgias para tratamento da sindactilia e da polidactilia em bebês e crianças. O Núcleo ainda conta com especialistas que avaliam e acompanham a criança para a definição do melhor tratamento e o momento da cirurgia.