Imunoterapia renova esperanças no tratamento contra o câncer

Oncologia
Fonte: Prof. dr. Paulo Marcelo Hoff, diretor geral do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês; e dr. Rodrigo Ramella Munhoz, oncologista no Hospital Sírio-Libanês.
Publicado em 08/04/2016

Há várias décadas, a medicina vem buscando maneiras de usar nosso próprio sistema imunológico para enfrentar doenças. Nos últimos anos, no entanto, novas descobertas fizeram com que essa estratégia de tratamento, conhecida por imunoterapia, finalmente apresentasse ótimos resultados contra o câncer. No último mês de fevereiro, a Sociedade Norte-americana de Oncologia Clínica (ASCO, sigla em inglês) elegeu a imunoterapia como o maior avanço contra o câncer em 2016.  

A imunoterapia é composta por diferentes medicamentos, que são aplicados no paciente de maneira intravenosa (nas veias) ou subcutânea (abaixo da pele). Geralmente, ela causa menos efeitos colaterais que a quimioterapia e a radioterapia. Trata-se de uma abordagem promissora, que vem beneficiando um número crescente de pacientes, com respostas duradouras e melhor qualidade de vida.  

O uso da imunoterapia contra o câncer vem sendo oferecida aos pacientes do Hospital Sírio-Libanês desde a década de 1990. A primeira geração desse tipo de tratamento promovia uma ativação inespecífica do sistema imunológico, por meio da infusão de substâncias naturais. 

Os interferons e as interleucinas são os principais representantes dessa classe de medicamentos (citocinas), que ainda são empregados em diversas situações. Com os constantes avanços, porém, as novas modalidades de imunoterapia se tornaram mais direcionadas e específicas contra os diferentes tipos de tumores. Por isso, se tornam também mais eficazes.  

"Os novos imunoterápicos agem como se soltássemos os freios do sistema imune, incentivando o organismo a identificar e combater as células tumorais", explica o dr. Rodrigo Ramella Munhoz, oncologista no Hospital Sírio-Libanês. "Ou ainda modificando as células de defesa do próprio paciente, por meio da bioengenharia, para que essas células passem a reconhecer alvos específicos relacionados ao câncer", acrescenta. 

Para quem a imunoterapia é indicada? 

Os primeiros resultados positivos observados no uso das novas formas de imunoterapia foram observados no tratamento de alguns tipos de tumores na pele (melanoma) e pulmão. No entanto, essa estratégia de tratamento também vem se mostrando promissora para enfrentar alguns casos de: 

  • Câncer renal 
  • Câncer na bexiga 
  • Câncer no cólon 
  • Câncer no ovário 
  • Mesotelioma (câncer que afeta tecidos celulares localizados na região do tórax, abdômen e do testículo)  
  • Câncer no sangue (hematológico)  

    A imunoterapia vem sendo utilizada, principalmente, para casos de câncer em estágios avançados, pois é para esses pacientes que ela tem demonstrado os melhoresresultados. No entanto, um dos agentes imunoterápicos (ipilimumab) usado nesse tratamento já foi aprovado nos Estados Unidos como tratamento preventivo em paciente com melanoma localizado já submetidos à cirurgia.  

    O uso da imunoterapia contra o câncer está aprovado no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas, por enquanto, é oferecido apenas por alguns hospitais privados e instituições públicas que participam de pesquisas clínicas na área. 

    Pioneirismo 
    Os pacientes do Hospital Sírio-Libanês estão entre os primeiros do país a contarem com a imunoterapia para o tratamento contra o câncer. Além de oferecer o que existe de mais moderno nessa área, o Hospital Sírio-Libanês tem participado de discussões nacionais e internacionais sobre o assunto, promovendo eventos e pesquisas sobre a imuno-oncologia.  

    "Acreditamos que em algum momento a imunoterapia estará disponível para toda a população, e nós queremos fazer parte desse processo, compartilhando o conhecimento que estamos adquirindo", analisa o diretor geral do Centro de Oncologia​ do Hospital Sírio-Libanês, o prof. dr. Paulo Marcelo Hoff.