Febre amarela

Centro de Imunizações
Fonte: Material elaborado pela equipe CCIH, representada por: Dra. Fernanda Descio Bozola, Dra. M Beatriz Souza Dias, Dra. Maura Salaroli de Oliveira e Dra. Mirian Dal Ben Corradi.
Publicado em 18/01/2018

A febre amarela (FA) é uma doença infecciosa febril aguda, causada por um vírus do gênero Flavivírus e transmitida por vetores artrópodes, com relevante impacto em saúde pública na África e Américas.

A FA apresenta dois ciclos de transmissão epidemiologicamente distintos: silvestre de macaco infectado a macaco são (FAS) através da picada de mosquitos do gênero Haemagogus e Sabethes; e urbano (FAU) transmitido de uma pessoa infectada a uma pessoa sã, pela picada do mosquito Aedes aegypti. No Brasil, não há ocorrência de FAU desde 1942.

Existe um ciclo “intermediário”, em que a pessoa que adentra a mata é picada pelo mosquito Haemagogus e Sabethes infectado e adquire a FA.

NÃO HÁ TRANSMISSÃO DIRETA DO MACACO OU DA PESSOA INFECTADA PARA A PESSOA SÃ.

De 2017 até o dia 12/01/2018, 18 casos de febre amarela foram confirmados no Município de São Paulo, mas todos eles adquiridos em outros municípios. Até o momento, não há transmissão urbana de febre amarela no Brasil, assim os casos estão associados a transmissão em áreas de mata, pelos vetores silvestres, Haemagogus e Sabethes.

Para dados epidemiológicos atualizados, consulte os links a seguir

Dados da Prefeitura:
http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/saude/vigilancia_em_saude/doencas_e_agravos/index.php?p=228572

Dados do Estado:
http://www.saude.sp.gov.br/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica-prof.-alexandre-vranjac/homepage/destaques/febre-amarela-boletim-epidemiologico

Vacinação:

Desde abril de 2017, o Brasil adota o esquema vacinal de apenas uma dose durante toda a vida, medida que está de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Segue link com os postos de vacinação contra febre amarela no município de São Paulo:
http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/saude/vigilancia_em_saude/doencas_e_agravos/index.php?p=243611

Os municípios do Estado de SP que têm recomendação de vacinação permanente ou temporária para os moradores e para os que para lá se deslocam podem ser encontrados no seguinte site:
http://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-de-transmissao-por-vetores-e-zoonoses/doc/famarela/famarela17_lista_mun_vacinacao.pdf

Para o município de São Paulo estão sendo vacinados os residentes de parte das zonas Sul, Norte e Oeste. Para atualização sobre áreas do município com indicação de vacinação, acesse:
http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/saude/vigilancia_em_saude/doencas_e_agravos/index.php?p=243611

Quem tem restrições à vacina, porém não contraindicação absoluta, e deve procurar seu médico para saber se pode ser vacinado:

  • Crianças menores de 9 meses de idade.
  • Gestantes e mulheres amamentando bebês de até 6 meses;
  • Pessoa vivendo com HIV/AIDS apenas se tiverem a contagem de linfócitos CD4 acima de 200 células/mm3.

Quem tem contraindicação absoluta à vacina:

  • Pessoas com imunossupressão secundária a doença ou terapias imunossupressoras em curso (quimioterapia, radioterapia, corticoides em doses elevadas).
  • Pessoas com HIV/AIDS com imunodeficiência acentuada (Contagem de linfócitos CD4 menor que 200 células/mm3).
  • Pacientes em uso de medicações como: Azatioprina, Ciclofosfamida, Infliximabe, Etanercepte, Golimumabe, Certolizumabe, Abatacept, Belimumabe, Ustequinumabe, Canaquinumabe, Tocilizumabe, Ritoximabe.
  • • Transplantados e pacientes com doença oncológica em quimioterapia.
  • • Pessoas que apresentaram reação de hipersensibilidade grave ou doença neurológica após dose prévia da vacina.
  • Pessoas com reação alérgica grave (choque anafilático) ao ovo.
  • Pacientes com história pregressa de doença do timo (miastenia gravis, timoma).

Fracionamento das doses da vacina:

Será utilizada dose fracionada na campanha de vacinação em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. De acordo com o Ministério da Saúde, essa estratégia está em consonância com as recomendações da OMS para intensificação vacinal, em curto prazo de tempo, em áreas populosas com risco de expansão da doença. A vacinação com dose fracionada será recomendada a partir de 2 anos de idade.

A dose padrão continuará sendo administrada em alguns grupos por falta de estudos específicos:

  • Crianças de 9 meses a menores de 2 anos de idade;
  • Pessoas com condições clínicas especiais (vivendo com HIV/AIDS; após término de tratamento com quimioterapia; doenças hematológicas; entre outras) após avaliação do serviço de saúde;
  • Gestantes;
  • Viajante internacional (com apresentação do comprovante de viagem no ato da vacinação).

Quais os efeitos colaterais da vacina contra a febre amarela?

A vacina contra a febre amarela pode causar alguns efeitos colaterais, como mal-estar, fraqueza, febre, dor muscular e dor de cabeça intensa. Diante desses efeitos, um médico deverá ser procurado para receitar medicamentos que amenizem os sintomas. Em casos extremos, a vacinação pode levar ao óbito, mas trata-se de um evento muito raro, afirma a Dra. Maria Beatriz.

Além da vacina, como posso me proteger da febre amarela?

A primeira providência é evitar viajar para as áreas onde estão acontecendo os surtos de febre amarela. Se não for possível, evite a aproximação de regiões de matas nessas áreas. A pessoa deve assegurar-se também que está adequadamente imunizada.

A prevenção da febre amarela envolve ainda o uso de repelentes e roupas que ajudam a evitar a picada de mosquitos, como calças e camisetas de mangas compridas. Eliminar os focos de criação do mosquito Aedes aegypti também é importante para prevenir a febre amarela, assim como Dengue, Zika e Chikungunya.

A vacina contra a febre amarela protege contra a dengue?

Não. Apesar de o mosquito Aedes aegypti ser um possível transmissor da febre amarela e da dengue, a Dra. Maria Beatriz explica que se tratam de infecções diferentes. Sendo assim, pessoas que já tiveram dengue também não se tornam imunes à febre a amarela e vice-versa.

Quais os sintomas da febre amarela?

Os sintomas iniciais da febre amarela, seja ela silvestre, seja urbana, demoram de três a seis dias (até no máximo 15 dias) para aparecerem após a picada. São eles:

  • Febre de início súbito.
  • Calafrios.
  • Dores de cabeça, nas costas e no corpo em geral.
  • Náuseas e vômitos.
  • Fadiga e fraqueza.
  • Icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos).
  • Sangramentos.

A maioria das pessoas melhora após esses sintomas, sem a necessidade de tratamentos específicos. Repouso, hidratação (mais de dois litros de líquido por dia) e uso de medicamentos antitérmicos que não contenham ácido acetilsalicílico podem ser benéficos para amenizar esses sintomas. Em cerca de 15% a 20% dos casos, porém, a febre amarela pode levar à morte.

Importante: informe ao serviço de saúde se você viajou (mesmo que próximo à capital de SP) nos 15 dias anteriores ao início de sintomas e leve sua carteira de vacinação.

O diagnóstico da febre amarela consiste em avaliações clínicas pelo médico e exames de sangue laboratoriais. Em particular, as enzimas hepáticas ficam muito alteradas. O diagnóstico específico é feito com sorologia e PCR. Nos casos mais graves, o tratamento da febre amarela pode exigir diálise e transfusão de sangue, e a taxa de óbito é maior do que 50%.

O Hospital Sírio-Libanês conta em seu corpo clínico com médicos infectologistas que podem diagnosticar e tratar a febre amarela. Se você estiver com algum possível sintoma relacionado à febre amarela, procure imediatamente nosso serviço de Pronto Atendimento.

Atualizado em 17/01/2018.