Edema pulmonar pode ser fatal e deve ser tratado com urgência

Cardiologia
Fonte: Dr. Fernando Ganem, diretor do serviço de Pronto Atendimento do Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 14/08/2017

O edema pulmonar é uma condição caracterizada pelo acúmulo de líquido no interior dos pulmões. Ele ocorre com mais frequência quando o coração encontra dificuldade para bombear o sangue, aumentando a pressão do sangue no interior dos pequenos vasos sanguíneos dos pulmões. Para aliviar essa pressão crescente, os vasos liberam líquido para dentro dos pulmões. Esse líquido interrompe o fluxo normal de oxigênio, resultando em falta de ar.

Na maioria dos casos, o edema é causado pela insuficiência cardíaca, que ocorre quando o coração não é capaz de bombear o sangue adequadamente. Mas o edema pulmonar pode ocorrer por outros motivos, incluindo pneumonia, exposição a certas toxinas e medicamentos e até por traumas torácicos. Além disso, algumas pessoas, quando expostas a altitudes acima de 2.500 metros (o equivalente a quase nove Torres Eiffel), podem desenvolver o problema. À medida que a altitude aumenta, a pressão atmosférica diminui e menos moléculas de oxigênio estão disponíveis no ar mais rarefeito, dificultando a respiração. Quanto mais rápido a pessoa sobe, maior o risco de edema pulmonar.

Segundo o dr. Fernando Ganem, diretor do serviço de Pronto Atendimento do Hospital Sírio-Libanês, várias condições que afetam o funcionamento do coração podem levar ao surgimento do edema pulmonar. São elas:

  • Doença isquêmica do coração (infarto).
  • Disfunção das válvulas e do músculo cardíaco (cardiomiopatia), que pode ser decorrente de hipertensão.
  • Diabetes.
  • Alcoolismo crônico.
  • Infecções virais.
  • Cardiotoxicidade de alguns medicamentos.

Além dos problemas cardíacos, há outro grupo de doenças de risco para o edema pulmonar. Pessoas que já tiveram um edema pulmonar ou doenças pulmonares, como tuberculose e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), ou com distúrbios vasculares estão mais propensas a desenvolver um edema pulmonar.

“Quando isso ocorre, o paciente apresenta sintomas como falta de ar, sudorese excessiva, ansiedade, inquietação ou sensação de apreensão, sensação iminente de morte, dificuldade para respirar que piora quando deitado, sibilos ou suspiros, palpitações e dor no peito”, explica o dr. Ganem.

Diagnóstico e tratamento do edema pulmonar

O diagnóstico é feito por meio da avaliação dos sintomas através de uma boa anamnese, exame físico e de raios X de tórax para avaliar a presença de líquido no pulmão. Quando não diagnosticado e tratado com rapidez, o edema pulmonar pode ser fatal.

Em casos graves, depois da abordagem inicial na sala de emergência, os pacientes podem necessitar de atendimento em uma unidade de cuidados intensivos ou críticos. O tratamento depende da gravidade do caso e pode incluir:

  • Diuréticos: medicamentos utilizados para remover o excesso de líquido do corpo.
  • Vasodilatadores: medicamentos que ajudam a aliviar a pressão no coração e controlar a pressão arterial sistêmica, melhorando a performance cardíaca.
  • Administração de oxigênio por meio de máscara facial, cânula nasal — tubo de plástico flexível com duas aberturas que fornecem oxigênio para cada narina — ou ventilação mecânica.
  • Aspiração: o líquido é aspirado dos pulmões utilizando um tubo inserido pela garganta.

Prevenção

O edema pulmonar nem sempre é evitável, mas como seu risco está relacionado, na maioria das vezes, a problemas cardíacos, algumas medidas podem ser tomadas no dia a dia para evitar esses problemas. As recomendações já são bem conhecidas: evitar fumar, manter o peso sob controle, praticar atividades físicas, medir a pressão arterial, controlar o nível de colesterol e triglicérides no sangue, limitar o uso de sal e evitar, na medida do possível, situações de estresse.

Segundo o dr. Ganem, um quadro de edema pulmonar pode se repetir várias vezes no decorrer da vida, por isso é importante que os pacientes com problemas cardíacos sigam as recomendações médicas para evitar possíveis riscos. Entre as recomendações médicas, destacam-se as consultas periódicas e o uso regular das medicações prescritas. “A má adesão ao tratamento é uma grande causa de recorrências”, enfatiza o médico.

O Pronto Atendimento do Hospital Sírio-Libanês possui uma Unidade de Emergência Cardiovascular, ligada ao Centro de Cardiologia, com leitos monitorizados e estrutura similar à de terapia intensiva. Por estar localizado estrategicamente próximo ao Centro de Diagnósticos, o Pronto Atendimento oferece agilidade no transporte do paciente para a realização de exames. Com esse ganho de tempo, o atendimento se torna ainda mais eficaz e seguro.