Dores de um lado só da cabeça e flashes de luz podem ser enxaqueca

Neurologia
Fonte: Dr. Eduardo Mutarelli, neurologista no Sírio-Libanês.
Publicado em 31/07/2015
Enxaqueca

Quase todo mundo sofre, esporadicamente, de dor na cabeça. O incômodo pode ser resultado de noites mal dormidas, estresse, ingestão de álcool, entre outros problemas. No entanto, se a dor for de um lado só da cabeça, de intensidade média ou forte, precedida ou acompanhada de enjoo, alterações visuais ou tontura, é preciso dar mais atenção a ela, pois pode ser enxaqueca, o que exige acompanhamento médico.

A enxaqueca é uma doença neurovascular, muitas vezes incapacitante, que acomete as pessoas geneticamente predispostas. Ela pode provocar também sensações de incômodo com a luz e com o barulho.

“É por isso que muitas pessoas quando estão em meio à crise de enxaqueca procuram se isolar num quarto escuro e silencioso”, comenta o dr. Eduardo Mutarelli, neurologista no Sírio-Libanês.

De acordo com o Ministério da Saúde, de 5% a 25% das mulheres e de 2% a 10% dos homens têm enxaqueca no Brasil, manifestando-se mais entre 25 e 45 anos, embora também possa afetar crianças e adolescentes.

As enxaquecas podem ser classificadas como episódicas ou crônicas, e com ou sem aura. Para serem consideras episódicas, elas não podem causar dores de cabeça por mais de 14 dias num mesmo mês, durante o período de três meses. Se passarem disso, as enxaquecas são consideradas crônicas. As auras são as sensações antes do início da crise de dor. Geralmente são percebidas como distúrbios de visão, como embaçamento da vista ou aparição de flashes e linhas de luz.

As crises de enxaqueca podem ser desencadeadas por vários fatores, que diferem em cada pessoa. Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, os dez principais desencadeantes da enxaqueca são:

  • Preocupações excessivas
  • Ficar sem comer
  • Dormir mal
  • Ciclo hormonal (tensão pré-menstrual)
  • Irritação e alterações do humor
  • Cafeína em excesso (nesses casos, a dor surge quando a pessoa se abstém da substância)
  • Falta de exercícios físicos
  • Uso excessivo de analgésico
  • Alimentos gordurosos, condimentados ou muito gelados, e bebidas alcoólicas
  • Genética

Além das dores de cabeça incapacitantes, as pessoas que sofrem de enxaqueca têm mais chance de ter um acidente vascular cerebral (AVC), lembra o dr. Mutarelli. Por isso, o diagnóstico e o acompanhamento dessa doença são muito importantes.

Os exames para diagnóstico da enxaqueca são clínicos, e nem sempre exigem a consulta com um médico especialista. Clínicos gerais e pediatras estão habilitados a diagnosticar essa doença.

No entanto, para os casos mais graves e crônicos, que exigem cuidado de especialistas, o Sírio-Libanês conta com o Núcleo de Neurologia e Neurociências e com o Núcleo Avançado de Dor e Distúrbios do Movimento.

Os tratamentos contra a enxaqueca buscam evitar as crises e torná-las mais breves e suportáveis quando ocorrerem. Para evitar as crises, médico e paciente procuram identificar os fatores desencadeantes para neutralizá-los. Ao mesmo tempo, vários medicamentos neuromoduladores, betabloqueadores, antidepressivos ou antivertiginosos podem ser indicados, conforme as necessidades de cada paciente.