Dor no pescoço e febre podem ser meningite

Imunizações; Oncologia
Fonte: Dr. Esper Kallás, infectologista no Hospital Sírio-Libanês e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP); dra. Vivian Avelino-Silva, médica infectologista e docente do programa de pós-graduação do Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 05/05/2017

A meningite é um tipo de inflamação das meninges, membranas que envolvem e protegem nosso cérebro. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a meningite afeta pessoas em todo o mundo, apesar de ser mais frequente nos países em desenvolvimento, especialmente em áreas com grandes aglomerados populacionais, como o continente africano.

O Brasil, que já foi um dos países com maiores índices de meningite no início da década de 1970, conseguiu conter o avanço dessa doença com uma forte campanha de vacinação, lembra o dr. Esper Kallás, infectologista no Hospital Sírio-Libanês e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

No entanto, até hoje a meningite requer atenção dos médicos e da população. "Todos os médicos, mas principalmente aqueles que estão no pronto atendimento, precisam sempre desconfiar se não estão diante de um caso de meningite", avalia o dr. Kallás. "O diagnóstico e o tratamento rápido são essenciais para a boa evolução dessa doença", acrescenta.

Alguns dos principais sinais de meningite são:

  • Febre alta.
  • Dor de cabeça forte.
  • Vômitos.
  • Mal-estar.
  • Dor no pescoço.
  • Dificuldade para encostar o queixo no peito.
  • Manchas vermelhas espalhadas pelo corpo (menos comum).

Se um ou mais desses sintomas forem observados, um serviço de saúde deve ser procurado com urgência.

Como podemos pegar meningite?

De acordo com dados do Ministério da Saúde, 15.983 pessoas foram internadas com meningite nas unidades públicas de saúde em 2015 (último levantamento anual feito pela Pasta). As meningites mais comuns no Brasil são as virais. A meningite viral mais grave é causada pelo herpes-vírus, e com exceção dessa forma de meningite viral, as meningites bacterianas costumam ser as mais graves. Entre elas, as mais importantes são as pneumocócicas, as meningocócicas e as causadas pelo Haemophilus influenzae. Existem ainda alguns casos de meningites provocadas por fungos ou pelo bacilo de Koch, causador da tuberculose, também geralmente graves.

Todos esses agentes causadores da meningite podem ser transmitidos por meio de pequenas gotinhas de saliva, expelidas por tosse e espirros, ou presentes em objetos contaminados. Por isso, evitar ambientes com muita gente e pouca circulação de ar e higienizar as mãos com água e sabão ou álcool em gel várias vezes ao dia podem ajudar a diminuir a transmissão dessa doença.

Apesar de poder afetar qualquer pessoa, independentemente da idade, a meningite costuma ser mais comum e mais grave nos seguintes grupos:

  • Recém-nascidos e crianças.
  • Bebês internados em berçários de alto risco.
  • Idosos (principalmente com desnutrição e sem condições de higiene adequadas).
  • Pessoas com o sistema imunológico debilitado (aids e câncer).
  • Pessoas que passaram por cirurgia no cérebro ou sofreram alguma fratura cerebral.

Como tratar a meningite?

A maioria dos casos de meningites virais é enfrentada pelo próprio organismo, sem a necessidade de tratamento específico. Entretanto, entre as meningites virais, a causada pelo herpes-vírus precisa ser tratada com medicamentos que atuam contra o agente. Medicamentos antitérmicos e analgésicos podem ser prescritos pelo médico para aliviar os sintomas.

Já as meningites bacterianas ou causadas por fungos exigem tratamento imediato com antibióticos injetáveis, pois quanto mais tempo passar, maiores são as chances de deixarem sequelas, como surdez, dificuldade de aprendizado e comprometimento cerebral. Nesses casos, pode haver a necessidade de internação para garantir o controle da infecção.

Como prevenir a meningite?

Contra as principais bactérias causadoras de meningite no Brasil, existem vacinas. Entre elas, estão as vacinas conjugadas pneumocócicas 10 e 13 valentes, e a polissacarídica 23-valente; a vacina contra Haemophilus influenzae tipo b (Hib); e as vacinas meningocócicas conjugada C, conjugada ACWY e meningocócica do tipo B. Esta última foi lançada em 2015 e, por enquanto, está disponível apenas em algumas clínicas privadas.

Diagnóstico não traz perigo

Para saber qual o agente causador da meningite, é preciso fazer um exame do líquido da espinha (liquor ou líquido cefalorraquidiano).

Embora muitas pessoas se impressionem com esse tipo de exame, pois há a necessidade de introduzir uma agulha na espinha do paciente, para alguns profissionais é como se estivessem tirando uma simples amostra de sangue.

A maioria dessas vacinas é tomada nos primeiros anos de vida, mas quem ainda não recebeu essas imunizações pode procurar um local de vacinação e conversar com o médico sobre como realizar esse tipo de proteção.

O Centro de Imunizações do Hospital Sírio-Libanês atende pacientes de todas as idades e se destaca pelo atendimento individualizado.

Os casos de suspeita de meningite são atendidos inicialmente em nosso hospital pelo serviço de Pronto Atendimento. Diversos médicos infectologistas compõem a equipe de retaguarda desse serviço, estando sempre em prontidão para eventuais cuidados relacionados a essa doença. Sempre que necessário, a equipe de infectologistas também realiza orientação de prevenção de novos casos de meningite entre as pessoas que tiveram contato íntimo com o paciente que apresenta a doença.