Dor que se arrasta por mais de três meses pode ser crônica. Procure um especialista

 
Fonte: Dr. João Valverde Filho, anestesiologista e médico especialista em dor no Sírio-Libanês.
Publicado em 03/07/2015
Dor Crônica

​​​Aproximadamente 80% da população mundial sofrem com algum tipo de dor e 30% sentem seus efeitos de forma crônica, segundo estimativas da Associação Internacional para o Estudo da Dor, conhecida pela sigla em inglês IASP.

A dor aguda é aquela que surge repentinamente e tem sua duração limitada. Geralmente, a dor alerta o indivíduo sobre a existência de alguma lesão ou disfunção no organismo, como as provocadas por contusões, cólicas intestinais e queimaduras na pele. Já a dor crônica passa a ser danosa e é reconhecida como sintoma crônico após três meses de sofrimento, mesmo que as causas já tenham sido removidas ou tratadas. “Nestes casos, ela se torna um tipo de doença em que a dor fisiológica (protetora da nossa integridade física) mantem-se contínua e degradante para as atividades funcionais”, explica o anestesiologista e especialista em dor no Sírio-Libanês, o dr. João Valverde Filho.

As dores crônicas podem atingir pessoas de todas as idades, tendo como principais causadores os problemas lombares, o câncer, o herpes-zoster, o diabetes, a cefaleia, a enxaqueca, a fibromialgia, a osteoartrite e as lesões musculares.

Segundo o médico, de cada quatro pessoas que sofrem com dor, uma pode desenvolvê-la de forma crônica. Por isso é muito importante ficar atento às dores. Se persistirem e estiverem associadas aos problemas citados anteriormente, é essencial procurar um especialista.

“Quanto mais tempo demorarmos para tratar as dores, mais difícil fica para enfrentarmos esse problema”, alerta o dr. Valverde Filho.

No geral, as dores iniciam-se a partir de aspectos biológicos, mas podem afetar o estado emocional dos pacientes. Isso ocorre porque depois de vários meses sentindo aquela dor diariamente, mesmo se não houver mais nenhuma causa biológica para a dor, pode ocorrer depressão, ansiedade e pânico.

Além dos aspectos biológicos e psicológicos, a dor crônica pode afetar também a sociabilidade dos pacientes, pois muitos deixam de trabalhar, de viajar e até de sair de casa por conta dos incômodos constantes.

Diante disso, o tratamento das dores crônicas precisa ser multiprofissional, já que as causas são inter-relacionadas a partir de problemas musculares, neurológicos, pós-operatórios e psíquicos, por exemplo. Para isso, o Núcleo Avançado de Dor e Distúrbios do Movimento do Sírio-Libanês conta com fisiatras e fisioterapeutas, neurologistas, anestesistas, psiquiatras e psicólogos especializados em dor.

Esses profissionais executam procedimentos farmacológicos, físicos e anestésicos com a finalidade de acabar ou diminuir a dor. Além da análise clínica, eles auxiliam no diagnóstico das dores crônicas com outros exames adicionais, se necess​ários.

O maior “aliado” da dor crônica é o sedentarismo. Por isso, procure um especialista e não deixe de viver a vida normalmente. Exercite-se, viaje, volte ao trabalho e mantenha seus compromissos sociais. “Um dos segredos da dor crônica é, depois de medicado, não deixar que ela seja maior do que você”, avalia o Dr. Valverde Filho.