Dia Nacional de Atenção à Disfagia

 
Fonte: Dra. Monica Bretas, Fga. Heloise Colombari, Dra. Irene de Pedro Netto e Fga. Leticia Cintra
Publicado em 18/03/2021
Disfagia

A disfagia, ou dificuldade para engolir, acomete, no Brasil, 16% a 22% da população acima de 50 anos, atingindo índices de 70% a 90% em pessoas idosas. Por isso, desde 2010, o dia 20 de março foi escolhido para chamar atenção para esse problema em nível nacional.

Indivíduos que tiveram derrames, doenças neurológicas, câncer de cabeça e pescoço, passaram por intubações prolongada ou foram submetidos a traqueostomias apresentam maior risco de alterações na deglutição. Esses problemas podem ser o resultado de fraqueza ou lesão muscular, lesão nervosa e alterações respiratórias, entre outras causas.

Uma vez que esse distúrbio pode aparecer concomitante a muitas doenças, a disfagia é mal compreendida e, com frequência, subdiagnosticada, o que retarda seu tratamento. Dessa forma, muitos pacientes não são tratados adequadamente.

Existem três fases de deglutição. A primeira é a fase oral, onde alimentos e líquidos são manipulados ou mastigados formando um “bolo alimentar” coeso para ser engolido. Em seguida, na fase faríngea, depois que alimentos ou líquidos passam pela boca, aproximam-se do esôfago e da traqueia. Existem vários músculos que trabalham para garantir que a comida, líquidos ou saliva sejam direcionados para o esôfago sem o risco de entrarem nas vias aéreas (laringe, traqueias e pulmões). A última é a fase esofágica, na qual os alimentos e líquidos entram no esôfago e, na sequência, no estômago. O indivíduo disfágico poderá apresentar alteração em uma ou mais dessas fases, sendo da competência do fonoaudiólogo diagnosticar qual ou quais dessas fases encontram-se alteradas.

A disfagia pode se manifestar de inúmeras formas, que variam de acordo com a causa e as áreas afetadas. Alguns sintomas mais comuns são descritos a seguir:

  • • Engasgar, tossir ou pigarrear durante ou logo após comer ou beber;
  • • Alteração da voz, caracterizada por "voz molhada”, durante ou depois de comer ou beber;
  • • Tempo prolongado para fazer refeições;
  • • Esforço/cansaço excessivo para mastigar ou engolir;
  • • Dificuldade para engolir comprimidos, alimentos específicos ou líquidos;
  • • Presença de resíduos ou acúmulo de alimento na boca após engolir;
  • • Sensação de alimento parado ou preso na garganta;
  • • Perda de peso;
  • • Desidratação;
  • • Infecções respiratórias ou pneumonias recorrentes.

Quando há alguma alteração no mecanismo de deglutição, a saliva, alimentos, líquidos ou comprimidos podem entrar nas vias aéreas em vez de serem direcionadas ao esôfago. Estes episódios são chamados de penetração ou aspiração de alimento. Quando a aspiração ocorre com grande frequência ou volume, o indivíduo pode apresentar complicações sérias de saúde, como pneumonia aspirativa, podendo ir até a óbito.

O fonoaudiólogo é o especialista que avalia, diagnostica e trata as alterações da deglutição. Disfagias com alteração na fase esofágica geralmente são tratadas por médicos tais como clínicos, otorrinolaringologistas ou gastroenterologistas, dependendo do comprometimento específico.

A partir da avaliação de cada indivíduo que apresente queixa ou sintoma, o fonoaudiólogo discutirá o caso com o médico responsável e irá elaborar uma estratégia de intervenção que possibilite uma alimentação segura, sem risco dos alimentos e/ou líquidos entrarem nas vias aéreas.

As intervenções podem ser desde simples exercícios para a musculatura envolvida na deglutição e coordenação entre respiração e deglutição até adaptações na dieta.

É fundamental ainda, que haja um trabalho integrado de toda equipe multiprofissional composta por médicos, fonoaudiólogos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas e terapeutas ocupacionais.

Fica claro que a disfagia merece atenção especial da população e das equipes de saúde. Suas complicações podem ser minimizadas com diagnóstico precoce e tratamento adequado, prevenindo desfechos mais graves, reduzindo índices de morbidade e mortalidade da população.