Diagnóstico de hipertensão exige exame feito durante 24 horas

Cardiologia
Fonte: Dr. Décio Mion, nefrologista e responsável pelo setor de Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) do Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 26/04/2016

O Brasil celebra em 26 de abril o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial. Você saberia dizer se sua pressão é alta ou está dentro dos padrões ideais? Segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão, a pressão arterial ideal situa-se abaixo de 120 x 80 mmHg (12 por 8). Já a hipertensão (ou pressão alta) se refere a valores iguais ou superiores a 140 x 90 mmHg (14 por 9), constantemente. Em algumas situações, no entanto, a pressão arterial pode atingir esses valores e a pessoa não ser hipertensa. Por isso, diante de eventuais altas na pressão, devemos procurar um serviço especializado de monitorização da pressão arterial.

Dados do Ministério da Saúde indicam que mais de 30 milhões de brasileiros têm pressão alta. Esse problema deve ser diagnosticado e controlado o mais rápido possível, pois com o passar do tempo, pode provocar:

  • Insuficiência cardíaca
  • Infarto agudo do miocárdio
  • Acidente vascular cerebral (AVC)
  • Insuficiência renal

Um grande estudo (conhecido como SPRINT), publicado no ano passado pelo conceituado jornal científico New England Journal of Medicine, demostrou que pacientes com pressão arterial ideal (abaixo de 12 por 8) têm um risco 25% menor de desenvolverem problemas cardiovasculares, quando comparados aos pacientes que têm a pressão entre 12 por 8 e 14 por 9.

Como saber se tenho pressão alta?

O que significa “pressão arterial”?

A pressão arterial é a força que o sangue exerce nas paredes das artérias para conseguir circular pelo corpo, e é medida em milímetros (mm) de mercúrio (Hg) a partir dos movimentos do coração. Quando o coração contrai, temos uma pressão máxima (sistólica) e quando ele dilata, temos uma pressão mínima (diastólica). A medida da pressão é transcrita então com o valor da pressão máxima seguido do valor da pressão mínima.

A hipertensão é uma doença hereditária em 90% dos casos. Entretanto, há vários outros fatores que podem levar ao desenvolvimento da hipertensão, como consumo de bebidas alcoólicas ou de sal em excesso, obesidade e diabetes.

Para o diagnóstico da hipertensão, recomenda-se a medição da pressão arterial pelo menos uma vez ao ano desde a infância. Para quem já tem familiares com hipertensão, a medição deve ser feita uma vez a cada seis meses.

Sempre que a pressão marcar acima de 12 por 8, um médico deve ser consultado, pois pode ser um sinal de hipertensão ou apenas uma situação cotidiana.

Segundo explica o dr. Décio Mion, nefrologista e responsável pelo setor de Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) do Hospital Sírio-Libanês, é comum que pessoas com pressão arterial ideal apresentem valores elevados diante das seguintes situações:

  • Ansiedade
  • Dores na cabeça e em outras partes do corpo
  • Dias frios
  • Após brigas e discussões
  • Durante consultas médicas (síndrome do avental branco)

“A tendência é que a pressão aumente mesmo nessas situações porque o coração trabalha para mandar mais sangue para o cérebro e para os músculos nos momentos de tensão”, comenta o médico.

No entanto, segundo reforça o dr. Mion, será o exame de monitorização ambulatorial da pressão arterial, conhecido como MAPA, que irá confirmar se a alta da pressão ocorreu mesmo devido a essas situações de tensão ou se foi um sinal de que a hipertensão está instalada no organismo.

Nesse exame, oferecido pelo Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês, a pressão arterial é medida por um aparelho específico fora do ambiente hospitalar. As medidas, feitas durante 24 noras, são armazenadas nesse aparelho eletrônico e transferidas para um programa de computador que permite a análise dos dados coletados assim que o paciente regressar ao hospital.

Quando diagnosticado, o tratamento da hipertensão é feito a partir do controle dos seus fatores de risco e com medicamentos específicos.

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