Diabetes: a prevenção e o controle dependem de você

Diabetes
Fonte: Dr. Antonio Roberto Chacra, endocrinologista do Sírio-Libanês e professor da Universidade Federal de São Paulo.
Publicado em 21/05/2014

​​​Cerca de 12 milhões de brasileiros têm diabetes e esse número tende a crescer nos próximos anos. As estatísticas preocupantes estão muito relacionadas com o aumento da incidência de obesidade no País e com o sedentarismo. Afinal, o diabetes que mais cresce é o do tipo 2, responsável por 90% dos casos, que tem tudo a ver com os quilos além da conta. "Trata-se de uma verdadeira epidemia", afirma o endocrinologista Antonio Roberto Chacra, do Sírio-Libanês, também professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Duas versões

O diabetes do tipo 2 é marcado pela resistência insulínica, que ocorre quando o organismo fabrica a insulina em quantidades satisfatórias, mas ela não age adequadamente, ou seja, não dá conta de colocar a glicose dentro das células e ela acaba sobrando na circulação. Costuma aparecer após os 45 anos de idade.

Já o tipo 1 da doença surge na infância ou na adolescência e se desenvolve porque anticorpos passam a destruir as células produtoras de insulina. O resultado é a escassez desse hormônio, o que faz disparar as taxas de açúcar no sangue. "A glicose, então, é excretada pela urina", conta Chacra. Por essa razão, os pacientes têm muita sede e vão ao banheiro várias vezes ao dia. Outra manifestação do tipo 1 é a rápida perda de peso.

Se não forem tratadas, ambas as versões da doença são devastadoras. É que a glicose extra danifica nervos e vasos, prejudicando a circulação e a oxigenação. Esse processo contínuo resulta em lesões nas artérias e em diversos órgãos, caso dos rins.

Arsenal terapêutico

Hoje, as pessoas com diabetes contam com diversos aliados no controle do mal e podem ter uma excelente qualidade de vida. Um cenário bem diferente do daqueles que viveram antes de 1921, ano em que pesquisadores isolaram a insulina. "A descoberta constituiu um verdadeiro milagre", comenta o endocrinologista.

Em relação ao tipo 1, houve uma grande evolução no tratamento. Há avanços na monitoração da glicemia com destaque para aparelhos que revelam, por meio de uma gota de sangue, as taxas de glicose, ajudando a calcular com maior eficácia a dosagem necessária de insulina. Vale frisar que para esse grupo é indispensável a aplicação diária do hormônio.

Entre as inovações, há ainda as bombas de infusão contínua da substância. "Elas permitem um controle do diabetes altamente satisfatório e, dessa forma, previnem suas complicações", explica o médico.

Para o tipo 2, a atividade física e a perda de peso são essenciais, pois aumentam a sensibilidade à insulina. Além disso, já existem remédios que não provocam hipoglicemia, aquela desconfortável queda acentuada dos níveis de açúcar. Há também medicações que auxiliam na perda de peso.

Os pacientes precisam ficar atentos à medida da pressão arterial e aos teores de colesterol e triglicérides em circulação, pois os males cardiovasculares são bastante freqüentes entre os diabéticos. Não podem descuidar também dos pés, que ficam muito suscetíveis a infecções e problemas circulatórios podendo, inclusive, levar à necessidade de amputação.

Antonio Roberto Chacra faz questão de salientar a importância do apoio psicológico ao paciente e aos seus familiares. "Eles devem aprender a conviver com uma doença crônica", recomenda. Igualmente relevante é a educação, afinal, é preciso que se aprenda não só a aplicar a insulina e dosar as medicações, como também a cuidar da alimentação e da forma física e a evitar sintomas como a hipoglicemia. Para um paciente bem informado e atento a convivência com o diabetes pode se tornar natural e sem tanto sofrimento.