Consumo de aspartame faz mal à saúde?

Diabetes; Obesidade e Transtornos Alimentares
Fonte: Dr. José Antonio Miguel Marcondes, endocrinologista no Hospital Sírio-Libanês.
Publicado em 21/11/2017

Com frequência circulam na internet informações sobre danos provocados pelos adoçantes com aspartame. O consumo diário desse produto na alimentação já foi associado a dores de cabeça, diversos tipos de câncer, doença de Alzheimer e seria especialmente maléfico às pessoas com diabetes, mas nada disso tem comprovação científica.

O aspartame, criado nos Estados Unidos em 1965, é formado quimicamente pela junção de dois aminoácidos: ácido aspártico e fenilalanina. “Essas substâncias juntas ficam doce e servem como substituição ao açúcar”, explica dr. José Antonio Miguel Marcondes, endocrinologista no Hospital Sírio-Libanês.

Para o médico, os mitos envolvendo o aspartame referem-se principalmente a seu processo de decomposição pelo organismo. Ao ser ingerido, ele é degradado pelo tubo digestivo e, além de voltar a ter sua formação química original (ácido aspártico e fenilalanina), se transforma também em metanol, que é o álcool. “As críticas recaem geralmente sobre o metanol e a fenilalanina, mas a quantidade presente dessas substâncias nos adoçantes com aspartame são desprezíveis”, afirma dr. Marcondes.

Segundo o comitê científico de alimentação e saúde das Nações Unidas, o consumo diário de aspartame não deve ultrapassar 40 mg para cada quilo do peso corporal. Isso significa que um adulto de 70 kg pode ingerir com segurança até 2800 mg de aspartame por dia, o que representa aproximadamente 15 a 20 saquinhos ou 60 a 80 gotas de adoçante. Como o aspartame é cerca de 200 vezes mais doce que o açúcar branco normal, ultrapassar essa quantidade na alimentação diária é muito difícil.

Anvisa confirma segurança do aspartame

Em nota técnica, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) explica o efeito de cada uma das substâncias contidas no aspartame e informa que não existem razões para a adoção de uma medida sanitária restritiva em relação a esse adoçante.

Metanol - Segundo a Anvisa, embora exista a preocupação sobre a toxicidade dessa substância ao organismo, a quantidade de metanol liberada pela digestão do aspartame é muito pequena. Mesmo nas doses próximas às máximas recomendadas, o consumo de metanol no aspartame será 200 vezes inferior às taxas consideradas tóxicas ao ser humano. Em frutas cítricas, tomate e seus derivados, por exemplo, o metanol se apresenta em doses mais elevadas do que no aspartame, e é metabolizado naturalmente pelo organismo.

Ácido aspártico - A Anvisa informa que essa substância está presente em alimentos proteicos que fazem parte da dieta normal da população e não exige restrições. Por exemplo, um hambúrguer de 100 g pode conter até 40 vezes a quantidade de ácido aspártico presente em uma lata de refrigerante (350 ml) com aspartame.

Fenilalanina - Na população em geral, esse aminoácido contido no aspartame não causa nenhum risco. No entanto, atenção especial deve ser dada pelas pessoas com fenilcetonúria — doença genética rara em que o organismo não consegue metabolizar a fenilalanina. Assim como o aspartame, as pessoas com fenilcetonúria devem restringir outros tipos de alimentos que contenham fenilalanina, como feijão, soja, leite e seus derivados.

Aspartame pode ser usado por pessoas com diabetes?

Sim, afirma dr. José Antonio Miguel Marcondes. Segundo o endocrinologista, o consumo do produto pode até ser benéfico aos pacientes com diabetes, pois seria usado em substituição ao açúcar. No entanto, ele lembra que o tratamento dessa doença deve ser sempre feito com orientação médica.

Além do aspartame, as demais substâncias vendidas regularmente como adoçantes artificiais no Brasil (sacarina, ciclamato de sódio e neotama) também podem ser usadas na alimentação diária das pessoas com diabetes ou não.

O Hospital Sírio-Libanês conta com um Centro de Diabetes — serviço de atendimento completo voltado a atender as necessidades específicas de pacientes com diabetes dos tipos 1 e 2. O Centro reúne médicos, nutricionistas, educadores físicos, psicólogos, podólogos, dentistas, entre outros profissionais que atuam conjuntamente no tratamento dessa doença.

Outro serviço multidisciplinar e especializado do Hospital é o Núcleo de Obesidade e Transtornos Alimentares, que se propõe a atender com excelência os pacientes obesos, obesos infantis, compulsivos, anoréticos, bulímicos ou com outras alterações endocrinológicas.