Congelamento de óvulos atraem mulheres que desejam adiar maternidade

Reprodução Humana; Oncologia
Fonte: Dr. Carlos Alberto Petta, coordenador médico do Laboratório de Reprodução Humana do Hospital Sírio-Libanês.
Publicado em 18/04/2016

​A inserção cada vez maior das mulheres no mercado de trabalho tem contribuído para o aumento da idade da primeira gravidez no Brasil. Segundo os dados mais recentes disponibilizados pelo Ministério da Saúde, 30,2% das mulheres tiveram seu primeiro filho com mais de 30 anos de idade em 2012, enquanto que em 2000 esse número era de 22,5%. Além dos compromissos profissionais, limitações por conta de doenças, como câncer e zika vírus, têm feito várias mulheres adiarem sua gravidez e optarem por congelar seus óvulos.

O que leva as mulheres a congelarem seus óvulos?

Problemas de saúde

  • Câncer
  • Zika vírus
  • Histórico de menopausa precoce na família
  • Tratamento com altas doses de corticoides
  • Doenças imunológicas e outros problemas que possam colocar em risco a saúde da mãe ou do bebê

Fatores sociais

  • Compromissos profissionais
  • Compromissos acadêmicos, como doutorado ou especialização no exterior
  • Aproximação dos 35 anos de idade e não ter previsão de engravidar

O Centro de Reprodução Humana do Hospital Sírio-Libanês registra um aumento de casos de congelamentos de óvulos em torno de 20% a 25% ao ano. Hoje, mais de dez congelamentos são realizados todos os meses pela instituição, sendo que aproximadamente metade dos casos é de pacientes oncológicos, que buscam preservar sua fertilidade para se prevenirem de eventuais infertilidades provocadas pelo câncer ou pelo tratamento. Os demais casos são motivados por outros problemas de saúde ou por fatores considerados sociais (veja ao lado).

“Nos últimos meses várias mulheres têm nos procurando também porque desejam ser mães, mas estão com medo do zika vírus”, comenta o dr. Carlos Alberto Petta, coordenador médico do Laboratório de Reprodução Humana do Hospital Sírio-Libanês.

O zika vírus, além de provocar febre, manchas vermelhas na pele e dor no corpo, quando afeta as mulheres grávidas, principalmente nos três primeiros meses de gestação, pode causar microcefalia no bebê. Esse vírus tem o poder de passar pela placenta da mãe e acometer o tecido cerebral do feto, provocando essa condição neurológica, caracterizada pela redução da circunferência craniana.
Por isso, muitas mulheres têm visto na criopreservação de óvulos uma possibilidade de adiar a maternidade para um momento em que a epidemia de zika seja extinta ou controlada no País.

Como é feito o congelamento de óvulos?

O congelamento de óvulos também é conhecido tecnicamente por criopreservação de óvulos ou criopreservação de oócitos. Para a realização dessa técnica, primeiro a mulher recebe medicamentos que estimulam sua ovulação. Depois desse estímulo, é feita a coleta dos óvulos, por uma punção transvaginal guiada por ultrassom. Esse procedimento é simples e requer apenas uma sedação, que dura em média 20 minutos.

Na maioria das vezes são coletados todos os óvulos que a paciente produziu, selecionando-se cerca de 15 deles, que serão na sequência congelados a temperaturas muito baixas (196 oC negativos). Esse número é suficiente para que se possa descartar um ou outro óvulo com menor qualidade e repetir a tentativa de fertilização por duas ou três vezes, se as primeiras falharem.

A quantidade de óvulos congelados, no entanto, vai depender da quantidade de óvulos saudáveis disponíveis em cada mulher, esclarece o dr. Petta, sendo que a partir dos 35 anos de idade a mulher passa a produzir cada vez menos óvulos saudáveis.

Todo esse processo de estímulo, a retirada e o congelamento de óvulos duram de 12 a 14 dias, em média, e não costumam trazer grandes riscos para a saúde da mulher. Em alguns casos, a paciente pode sentir dor abdominal durante a estimulação ovariana ou ter sangramento após a punção transvaginal, mas essas complicações são contornadas pela equipe médica envolvida no caso.

Qual a chance de engravidar com óvulos congelados?

O congelamento não afeta a qualidade dos óvulos, sendo a idade da mulher o principal indicador de sucesso nesse tipo de procedimento, explica o dr. Carlos Alberto Petta. “Mulheres que tiveram seus óvulos congelados antes dos 35 anos de idade terão mais chances de engravidar do que aquelas que tentarem engravidar aos 38 anos, por exemplo, mesmo que tenham óvulos frescos (não congelados)”, compara.

Sendo assim, o congelamento de óvulos deve ser feito o quanto antes e, de preferência, antes dos 35 anos de idade. As chances de as mulheres engravidarem com óvulos criopreservados são as mesmas observadas na fertilização in vitro, ou seja, entre 40% e 75%.

Por se tratar de uma técnica ainda recente na medicina, não é possível calcular com precisão o tempo máximo em que os óvulos podem ficar congelados. Recomenda-se que eles sejam usados sempre o mais breve possível, embora haja relatos de óvulos descongelados após dez anos e utilizados com sucesso.

A técnica de congelamento de óvulos no Hospital Sírio-Libanês foi criada para atender principalmente os pacientes oncológicos, e devido ao sucesso observado passou a ser oferecida para todos os outros interessados.

Em parceria com o Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa, o Centro de Reprodução Humana do Hospital Sírio-Libanês está envolvido constantemente em pesquisas na área, o que possibilita oferecer sempre o que há de mais moderno no cuidado de pacientes com problemas relacionados à fertilidade.

Acesse também no portal do hospital alguns dos principais mitos e verdades sobre a fertilidade.