Cardiopatia congênita pode ser tratada e curada com cateterismo

Cardiologia; Imunizações; Álcool e Drogas
Fonte: Dr. Raul Arrieta, hemodinamicista em cardiopatias congênitas no Hospital Sírio-Libanês; e dra. Vanessa Alves Guimarães Borges, cardiologista pediátrica no Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 24/08/2017

A importância dos cuidados de saúde durante a gestação e nos primeiros meses de vida do bebê é um dos temas que ganham destaque durante o Dia da Infância (veja ao lado). Esses cuidados são essenciais para prevenir e tratar várias doenças congênitas, ou seja, aquelas que surgem ainda no ventre da mãe.

24 de agosto é o Dia da Infância

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) instituiu o dia 24 de agosto como o Dia da Infância com o intuito de criar uma reflexão sobre a situação em que as crianças vivem ao redor do mundo.

A data, além de reforçar a importância de cuidados com a saúde, chama a atenção para os direitos das crianças.

Entre eles, estão o direito a igualdade (sem distinção de raça, religião ou nacionalidade); educação; proteção de seu desenvolvimento físico, mental e social; alimentação; moradia e assistência médica adequadas.

Das doenças congênitas, as cardiopatias estão entre as mais graves. Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 30 mil crianças nascem no Brasil todos os anos com algum tipo de cardiopatia congênita. A boa notícia é que, quando diagnosticado precocemente, esse tipo de alteração na forma ou no funcionamento do coração pode ser tratado e algumas vezes curado, permitindo uma melhor qualidade de vida ao paciente.

Às vésperas do Dia da Infância, o dr. Raul Arrieta, hemodinamicista em cardiopatias congênitas, e a dra. Vanessa Alves Guimarães Borges, cardiologista pediátrica do Hospital Sírio-Libanês, destacam os avanços obtidos pela medicina contra as cardiopatias congênitas. “Hoje, cerca de 30% dos nossos pacientes (com cardiopatia congênita) já estão na fase adulta, constituíram família e levam uma vida normal”, conta o dr. Arrieta.

O termo “cardiopatias congênitas” engloba alterações no coração e nos grandes vasos presentes ao nascimento do bebê. A comunicação interventricular é o tipo mais diagnosticado. Ela se caracteriza por uma abertura na parede que divide os ventrículos (câmaras que bombeiam o sangue) do coração.

Como diagnosticar as cardiopatias congênitas?

Em muitos casos, as cardiopatias congênitas são diagnosticadas quando o bebê ainda está na barriga da mãe por meio de exames de imagem intrauterino, como a ultrassonografia e o ecocardiograma fetal.

No entanto, algumas cardiopatias congênitas se manifestam dias, semanas ou até mesmo alguns anos depois do nascimento do bebê. “Muitas vezes o quadro cardiovascular segue por anos equilibrado e a cardiopatia é descoberta apenas na idade adulta”, comenta a dra. Vanessa.

De qualquer forma, quanto mais precoce for o diagnóstico, melhores serão as condições de tratamento. Alguns dos principais sintomas infantis desse problema são:

  • Falta de ar.
  • Dificuldade para ganhar peso (o bebê não consegue mamar bem).
  • Transpiração excessiva (sudorese cefálica) às mamadas.
  • Tosse.
  • Quadros repetidos de pneumonia.
  • Tosse.
  • Pele com coloração azulada (cianose).
  • Palidez cutânea.
  • Tonturas e desmaios.
  • Hipotensão arterial (pressão baixa).
  • Hipertensão arterial (pressão alta).

Como tratar as cardiopatias congênitas?

O tratamento das cardiopatias congênitas depende da gravidade. Algumas são leves e curadas pelo próprio organismo com o passar do tempo. No entanto, na maioria das vezes, as cardiopatias congênitas exigem o uso de medicamentos, cirurgia ou, nos casos mais graves, transplante cardíaco.

Segundo o dr. Arrieta, o cateterismo veio revolucionar o tratamento das cardiopatias congênitas. Nesse procedimento, um cateter (tubo flexível e milimétrico) entra por um vaso sanguíneo do bebê, geralmente na virilha ou no pescoço, e segue até o coração, onde é capaz de diagnosticar e tratar diversos tipos de defeitos.

Por meio do cateterismo, o cirurgião cardíaco consegue fazer correções nas válvulas do coração, implantar stents (pequeno tubo de metal) para aumentar o tamanho da artéria, regularizando a passagem do sangue, entre outros tratamentos que podem curar as cardiopatias. Geralmente, esses procedimentos duram de 1h30 a 2h, dependendo da correção a ser feita.

O Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês conta em seu corpo clínico com diversos profissionais especializados em corrigir as cardiopatias congênitas por via percutânea, ou seja, através do cateterismo, sem a necessidade de abrir o tórax do paciente.

A estrutura tecnológica do Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês possibilita a realização do cateterismo com enorme precisão, pois o procedimento é guiado por modernos equipamentos que emitem imagem em três dimensões (3D) dos vasos sanguíneos para o cirurgião.

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Cardiológica do Hospital Sírio-Libanês também dispõe de equipamentos de oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO). Esse recurso permite fornecer suporte de oxigênio para coração e pulmões de recém-nascidos e outros pacientes que estão com as funções desses órgãos muito prejudicadas.