Pesquisa mostra benefícios da braquiterapia no controle do câncer de próstata

 
Fonte: Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 11/04/2019

O tumor maligno mais frequente em homens acima de 50 anos é o câncer de próstata. A escolha do melhor tratamento depende do grau de invasão da doença, ou seja, se está localizada ou disseminada, da idade, das condições clínicas e da preferência dos pacientes. As opções curativas mais utilizadas para combater o câncer de próstata são a retirada cirúrgica da próstata, a radioterapia externa e a braquiterapia.

A braquiterapia de baixa taxa de dose é um tratamento utilizado há mais de 30 anos no combate ao câncer de próstata e consiste na colocação de sementes radioativas (Iodo-125) por meio de agulhas pela pele, guiadas por ultrassonografia e raios-x. O procedimento é feito em cerca de 30 minutos e requer anestesia geral. O paciente recebe alta hospitalar no dia seguinte, sem necessidade de sonda urinária.

O Sírio-Libanês realiza este tratamento desde 1998, sendo um dos pioneiros no País. Até o presente momento, cerca de 1200 pacientes já realizaram o procedimento na instituição. Destes, 406 foram acompanhados por no mínimo 5 anos após a braquiterapia e tiveram seus resultados clínicos incluídos em uma grande pesquisa, publicada recentemente na revista médica “International Brazilian Journal of Urology”.

As taxas de controle da doença encontradas na pesquisa foram de 90,6% e 82,2% em 5 e 10 anos, respectivamente. Apenas 6% dos pacientes apresentaram metástases em 10 anos e menos de 1% faleceram em decorrência de câncer de próstata.

Os principais efeitos colaterais relacionados à braquiterapia são alterações para urinar como diminuição do jato, aumento da frequência urinária e, nos casos mais graves, obstrução completa da urina. No estudo, entre 0,5 a 3,6% dos pacientes apresentaram complicações relacionadas ao tratamento.

“Este estudo é muito importante para a oncologia brasileira, pois se trata de uma série com um número bastante expressivo de pacientes que foram acompanhados por longos anos, a maioria da América Latina”, explica Dr. João Luis Fernandes da Silva, responsável pela implementação da braquiterapia no Sírio-Libanês.

“Os resultados clínicos se equiparam e até superam algumas das grandes séries de renomadas instituições americanas com larga experiência neste tipo de estratégia terapêutica, tanto em taxas de cura quanto em efeitos colaterais. Taxas zero de letalidade, transfusão, infecção e acidentes anestésicos”, completa o médico.