AVC pode ser prevenido e tratado

Cardiologia; Centro de Reabilitação; Diabetes; Obesidade e Transtornos Alimentares
Fonte: Dr. Eli Faria Evaristo, neurologista no Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 28/10/2016

O acidente vascular cerebral (AVC), conhecido popularmente como derrame cerebral, é um dos principais problemas de saúde em todo o mundo. Você já pensou como seria bom se existisse uma vacina que nos protegesse contra esses entupimentos ou rompimentos dos vasos que irrigam nosso cérebro?

Pois bem, a partir dos resultados do estudo “Interstroke”, realizado com mais de 26 mil pessoas de 32 países, incluindo o Brasil, podemos dizer que já existe uma “vacina” contra o AVC, mas o efeito dela depende de cada um de nós, ou seja, do estilo de vida que levamos.

Campanha mundial destaca AVC em mulheres

A Organização Mundial de AVC lançou em 2014, durante o Dia Mundial de Combate ao AVC, uma campanha internacional que termina em 2016 sobre a vulnerabilidade das mulheres diante do acidente vascular cerebral.

Nesses dois anos, a campanha focou em alguns riscos específicos que as mulheres têm para o AVC. São eles: diabetes gestacional; uso de pílulas anticoncepcionais, sobretudo nas mulheres hipertensas; reposição hormonal; e solidão e depressão, que embora também afetem os homens, tendem a ser mais frequentes nas mulheres.

Somados aos outros dez fatores clássicos relacionados ao AVC, esses riscos contribuem para que as mulheres sejam muitas vezes mais afetadas que os homens por esse problema.

Nesse estudo liderado por cientistas da Universidade McMaster, do Canadá, e divulgado de forma conclusiva no último mês de julho pela revista britânica The Lancet, os pesquisadores analisaram pessoas saudáveis e aquelas que já tinham sofrido algum AVC, com idade e gênero equivalentes. Ao comparar esses pacientes, os cientistas demonstraram que 90% dos casos de AVC estavam relacionados a dez fatores de risco. São eles:

  • Hipertensão.
  • Sedentarismo.
  • Tabagismo.
  • Gordura abdominal.
  • Dieta com muita gordura.
  • Colesterol alto.
  • Estresse.
  • Diabetes.
  • Álcool em excesso.
  • Problemas cardíacos.

Segundo o dr. Eli Faria Evaristo, neurologista no Hospital Sírio-Libanês, ao controlarmos esses dez fatores de risco estamos nos protegendo de aproximadamente 90% dos casos de AVC. “Essa é uma ótima notícia para este 29 de outubro, Dia Mundial de Combate ao AVC”, ressalta o médico.

Entre as causas fixas de AVC, ou seja, aquelas que não podemos mudar, destacam-se a idade — quanto mais velho, maiores são as chances de AVC; e a genética familiar — pessoas com parentes de primeiro grau que já tiveram AVC ou doenças do coração têm um risco maior de desenvolverem esse tipo de problema.

AVC tem tratamento

Além de poder ser prevenido, o AVC também pode ser tratado e é importante ressaltar que a agilidade com que forem iniciados os cuidados estará diretamente ligada à redução nas sequelas. Por isso, devemos ficar sempre atentos a qualquer déficit neurológico de início imediato, pois eles podem ser sinais de que estamos sofrendo um AVC.

Alguns dos principais sintomas relacionados ao AVC e que, quando de início súbito, exigem atendimento médico urgente são:

  • Perda da força muscular, especialmente quando ocorre em apenas um dos lados.
  • Dormência ou formigamento em um dos lados do corpo (face, braço ou perna).
  • Tontura.
  • Alterações da memória.
  • Perda da visão de um dos olhos.
  • Dor de cabeça extrema e repentina.

No caso do AVC isquêmico, que é o mais comum e ocorre quando há uma obstrução ou redução brusca do fluxo sanguíneo em uma artéria cerebral, indica-se o uso de medicamentos trombolíticos num período de até quatro horas e meia após o início do acidente. “Esse medicamento injetável pode ajudar a dissolver o coágulo que obstrui o vaso sanguíneo”, explica o dr. Evaristo.

Se exames de imagens, como tomografia e ressonância magnética, detectarem que esse tipo de AVC está afetando uma artéria maior, pode ser realizada também uma trombectomia mecânica. Trata-se de uma técnica que permite a desobstrução da artéria com uso de um stent (pequenos tubos metálicos expansivos), desde que seja feita em até seis horas após o início dos sintomas.

Já para os AVCs hemorrágicos (o popular derrame cerebral), que são menos comuns, mas geralmente mais graves, pois provocam a ruptura do vaso com extravasamento de sangue para o interior do cérebro, são indicados medicamentos para tratar a pressão arterial elevada. Segundo o dr. Evaristo, esse cuidado também precisa ser urgente, pois as hemorragias cerebrais aumentam, em média, um terço de seu volume nas primeiras quatro horas de evolução dos sintomas.

O Pronto Atendimento do Hospital Sírio-Libanês oferece a seus pacientes todos esses tratamentos contra o AVC e segue protocolos internacionais para diagnosticar e cuidar com urgência das pessoas nessa condição.

Depois de ter um AVC, alguns pacientes podem ficar com sequelas, como dificuldade em andar ou falar, e para esses pacientes o Hospital Sírio-Libanês oferece ainda seu Centro de Reabilitação. Esse serviço reúne médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, entre outros profissionais especializados, que atuam conjuntamente para ajudar os pacientes a retomarem suas rotinas.

Aproveite este Dia Mundial de Combate ao AVC e saiba como se proteger dessa doença:

Previna-se do AVC

Reduza o consumo de sal — O sal é um dos maiores vilões da hipertensão. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo máximo diário de 5 g de sal, o que equivale a uma colher de chá.

Pratique atividade física — Cerca de 10 mil passos por dia (8 km) são suficientes para quebrar o sedentarismo. A soma inclui qualquer passo desde o momento que acordamos.

Não fume — O Hospital Sírio-Libanês desenvolveu um Programa de Prevenção e Tratamento do Tabagista e tem ajudado mais de 50% dos participantes a pararem de fumar.

Atenção com a gordura abdominal — No geral, circunferências abdominais maiores que 80 cm nas mulheres e 88 cm nos homens elevam os riscos cardiovasculares.

Alimente-se bem — Uma dieta rica em frutas, legumes, carboidratos integrais e pouca gordura saturada pode reduzir os índices de LDL (colesterol ruim) e ajudar no controle do diabetes e da obesidade.

Relaxe — Dormir o suficiente, praticar atividade física e viajar ajuda a combater o estresse.

Evite o consumo de álcool — Diversos estudos apontam que uma média diária superior a duas doses de bebidas alcoólicas para homens e uma para mulheres pode trazer danos à saúde.