Atividade física acompanhada por médico pode ajudar paciente com insuficiência cardíaca a evitar transplante

Cardiologia
Fonte: Dra. Amanda Gonzales, médica da Unidade de Cardiologia do Exercício.
Publicado em 16/07/2015

​​​​Antônio Paulo Gomes, de 53 anos, sempre gostou de esporte. Jogava futebol, vôlei e basquete. Depois de vários anos trabalhando na área financeira, decidiu montar seu próprio negócio e abriu uma distribuidora de água, onde se exercitava com frequência, carregando os galões. Em 2011, no entanto, começou a sentir cansaços extremos e suor frio. "Dava três ou quatro passos e passava mal", lembra. Meses depois, ele recebeu o diagnóstico de insuficiência cardíaca congestiva (ICC).

Conhecida popularmente apenas por "insuficiência cardíaca", esta doença faz com que o coração não consiga mais bombear o sangue em quantidade suficiente para o corpo, prejudicando o funcionamento de vários órgãos.

No mundo todo, a insuficiência cardíaca é um importante problema de saúde pública. No Brasil, existem cerca de dois milhões de pacientes com insuficiência cardíaca, segundo o Ministério da Saúde. Em média, são diagnosticados cerca de 240 mil casos por ano.

A vida de Antônio mudou drasticamente a partir daquele diagnóstico. "Eu era uma pessoa ativa, trabalhava muito, mas fui obrigado a me aposentar", conta. Nas fases mais avançadas, a insuficiência cardíaca traz sintomas desconfortáveis até mesmo enquanto a pessoa está em repouso. Além de cansaço, ela pode provocar inchaço nas pernas, aumento do volume abdominal e palpitações.

O tratamento da ICC busca aumentar a eficiência do coração, facilitando seu trabalho de bombear o sangue, reduzir o acúmulo de líquidos no corpo e preservar os órgãos que dependem de um volume maior de sangue. Geralmente, a doença pode ser controlada por muito tempo com medicamentos, mas existem casos que exigem cirurgias ou transplantes.

Vida nova

Depois de passar por consultas com vários médicos em São Bernardo do Campo, cidade onde reside na região da grande São Paulo, Antônio foi encaminhado, em 2014, para o projeto Coração Novo, uma iniciativa do Hospital Sírio-Libanês em parceria com o governo federal. Este projeto tem por objetivo acompanhar e prestar tratamento gratuito para pacientes diagnosticados com insuficiência cardíaca.

Casado e pai de dois filhos, Antônio foi informado pelos médicos que além do tratamento medicamentoso, o seu caso previa a realização de um transplante do coração.

Como parte do seu programa de reabilitação, ele foi conduzido para a Unidade de Cardiologia do Exercício do Sírio-Libanês - serviço que conta com uma equipe multiprofissional, formada por cardiologistas especialistas em exercício físico, nutricionistas, psicólogos e educadores físicos. Antônio fez vários exames e foi integrado ao programa de reabilitação cardiovascular desta unidade.

A dra. Amanda, médica da Unidade de Cardiologia do Exercício, explica que a prática de atividade física acompanhada por especialistas pode ajudar a melhorar as capacidades funcionais do coração e da musculatura periférica, assim como do pulmão, adiando a realização do transplante cardíaco ou, em alguns casos, chegando a descartar a necessidade desse procedimento.

O trabalho da Unidade de Cardiologia do Exercício com Antônio começou em fevereiro de 2015, mas foi logo interrompido porque ele lesionou o pé em casa. Em junho do mesmo ano, porém, ele retornou e passou a fazer uma série de exercícios com auxílio da equipe multiprofissional.

Antônio frequenta a unidade, em média, três vezes por semana, quando realiza caminhadas na esteira, fortalecimento muscular e alongamento. A maioria dos exercícios é para ele ganhar resistência, o que já vem demonstrando resultados. "Eu não conseguia andar meio quarteirão e agora eu já consigo caminhar por 45 minutos", conta.

Segundo a dra. Amanda, Antônio ainda inspira cuidados, mas seu organismo está respondendo bem às atividades físicas.

Antônio afirma que, depois dos exercícios, voltou a se sentir vivo. "Eu voltei a viver de verdade... Agora posso ir ao shopping, ao teatro, ao cinema e até ao estádio de futebol", comemora.

Além do acompanhamento de pacientes com cardiopatias, como é o caso de Antônio, a Unidade de Cardiologia do Exercício oferece planos de prevenção cardiovascular e de avaliação para atletas.