Assintomático, aneurisma de aorta abdominal pode ser fatal em 90% dos casos

Centro de Acompanhamento da Saúde e Check-Up
Fonte: Dr. Mauro Figueiredo Carvalho de Andrade, angiologista e cirurgião vascular no Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 13/07/2017

Menos conhecidos do que os aneurismas cerebrais, os aneurismas de aorta abdominal são dilatações dessa importante artéria na região do abdômen. A maioria dos especialistas considera como aneurismas as dilatações acima de três centímetros.

Segundo explica o dr. Mauro Figueiredo Carvalho de Andrade, angiologista e cirurgião vascular no Hospital Sírio-Libanês, os aneurismas de aorta abdominal podem permanecer estáveis durante anos, mas alguns crescem rapidamente.

Os fatores que mais influenciam no aparecimento e no crescimento dos aneurismas são:

  • Envelhecimento.
  • Sexo masculino (embora também possa afetar as mulheres).
  • Tabagismo.
  • Histórico familiar de aneurisma (principalmente familiares de primeiro grau).

Estima-se que 2% a 5% da população do sexo masculino com mais de 60 anos de idade tenham dessa dilatação, embora a maioria a desconheça.

Causas e sintomas do aneurisma abdominal

Os aneurismas são, em geral, assintomáticos, ou seja, não apresentam sintomas, e muitas vezes podem ser diagnosticados em exames de rotina, como o de ultrassom abdominal para avaliar rins, fígado ou próstata.

Mesmo sendo uma doença assintomática, o aneurisma da aorta abdominal pode apresentar alguns sinais, como sensação de pulsação abdominal. Segundo o dr. Andrade, os aneurismas estão associados à aterosclerose, que é caracterizada pela presença de placas de gordura e calcificação nas artérias, e não têm relação com o aneurisma cerebral.

Quando um aneurisma se expande rapidamente, está prestes a romper ou já rompeu, alguns sintomas podem aparecer de maneira brusca, como dor forte ou persistente no abdômen ou nas costas; náuseas e vômitos; frequência cardíaca acelerada; queda de pressão e choque hemorrágico, quando ocorre grande perda de sangue.

De acordo com o especialista, quanto maior o aneurisma, maiores as chances de ruptura. “Aneurismas de 6 cm de diâmetro, por exemplo, têm um risco de cerca de 10% de se romperem no prazo de um ano. A mortalidade, nesses casos, é muito alta, podendo chegar a 90%, mesmo com o tratamento adequado. Um grande número de pacientes nem chega a ter tempo de receber atendimento”, lamenta o médico.

Como diagnosticar o aneurisma abdominal

O diagnóstico é realizado por meio de exame clínico pela palpação do abdômen, além de exames de imagem, como ultrassom, ressonância magnética e tomografia computadorizada.

Poucos países adotam políticas de rastreamento do aneurisma abdominal para os grupos de risco. No Brasil, a recomendação é para que homens fumantes, com idade entre 65 e 75 anos, realizem o rastreamento anual através do exame de ultrassom de abdômen. Em homens com 65 anos ou mais, caso a primeira ultrassonografia mostre a aorta abdominal com diâmetro inferior a 2,6 cm, não se recomenda o rastreamento anual. Nesses casos, os exames podem ser realizados a cada três anos.

Tratamento do aneurisma abdominal

O melhor tratamento é a prevenção. Portanto, para reduzir o risco de desenvolver aneurismas de aorta abdominal, mantenha uma dieta saudável, exercite-se, não fume e controle o estresse. A prevenção inclui também o controle do colesterol, da pressão arterial e da glicemia. Porém quem possui um ou mais fatores de risco deve procurar um angiologista ou cirurgião vascular para uma avaliação mais aprofundada.

“Em pacientes assintomáticos, aneurismas menores do que 5 cm são monitorados com ultrassonografia regular para acompanhar seu crescimento”, afirma o especialista. “Nesse período, pode ser recomendado o uso de medicamentos, como estatinas e ácido acetilsalicílico, e controle rigoroso da pressão arterial”, acrescenta.

Pacientes com aneurismas com 5 cm ou mais de diâmetro que apresentem ou não dores; pacientes sintomáticos que apresentam dor; ou aneurismas que cresceram mais do que 1 cm em menos de um ano precisam ser corrigidos. “A correção pode ser feita através de uma técnica convencional, com abertura da cavidade abdominal, ou de uma técnica menos invasiva chamada de cirurgia endovascular, na qual se utiliza uma prótese implantada por dentro do aneurisma”, explica o dr. Andrade. Nesse caso, o acesso é pelas artérias femorais localizadas na virilha. Segundo o especialista, as principais vantagens dessa técnica estão na diminuição do tempo de internação e na menor incidência de complicações nos primeiros 30 dias.

O Hospital Sírio-Libanês possui um Pronto Atendimento habilitado para atender pessoas em situações graves. Ao chegar, o paciente passa por uma rápida avaliação da equipe de enfermagem e em seguida é encaminhado para o atendimento de emergência. O hospital conta ainda com o Centro de Acompanhamento da Saúde e Check-Up, que atua com o objetivo de prevenir doenças e orientar os pacientes para uma melhor solução de eventuais problemas de saúde.