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Sua Saúde

Apenas 5% das pessoas higienizam as mãos corretamente

Infectologia
Fonte: Dra. Maria Beatriz Gandra de Souza Dias e dra. Mirian de Freitas Dal Ben Corradi, infectologistas e integrantes da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do Sírio-Libanês.
Publicado em 21/07/2015
Apenas 5% das pessoas higienizam as mãos corretamente

​​​Desde pequenos, todos nós aprendemos que lavar as mãos é importante para a saúde. Porém poucas pessoas o fazem corretamente no dia a dia.

Segundo estudo realizado pela Michigan State University, nos Estados Unidos, em 2013, apenas 5% das pessoas lavam as mãos corretamente. O estudo foi baseado na observação do comportamento de 3.749 pessoas em banheiros públicos: 33% não usaram sabonete, 10% sequer lavaram as mãos e apenas 5% lavaram as mãos por tempo suficiente para eliminar todos os germes causadores de doenças.

Em média, as pessoas lavaram suas mãos por apenas 6 segundos, quando o tempo necessário para eliminar os germes é de 40 a 60 segundos, com água e sabonete, e de 20 a 30 segundos com preparações alcoólicas, como o álcool gel (veja infográfico), segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Há cerca de dez anos, a recomendação era apenas água e sabão, mas hoje as soluções alcoólicas especialmente formuladas se mostram superiores para a higienização das mãos", explica a médica infectologista e coordenadora da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do Hospital Sírio-Libanês Maria Beatriz Gandra de Souza Dias.

Segundo as recomendações da OMS (Diretrizes da OMS sobre Higienização das Mãos em Serviços de Saúde), as mãos precisam ser lavadas com água e sabonete quando estão visivelmente sujas ou contaminadas com matéria orgânica (fluidos corporais, restos de alimentos, por exemplo). Nas demais situações, a escolha pode ser pela preparação alcoólica (gel ou solução).

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a higienização das mãos, com água e sabão ou com soluções alcoólicas, é a medida individual mais simples e menos dispendiosa para prevenir a propagação das infecções.

"Infecções respiratórias, como gripes, resfriados e conjuntivite são transmitidas por mãos não higienizadas", exemplifica a dra. Mirian de Freitas Dal Ben Corradi, infectologista da CCIH do Hospital Sírio-Libanês. Quando a higienização das mãos não é feita de maneira adequada, contribui ainda para o surgimento de cerca de 50% das doenças transmitidas pela alimentação, como gastroenterite, segundo dados do Centers for Disease Control and Prevention (CDC).

Para a higienização - com água e sabonete ou com preparações alcoólicas - ser de fato efetiva, é necessário observar alguns cuidados, como a qualidade e a quantidade de produto utilizado, além do tempo gasto no processo (veja no infográfico abaixo como higienizar as mãos com água e sabonete ou com preparações alcoólicas).

"Muita gente espirra álcool líquido comum nas mãos, mas isso não é recomendado, pois pode causar ressecamento e microfissuras, facilitando a infecção por vírus e bactérias", explica a dra. Mirian. As preparações alcoólicas (gel ou solução) específicas para a higienização das mãos são as mais indicadas, pois possuem emolientes e concentração média de 70% de álcool, o que é ideal para que tenham ação bactericida.

"É importante contemplar toda a superfície da mão", alerta a dra. Mirian. Segundo ela, a quantidade de produto a ser utilizado vai depender do tipo de produto e do tamanho da mão. Em geral, 2 ml de álcool em gel são suficientes. "A mão deve estar úmida no final do processo", esclarece a médica.

Uma mão não higienizada pode conter alguns milhares de bactérias, muitas delas virulentas ou resistentes aos antibióticos. A descoberta de que as mãos podem transmitir infecções não é nova. Já em 1846, o médico húngaro Ignaz Semmelweis observou a redução no número de mortes maternas por infecção puerperal após a implantação da prática de higienização das mãos com solução clorada em um hospital em Viena (Áustria). Desde então, esse procedimento tem sido recomendado como medida primária no controle da disseminação de agentes infecciosos.

 

Cuidados no hospital

No hospital, os cuidados devem ser redobrados. "Ao chegar ao quarto do paciente, deve-se higienizar as mãos para não contaminá-lo com micro-organismos trazidos de outros pacientes; ao sair do quarto, também", alerta a dra. Mirian. "Se for participar de algum cuidado ao paciente, é necessário higienizar as mãos antes e depois do contato", acrescenta. É importante ainda observar se os profissionais de saúde estão higienizando suas mãos em pelo menos cinco momentos:

  1. antes de contato com o paciente (aperto de mãos, toque de braço, realização de higienização corporal, fisioterapia motora, determinação do pulso e da pressão arterial, ausculta cardíaca e pulmonar, palpação do abdômen, entre outros);
  2. antes de realizar procedimentos assépticos (higiene oral, aplicação de colírio nos olhos, aspiração da secreção, curativo, administração de medicamentos, coleta e manipulação de qualquer amostra biológica, inserção ou remoção de tubos, entre outros);
  3. após risco de exposição a fluidos corporais (após coleta e manipulação de qualquer amostra biológica, descarte de resíduos biológicos, desprezar urina, fezes e vômito, entre outros);
  4. após contato com o paciente (aperto de mãos, toque de braço, realização de banho, aplicação de massagens, verificação de sinais vitais, entre outros);
  5. após contato com áreas próximas ao paciente (troca de roupa de cama, manipulação de equipamentos, contato com a grade de proteção da cama do paciente, limpeza e arrumação da mesa de cabeceira, entre outros).

Se esquecerem, o paciente e seus acompanhantes devem e podem lembrá-los!

Para melhorar a adesão à higienização das mãos por parte dos profissionais, pacientes, acompanhantes e visitantes, o Sírio-Libanês começou uma campanha cujo mote é "Mãos limpas salvam vidas". Cartazes, banners, posts em redes sociais e vídeo educativo sobre o tema fazem parte da campanha que já se espalhou pelos corredores do hospital.

Quando higienizar as mãos em casa

Antes, durante e depois do preparo de qualquer alimento
Antes de tocar em qualquer coisa que vá à boca do bebê
Antes e depois de pegar numa pessoa doente
Após coçar ou assoar o nariz
Antes e depois das refeições
Após ir ao banheiro
Antes e depois de tratar algum machucado ou ferimento
Depois de trocar fraldas ou ajudar uma criança a se limpar
Depois de tocar, alimentar ou limpar um animal
Depois de manipular a comida ou objetos de seu gato ou cachorro
Depois de tocar no lixo

O que usar

Higienize as mãos com água e sabonete apenas quando estiverem visivelmente sujas. Senão, friccione as mãos com preparações alcoólicas (gel ou solução).

Como fazer

Com preparações alcoólicas (gel ou solução)

  1. Aplique uma quantidade suficiente de preparação alcoólica em uma mão em forma de concha (cerca de 2 ml).
  2. Friccione as mãos entre si de modo que ela cubra toda a superfície das mãos.
  3. Não se esqueça de espalhar o gel ou a solução entre os dedos e sob as unhas.
  4. Espere suas mãos secarem.

Com água e sabonete

  1. Molhe as mãos com água.
  2. Aplique na palma da mão quantidade de sabonete (de preferência líquido) suficiente para cobrir toda a superfície das mãos (cerca de 2 ml).
  3. Ensaboe as palmas das mãos friccionando-as entre si.
  4. Esfregue as mãos, entre os dedos e sob as unhas.
  5. Enxague bem as mãos com água.
  6. Seque as mãos com uma toalha limpa, papel absorvente ou jato de ar.

Cuidados básicos

  • A eficácia da higienização das mãos depende da duração e da técnica empregada. Só passar o sabonete - ou espalhar o álcool em gel - rapidamente pelas mãos não é suficiente.
  • Antes de iniciar a limpeza das mãos, retire anéis, pois sob esses objetos podem se acumular micro-organismos.
  • As pontas dos dedos, embaixo das unhas, entre os dedos e o polegar são as áreas mais negligenciadas na hora de higienizar as mãos.

Fontes:
Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Disponível em: . Acesso em: 22 maio 2015
Manual para Observadores, Estratégia Multimodal da OMS para a Melhoria da Higienização das Mãos, Organização Pan-Americana da Saúde e Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 2008.