Anorexia e bulimia provocam rápida perda de peso

Obesidade e Transtornos Alimentares; Acompanhamento da Saúde e Check-up
Fonte: Dr. Sergio Ricardo Hototian, psiquiatra no Hospital Sírio-Libanês e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro (Unisa)
Publicado em 20/09/2016

​Perder peso ou manter-se em forma. Estes são alguns dos principais desejos de quem busca uma aparência melhor. No entanto, quando esses desejos se transformam em obsessões desequilibrantes da saúde física e mental, podemos estar diante de duas doenças psiquiátricas de transtorno alimentar: a anorexia e a bulimia.

A anorexia é um transtorno alimentar que se inicia a partir de falta de percepção adequada da imagem corporal. Quase sempre afeta mulheres adolescentes, que sempre se percebem muito acima do peso, mas não estão, e mais raramente pode afetar os homens. Com isso, elas vão diminuindo progressivamente o consumo de alimentos podendo chegar a quadros severos de desnutrição.

Já a bulimia afeta jovens de ambos os sexos que querem ter um corpo “bonito” — nem gordo, nem magro —, mas continuam se alimentando muito. Para não engordar, porém, forçam o vômito após as refeições, fazem dietas inadequadas e exageram na atividade física.

“Na anorexia, o organismo vai se acostumando e a pessoa pode deixar de sentir fome, enquanto que na bulimia a fome persiste”, compara o dr. Sergio Hototian, psiquiatra no Hospital Sírio-Libanês e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro (Unisa). “Em ambos os casos, no entanto, tratam-se de distúrbios alimentares complexos”, acrescenta. Algumas pessoas podem ter anorexia e bulimia ou desenvolver um transtorno em consequência do outro.

Quais os sintomas da anorexia e da bulimia?

As pessoas que têm anorexia geralmente são ansiosas, perfeccionistas e insatisfeitas, e apresentam os seguintes sinais durante esse transtorno:

  • Perda de peso inexplicável;
  • Desmaios;
  • Fadiga;
  • Pressão baixa;
  • Tontura;
  • Isolamento social.

Aquelas que têm bulimia, por sua vez, podem ter sofrido com excesso de peso anteriormente ou serem depressivas. Alguns dos sinais desse transtorno são:

  • Compulsão alimentar;
  • Perda de peso inexplicável;
  • Menstruação irregular;
  • Alterações do humor;
  • Ir ao banheiro constantemente após se alimentar;
  • Vômitos;
  • Hálito cetônico (odor similar ao da acetona).

Segundo explica o Dr. Hototian, familiares e amigos têm papel fundamental na observação desses sintomas, pois raramente as pessoas com anorexia e bulimia percebem que estão doentes e que precisam de ajuda médica. “A anorexia é muito comum em meninas, modelos, que moram longe dos pais”, observa. “E a bulimia torna complicada a percepção porque, aparentemente, a pessoa se mostra saudável”, completa.

Como cuidar da anorexia e da bulimia?

No Brasil não existem dados atualizados sobre a quantidade de pessoas que sofrem desses distúrbios, mas relatos clínicos e pesquisas internacionais indicam ser um problema de saúde pública. Nos Estados Unidos, por exemplo, a estimativa é de que a anorexia atinja entre 2% e 5% das adolescentes, enquanto que a bulimia, 1% das mulheres jovens e 0,1% dos homens jovens.

O tratamento dessas doenças, geralmente, é medicamentoso (ansiolíticos e antidepressivos) e psicoterápico, e pode durar de um a três anos. Em alguns casos, a anorexia e a bulimia exigem acompanhamento médico por toda a vida.

Segundo o dr. Hototian, prestar atendimento correto nas primeiras crises é essencial para o controle dos dois transtornos. “Quanto mais preciso e precoce for o diagnóstico, melhores são as condições de cura”, explica o médico.

Reconhecendo a complexidade desses transtornos alimentares, o Hospital Sírio-Libanês tem atuado no diagnóstico e no tratamento da anorexia e da bulimia de diferentes formas. O Centro de Acompanhamento da Saúde e Check-Up do hospital, por exemplo, incluiu as duas doenças entre aquelas que merecem atenção especial dentro do Programa de Saúde do Adolescente, ao lado de outros problemas, como sedentarismo, doenças sexualmente transmissíveis e depressão.

A instituição conta também com um Núcleo de Obesidade e Transtornos Alimentares, preparado para atender pacientes nessas condições, além de médicos psiquiatras especializados no assunto.